Qui prodest?

 

Se você meu (minha) estimado(a) acadêmico(a) não entendeu, não se desespere.

 

Estou escrevendo essa pequena página em razão de vários depoimentos que venho colhendo durante minha vida, de pessoas que constantemente se vêm burladas em seus direitos de entender o que outros fazem em seu nome, mas que usam máscaras de uma língua que sequer se ensina mais nas escolas.  Escondem dos seus donos a verdade, usando atifícios que, dizem, fazem parte do seu meio profissional.

 

Estive assistindo, esta semana, um breve debate pela televisão, no qual uma renomada magistrada expôs  sua tese sobre o juridiquês (costumo chamar de advogadês). E o mesmo que os economistas fizeram com o termo indexação (ou desindexação) no período dos planos econômicos de salvação (?) da Pátria.

 

Só que tem um pequeno detalhe:  os economistas, administradores, e outros abalizados profissionais de elevada erudição, utilizam nossa língua  para se fazerem entender.  Distorcem nossas palavras, mas… para o bom entender um pingo já é letra.  Desde que seja a língua que aprendeu a falar (seja em casa ou na escola).

Agora… como é que um cidadão ou cidadã que entra com uma ação na justiça pode entender o que se escreveu no processo, se escreveram apenas para os advogado e juízes? 

É o que fazem quando utilizam termos extraídos do latim.  Ora, o latim foi banido das salas de aula (como língua morta) quando eu ainda cursava o ginásio.  Pouco depois foi a vez do Francês ser expulso, em nome da redução de matérias.  Mas esse idioma continua vivo (e bem vivo).

Acredito que, como a jurídica vem se modernizando sem esquecer suas bases – os doges romanos, venezianos e tal… – existe uma dificuldade muito grande em se desprender do conservadorismo intelectual.

Não sou advogado, não milito nem transito com frequência pelos corredores forenses.  Mas sou cidadão! E se vc não entendeu o que está escrito lá em cima, também deve se sentir como eu.

O ambiente acadêmico é propício a mudanças.  Ali surgem as novas fórmulas que resolvem os problemas modernos. 

Então não se venha culpar a erudição.  A erudição conservadora, que não bate à porta do presente, nunca chegará ao futuro. 

E, conservando-se no passado, fará sempre parte dele.

É tempo, creio, de se fazer alguma coisa nas academias, de modo a mudar o pensamento ultra-conservador que termina por praticar um ato ilegal – o de impedir o conhecimento pelo indivíduo, daquilo que se escreveu sobre ele.

Habeas-corpus é um termo corriqueiro.  Conhecido de praticamente todo cidadão.  Porém a tradução, se feita ao pé-da-letra, não condiz com o que se quer transmitir. Vejamos

Habeas corpus: Que tu tenhas o corpo.

 

Seria esse realmente o que queria dizer o magistrado ao declarar que o pretendente não deveria ser preso (ou mantido preso)?

A propósito, a epígrafe quer dizer que “as culminâncias do direito não são os direitos” e o entre parênteses “para argumentar”.

A proposta é esta, mesmo:

– Que se argumente.

Um bom dia pra todos e um ótimo fim-de-semana.