É. Parece que é hora de comemorar.  O Brasil está representado no Espaço Sideral. O Tenente Coronel Marcos Pontes partiu rumo à ISS (Estação Internacional Espacial).  E ao mesmo tempo em que o foguete subia, milhões de corações brasileiros pulsavam mais forte, torcendo por uma boa decolagem e para que não ocorressem as falhas dos ultimos lançamentos e retornos dos ônibus espaciais americanos.
Percebi como estava emocionado, torcendo por um desconhecido (ou, que só conhecia pelos noticiários).  Coração pulsando mais forte, a emoção querendo transformar em lágrimas, contidas à custo, enquanto assistia, olhos fixos, sem piscar, o lançamento da nave espacial. Evento transmitido durante uma partida de futebol, a qual assisti sem o menor interesse, apenas ansioso par que a hora da partida chegasse.
Juntei-me em oração aos seus familiares, amigos, colegas a discípulos.  Era eu – um brasileiro – que ali estava dcolando rumo ao sideral.
Por um momento, não havia crise política – CPIs disso ou daquilo. O Brasil não tinha fome, não tinha doenças, não tinha outra coisa para se preocupar, a não ser com a vitória do trabalho árduo, do aprendizado dedicado, da vontade de fazer…
Entretanto, nem tudo é festa.  Enquanto torcemos pelo êxito da missão, concentramo-nos apenas em nosso astronauta. Por momentos, esquecemos que, não apenas ele, mas dois outros companheiros, estão colocando as vidas em risco, em nome do progresso. 
Nosso egoísmo impensado, trabalha apenas para o nosso meio.  Não percebemos a grandeza de outras pessoas (que já são, inclusive, veteranos) em ações de colocar a vida em risco, pelo progresso de um mundo que não entende muitas vezes a grandeza de seu gesto.
E existe, a meu ver, um lado pior nisso tudo.  A soberba de alguns.
Fico chocado quando pessoas que supostamente dizem-se sábias, mantêm-se contrárias ao sabor da alegria de um povo que se vê alçando pela primeira vez uma viagem rumo ao longínquo, ao inóspito… rumo à conquista para nossos descendentes.  Claro.  Não há que se discutir muito.  O homem já saiu de um pequeno lugar para ocupar  todo o mundo.  E sairá, com certeza, desse (hoje, pequeno) mundo para espalhar sua descendência pelo universo.
O Cientista que disse “estamos comendo a sobremesa, antes da refeição ser servida”, pareceu-me (perdoem-me, aqui a indelicadeza) frustrado em seus projetos e nesse descontentamento não pouparia ninguem de seus ásperos comentários. Talvez ele desejasse que a verba de 10 milhões fosse para suas pesquisas.  E os outros pesquisadores que se danassem.  Ora, não bastou a vacina contra a varíola para salvar o mundo.  Lembrem do sanitarista Oswaldo Cruz, mas lembrem também de Carlos Chagas. Lembremos Tomas Edson e também Graham Bell.  Ou seja, Santos Dumont inventou o avião, mas o dirigível ainda hoje tem seu valor reconhecido.
Pesquisas são realizadas paralelamente.  Não se pode esperar que termine uma pesquisa sobre a soja para iniciar outra sobre o milho. 
O Coronel Marcos Pontes deixou sua expressão para o resto da humanidade conferir.  Não estava realizando um ato por bravura individual, mas pelo desejo de ser exemplo de dedicação para a juventude.
“Minha luta não é para chegar ao espaço. Minha luta é para chegar ao coração de cada jovem… e mostrar que tudo é possivel, se realmente desejar (Cel. Marcos Pontes).”
A ida ao espaço faz parte de sua carreira.  Um médico poderia dizer a mesma coisa em relação à medicina. 
Mas qual a mensagem que o sábio Cientista deixou para a juventude?
Talvez quizesse dizer que antes de plantar o milho, “espere-se a soja ser plantada, crescer, colhida, degustada, deglutida, digerida…”
Mais uma vez, peço que perdoem a irreverência.  Tenho dito inúmeras vezes que sapiência e erudição não são sinonímios. 
O nobre estudioso pode ser erudito… já, sábio…
Talvez, ele mesmo esteja em órbita…
Tenham todos um bom fim de semana.