QUINTELA – A HISTÓRIA REAL

Nota do Autor: Este artigo foi escrito ainda no blog anterior (space, da Microsoft). Na transferência para o wordpress foram perdidas as fotos, figuras e mapas. Quem tiver interesse, favor entrar em contato comigo que terei prazer em repassar. A edição, agora, para postar fotos fica difícil, pois exigiria uma reedição total. E estou providenciando novo artigo, com novos dados colhidos diretamente na Galícia. Obrigado. Artur Quintela

1. Como surgiu

O termo Quintela designa, ainda hoje, uma propriedade, diminutivo de Quinta. As Quintas eram, por sua vez, grandes propriedades de fidalgos europeus – galegos ou portugueses, depois associadas, também, à Espanha. Quintanilha, Quintão, Quintal e Quintela são variações que lembram as dimensões das propriedades.

A primeira Quintela que se tem conhecimento foi criada na Galícia – antes independente, porém hoje território pertencente à Espanha. Ali foi construída uma casa tio solar, majestosa em suas dimensões, cujos alicerces, em pedra, bem como as paredes, ainda persistem até hoje, embora já sem a beleza dos tempos áureos.

A casa de Quintela abrigava senhores, fidalgos e aristocratas, em seus deslocamentos pelo interior da Galícia, que se tornavam devedores dos bons tratos e favores de seu senhor. Os galegos da Casa de Quintela eram árduos defensores de suas propriedades, porém ao longo do tempo desceram a península ibérica, rumo ao sudoeste, instalando-se na região do Porto. Ali, já portavam consigo o nome de sua origem – Quintela. Aos poucos o nome foi incorporado e parte da família Quintela galega firmou-se definitivamente na região do Porto, onde seria instalado o reino de Portugal.

Na Genealogia SAPO, disponível na Internet, encontra-se a seguinte definição do termo:

Apelido de origem toponímica que pode ter sido retirado de várias localidades desta designação, destacando-se entre todas a que constitui uma freguesia do concelho de Sernancelhe, no distrito de Viseu, por ser anterior à fundação de Portugal e ter sido originariamente uma “cividade” romana, goda e arábica importante (GENEA SAPO, 2006).

2. Migração para o Brasil

Quando o Brasil foi descoberto, levas e mais levas de aventureiros embarcavam nas naus que se destinavam à Colônia Portuguesa. Mas, pelos registros encontrados, a migração dos Quintela para o Brasil ocorreu principalmente – embora ocorra até hoje – em decorrência do bloqueio continental imposto pela França de Napoleão Bonaparte. Quando Portugal encontrava-se sob a ameaça da invasão das forças napoleônicas a família real portuguesa migrou para a Colônia. Em 1807, protegida por uma esquadra inglesa (a Inglaterra era aliada de Portugal e inimiga da França) a frota com a Família Real deixou as terras lusitanas com destino ao Brasil. Muitos aristocratas embarcaram junto com a nobreza. Os relatos trazem a história de damas que, não tendo mais lugar para embarcar nos navios pulavam em desespero nas águas do Porto, morrendo afogadas, em decorrência das pesadas vestes que utilizavam naquele tempo.  Famílias em desespero viram a frota afastar-se levando os soberanos para o além-mar, deixando a terra lusitana sob a proteção de alguns políticos e aristocratas que se propunham a guarnecer a retirada do Príncipe Regente D. João, sua mãe, D. Maria e os demais membros da família real.

Na nau Afonso Albuquerque vieram a princesa regente, a princesa da Beira e as infantas D. Maria Isabel, D. Maria Assunção e D. Ana de Jesus Maria, acompanhadas pelos condes de Caparica e Cavaleiros.

A dedução da chegada dos primeiros Quintela ao Brasil, juntamente com a família real, prende-se, exatamente, ao fato existirem narrativas sobre dois irmãos que desembarcaram na Bahia, tendo um seguido para outros estados do Nordeste, enquanto o outro estabelecia-se em terras baianas. Na Internet, em narrativa do Professor João Lourenço da Silva Netto, encontra-se uma passagem relativa a chegada da frota com a família real portuguesa que diz o seguinte:

Um veleiro O VOADOR, chegou primeiro ao Brasil, entrando no Rio de Janeiro no dia 14 de janeiro de 1808 com uma viagem de quarenta e seis dias. Pouco depois fundearam aí outros navios com parte da família real, ao passo que o príncipe regente chegava à Bahia, desembarcando a 23 de janeiro de 1808. Esses navios fundearam na Bahia às 04 horas da tarde do dia 22 de janeiro, desembarcando a família real no dia 24 de janeiro às 05 horas da tarde. A viagem para o Rio de Janeiro só iria ocorrer 30 dias depois do desembarque (SILVA NETTO, 2002).

Como se verá no relato de Theodoro Sólon Quintela, inserido neste trabalho, existe dentro do Clã Quintela relato que trata exatamente da chegada dos pioneiros da família através do porto de Salvador, embora não exista precisão quanto à data do desembarque.

3. Quintela ilustres

Naquele tempo, já havia em Portugal um ilustre descendente da Casa de Quintela – Joaquim Pedro Quintela – que, sob a coroa de D. Maria, recebeu do Príncipe Regente D. João o título de Barão de Quintela, herdado por seu filho e sucessor homônimo, Segundo Barão de Quintela e Primeiro Visconde do Farrobo. O segundo descendente do Farrobo já era, então, Conde do Farrobo e sua fortuna foi pulverizada em festas. Hoje, a descendência do Barão de Quintela detém além do título de Conde do Farrobo, também o de Visconde da Charruada, atualmente detido pela Quarta Viscondessa da Charruada.

Voltando à partida da Família Real Portuguesa para o Brasil, a nau Afonso Albuquerque, que trouxe as princesas infantes, foi comandada por Inácio da Costa Quintela, Almirante e futuro Ministro da Marinha e da Guerra de Portugal, após o regresso de D. João VI às terras lusitanas.

Inácio da Costa Quintela, além de excelente militar estrategista era, também, escritor e deixou obras de mérito reconhecido até hoje em Portugal. Após deixar o Ministério, pressionado por forças políticas belicosas, Inácio dedicou-se exclusivamente à escrita.

No Brasil, a contribuição de Ary Quintella na matemática, com obras de reconhecimento internacional, levaram-no ao título de Grande Matemático de sua época. Até hoje, seus livros são objeto de pesquisa. As gerações que estudaram nos anos cinquenta e sessenta do século passado, porém, tinham em seus livros a principal fonte de sabedoria.

4. As quintelas portuguesas

Em decorrência, talvez, da migração dos senhores da Quintela Galega, várias outras quintelas foram criadas em Portugal. Segundo informações colhidas com um membro da família portuguesa[1], em visita a Porto Velho, existem hoje, em Portugal, cerca de vinte casas da família Quintela. Essas casas representam, na realidade, a família galega. Porém as quintelas portuguesas são propriedades vinculadas ao termo original Quinta. Neste sentido encontram-se na Internet várias referências, considerando as quintelas como povoados ou distritos de alguma cidade, lá tratados como concelhos.

5. Brasão da família Quintela

O primeiro brasão da família Quintela foi obtido em batalha. Ficou denominado como Pendão das Davas, relacionando-se com a Batalha das Davas, travada pelos monges do Mosteiro de San Quintin, por volta do século XI. Entretanto, só veio a pertencer de fato à família Quintela a partir da batalha de San Quintin, ocorrida em 27 de agosto de 1557. Ainda persistem algumas dúvidas quanto a sua forma original, sendo preservada a que aparece no Brasão de Armas.

Já a Casa de Quintela, na Galícia, instituiu seu próprio Brasão de Armas que, segundo a heráldica Galvão, representa os senhores daquela casa.  O Brasão ostenta o elmo voltado para a direita, o que representa não tratar-se de reis ou rainhas, mas sim a fidalguia aristocrática dos séculos X a XV na Europa.

Como se verifica na figura 6, a grafia Quintela aparece com dois Ls, peculiaridade que ainda persiste até os dias atuais em que filhos de uma mesma família são registrados em cartório com grafias diferentes. Essa, entretanto, não é uma particularidade exclusiva da família Quintela, que tem as grafias espanhola, galega e lusitana em suas interpretações. Rodrigues e Rodriguez têm um único tronco – Rodrigo – e suas variações são exatamente devido a influencia espanhola ou portuguesa sobre suas raízes.

Além desses, outros brasões foram criados por personalidades, ao longo da história do clã. Exemplo disso é o brasão do Barão de Quintela.

O barão de Quintela, em 12 de Outubro de 1806, tirou o seguinte brasão de armas: Em campo de púrpura, duas bandas de escaques de ouro de uma só ordem; elmo de aço aberto; e não tem timbre (GENALOGIA SAPO, 2005)

6. Quintela no Brasil

Existe uma grande colônia Quintela no estado de Alagoas, na região Nordeste brasileira. Lá devem ter desembarcado os primeiros portugueses desta família. Porém a história dos Quintela no Brasil já atinge, hoje, praticamente todos os estados. De Sul a Norte, de Leste a Oeste, encontram-se descendentes dos Quintela galegos.

No Rio de Janeiro vivem alguns descendentes do Primeiro Barão de Quintela – Joaquim Pedro de Quintela, que emigraram no início do século passado para o Brasil. Porém, lá também se concentram alguns descendentes dos Quintela alagoanos que já se espalharam por vários estados brasileiros. Assim, pode-se dizer que a população Quintela já alcançou com certeza mais três quartos do Brasil. Os Quintela da Bahia já deixaram descendência no Amazonas, Acre e outros estados do Nordeste, como Maranhão e Piauí.

Muitos dos descendentes não se conhecem entre si. Porém, até hoje é mantida uma tradição de visitas aos parentes mais próximos. O afastamento foi provocado pela desatenção de alguns membros. Eles não mantiveram o contato enquanto criavam seus próprios filhos.  Assim, em pouco mais de duas gerações as famílias separaram-se.

Descendentes de Olimpio Quintela Cavalcante, casado com Maria Cavalcanti de Albuquerque, que viveram no século XIX em Alagoas, espalharam-se e hoje vivem nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rondônia, Espírito Santo, dentre outros, além, é claro do estado de origem.

Em Alagoas existem cidades onde os Quintela simplesmente proliferaram. É o caso, por exemplo, da Capital – Maceió – e de outras cidades do interior como Boca da Mata e Anadia ou, ainda, Rio Largo.  Nesses locais a presença Quintela é muito significativa, com inúmeros cargos públicos sendo ocupados por membros da família.

No Rio de Janeiro ocorreu uma dispersão em pouco mais de uma geração.  A terceira geração dos recém chegados de Alagoas não se conhece mutuamente.  Apenas os primos de primeiro grau (ou, no máximo, de segundo) continuam convivendo entre si, visitando-se com freqüência.

Sobre os Quintela da Bahia, encontra-se o relato de Theodoro Sólon Quintela, mais conhecido como Quintelinha, que vive no Acre, mais precisamente em Rio Branco.

Quintelinha, como é chamado carinhosamente pelos parentes, tem uma verdadeira ganância em conhecer mais dados e expor a todos os membros o que já guarda consigo há tempos. Seu relato segue, conforme suas próprias palavras, para tentar destrinchar de uma vez a história baiana dos Quintela. Ai vai.

AS HISTÓRIAS QUE MEU PAI CONTAVA

Por Quintelinha

Meu nome é Theodoro Sólon Quintela. Meu pai chamava-se Boaventura Alvino Quintella. Nasceu em 14 de março de 1889 em um lugar chamado Vila do Conde, no estado da Bahia. Segundo ele mesmo contava, era beira-mar e próximo da capital, Salvador. Tanto que ele conhecia muito bem a capital. Falava do Cais, Varal da Barra, Elevador Lacerda, Cidade Baixa e Alta, etc.

Sobre a sua ascendência, falava do seu avô materno, que segundo ele chamava-se José Rodrigues de Quintela, que era português. Ele não falou, pelo menos que eu me recorde, de qual lugar de Portugal ele era.

O avô haveria falado para ele que tinham vindo para o Brasil dois irmãos: ele e um outro, que meu pai não sabia o nome, mas que teria ido para um outro estado do Nordeste brasileiro.

A mãe de meu pai, Clara Quintella dos Reis, casou-se com o pai de meu pai que se chamava Antonio Alvino dos Reis e era oriundo do interior do estado da Bahia, possivelmente Alagoinhas.

O avô de meu pai, José Rodrigues de Quintela, pelo que meu pai contava, tinha três filhos de nomes Eron, e Antonino e minha avó Clara. Eu não sei o nome completo dos tios de meu pai. Um deles, que eu não sei qual, tinha um filho que se chamava Flávio e que trabalhou em uma firma inglesa. Começara a trabalhar nesta firma como caixeiro interessado e depois se tornou sócio-gerente. As últimas notícias que meu pai teve dele era que a firma que ele trabalhava encerrou suas atividades no Brasil e ele teria se estabelecido por conta própria, abrindo um estabelecimento do ramo de confeitaria e, posteriormente, uma filial no Rio de Janeiro.

Meu pai tivera além dele, mais cinco irmãos. Beda, a irmã mais velha, que quando se casou foi o primeiro casamento civil do lugar deles, Leonardo, José e Isabel.

Meu pai, ainda muito jovem, foi trabalhar no Sul da Bahia, em Ilhéus e Itabuna, na lavoura do cacau. Isto em companhia de mais dois irmãos: Leonardo e Elizeu. Trabalharam na fazenda do Coronel Mizael. Isto, mais ou menos, pelos anos de 1907 a 1910. O irmão, mais Leonardo, já estava montando uma fazenda de cacau. Já estava bem começada.

Ainda em 1910, não sei em qual mês, meu pai recebeu uma carta do pai dele. Na carta dizia que o Alexandrino havia chegado do Amazonas e havia ganho muito dinheiro na borracha. Estava convidando eles para vir cortar seringa na Amazônia, na região do Acre.

Aqui vale a pena contar um pouco da história do alexandrino que era primo do meu pai. Saíra de casa para entrar na Marinha de Guerra, o que fizera, e assim passou um tempo longe sem que os parentes soubessem notícia dele. Ocorreu que o navio que ele viajava chegou a Belém do Pará. E coincidiu de ser um tempo que se ele quisesse podia “dar baixa” da Marinha.

Como em Belém não se falava de outra cousa senão o dinheiro que se ganhava cortando as seringueiras por toda a região amazônica, ele se empolgou e deixou a Marinha e, em seguida, arranjou um patrão e viajou de Belém em um gaiola (navio) rumo ao Acre.

Chegando ao Acre fora cortar seringa na região do Xapuri. Quando veio a revolução acreana fora convidado a participar o que aceitou e participou efetivamente por um certo período. Quando houve uma pausa na revolução eles voltaram a trabalhar na seringa. Como passaram um bom tempo esperando a nova convocação e não acontecia, eles, os companheiros deste seringal, resolveram sair do território em litígio, indo cortar seringa no Seringal Novo Andirá, que já estava em terras do estado do Amazonas, portanto em terras, de fato e de direito, brasileiras.

No Seringal Novo Andirá cortou seringa por um bom tempo, quando resolveu voltar à Bahia e à terra dele.

Queria vender a borracha para o patrão, que era o saldo que ele havia conseguido em um bom tempo de trabalho. Dava por três contos de réis, mas o patrão não quis e disse: “Você vai descer, desça em cima dela” – expressão usada quando o seringueiro embarcava a borracha que lhe pertencia por conta própria.

Quando ele chegou em Belém a borracha tivera uma alta de preço bastante acentuada e ele fez dez contos de réis.

Chegou na Bahia e na Vila do Conde considerado rico. Comprou uma das melhores casas da cidade para sua mãe e, enfim, procurou a parentada toda e resolveu voltar ao Acre. Aí fez o convite ao meu pai e mais outros amigos do lugar e assim trouxe para o Acre cerca de oito jovens, na idade de 20 para 21 anos. Ente estes estava meu pai – Boaventura – e seu irmão Elizeu.

A viagem ocorreu normal para a época, mas demorada. Passaram mais de três meses para chegar em Belém. Tiveram que passar bastante tempo pois não tinham como prosseguir. Tinham que esperar as cheias dos rios Acre e Purus, por onde haviam de navegar para chegar ao destino. Em Belém ainda trabalharam um pouco num departamento de Igarapé Açu.

Finalmente conseguiram embarcar e prosseguir viagem. Passaram por muitas cidades nas margens do Amazonas e Purus, chegando à boca do Acre, onde embarcaram numa embarcação menor e finalmente desembarcaram no porto do Seringal Benfica, nas margens do rio Acre, distante da cidade de Rio Branco umas quatro horas de barco.

O Seringal Benfica era de propriedade do Coronel João de Oliveira Rola, que era proprietário de muitos seringais na região do Acre e Riozinho do Rola, como é conhecido até hoje.

Neste ponto, começa a vida dele e de seu irmão (Elizeu) no Acre.

Logo no dia seguinte o mateiro – figura que naquele tempo era a pessoa que corria a colocação de seringa para fazer a nota de mercadorias do seringueiro, para que posteriormente o patrão mandasse pelo comboio (tropa de burros) – o convidou para dar uma volta com ele na colocação da Linha do Triunfo.

Ele perguntara: Isso é longe? – e o mateiro esticou o pescoço e respondeu: É bem ali. Ele aceitou e saíram. Depois de mais de duas horas chegaram na primeira colocação. Isto de pé. Passaram dois dias e meio percorrendo estas colocações e só então voltaram ao barracão da sede do seringal.

Nestes momentos ele começara a conhecer como era a vida da gente que habitava esta região.

Trabalhou na seringa cortando e colhendo, defumando, tirando cavaco… A vida de seringueiro era muito dura. Trabalhou muitos anos como seringueiro, junto com meu tio Elizeu. Mas, o que eles mais sentiam era a solidão. Não muito tempo depois meu tio Elizeu casou-se e foi morar em outra colocação e meu pai ficou só na colocação onde eles começaram a trabalhar.

Algum tempo depois meu pai foi convidado para trabalhar no armazém do barracão.  Ele tinha o quarto ano primário e era considerado uma pessoa de boa instrução. Tanto era que fazia a escrituração comercial do barracão como se fosse o guarda livros, nome dado às pessoas que faziam os trabalhos do contador de hoje.

Alguns anos depois, ele arrendou o seringal Niterói que era de propriedade de uma filha do Coronel Rola. Movimentou este seringal por vários anos.

Em 1922 casou com minha mãe, Maria Julia Sólon. Em 1924 nasceu o primeiro filho. Meu pai pôs o nome de Flavio, em homenagem ao primo que ficara em Salvador. Depois tiveram Eron e Maria Edalina, Moema, Theodoro e Theodomiro e Maria Áurea.

Eron faleceu com poucos meses. Maria Edalina, aos dez anos e Moema aos 29 anos de vida.

Flávio faleceu aos 65 anos, deixando muitos filhos. Theodomiro, que fora gêmeo comigo, faleceu com pouco mais de um mês de vida.  Ainda estamos vivos, eu, que já tenho 66 anos (N.A.: À época em que escreveu) e minha irmã Maria Áurea, que já tem 65 anos.

Esse relato, de certa forma até comovente, demonstra que os Quintela estão presentes na Amazônia desde o início do século passado, dando uma grande contribuição no corte da seringa e em outras atividades ligadas ao desenvolvimento da região.

O irmão de Boaventura, Elizeu, deixou uma família grande e muito unida. Sua descendência já alcança, hoje, a quinta geração. De seus filhos e filhas, alguns já faleceram. Os netos, bisnetos e tataranetos continuam vivendo, a priori, nas terras da Amazônia. A maioria, no Acre. Alguns tetranetos já começam a surgir nas terras dos amazônidas. Em Manaus, por exemplo, João Quintela Camurça, neto de Elizeu, já tem seus próprios netos. Em Rondônia, Antonia Quintela Camurça do Nascimento, irmã de João, também já tem os seus. E assim por diante, muitos tetranetos já começam a povoar vários estados. Muitos deles, sequer, têm o nome Quintela inserido nos próprios. Caso repetido em que a identidade galega vai aos poucos desaparecendo.

7. As ligações com outras famílias

Ainda em Portugal, a família Quintela ligara-se fortemente aos Cavalcanti, aos Albuquerque e aos Costa. Essa ligação manteve-se por séculos, como se uma dinastia fosse. Tanto é que, como citado alhures, Olimpio Quintela Cavalcante casou-se com Maria Cavalcanti de Albuquerque. Dessa união surgiram vários filhos e filhas, tendo um deles, Antonio Quintela Cavalcanti, migrado na primeira metade do século XX para o Rio de Janeiro. Desse ramo vem Tenório Cavalcanti, o homem da capa preta, personagem ilustre da política carioca, interpretado por José Wilker no cinema. Delegado no município de Caxias e depois Deputado Federal pelo estado carioca, Tenório deixou uma história cheia de controvérsias, haja vista a intolerância como tratava os criminosos da baixada fluminense e levada à Câmara Federal quando tratava com seus oponentes.

A família Albuquerque, muito numerosa também no Brasil, continua, como a Cavalcanti, muito ligada à Quintela. Também a Costa, embora outros ramos provindos de Portugal posteriormente não mantenham a tradição.

Entretanto, como surgiu, parece que família Quintela caminha para o futuro. Ou seja, desvinculando-se do termo toponímio. Se os senhores da Casa de Quintela, na Galícia, não ostentavam esse apelido em seus registros, também muitos descendentes dos galegos não o ostentam, em função tão somente dos registros cartorários.

8. Quintela na Internet

Vários membros da Família Quintela reúnem-se em comunidades na Internet, tendo o site ORKUT, pertencente ao provedor Google, como portal de maior concentração.  Várias comunidades existem no espaço virtual, aproximando parentes de todas as partes do mundo. Em uma dessas comunidades é possível encontrar os brasões da família e as fotos do Primeiro Barão de Quintela, bem como de seu Palácio. Essa comunidade reúne mais de quinhentos membros e as postagens mais freqüentes no fórum são acerca da origem única da família, na Galícia.

Como elos de relacionamento voltados para a família, a comunidades expandem-se a cada dia, agregando novos membros de diversas partes do continente e do mundo.  Isso permite o reencontro de parentes que o tempo distanciou e o conhecimento de membros que nunca puderam se encontrar.

As histórias de parentes perdidos por migrações contínuas da família são muitas.  E, quando o reencontro torna-se possível, as alegrias são grandes, também.

ADITIVO TEXTUAL.
Nosso primo Adroaldo Quintela está hoje – 22.setembro.2015 -na Galícia, buscando nossas origens. O texto a seguir foi escrito por ele e está disponibilizado em sua página no Facebook. Com sua autorização estou publicando aqui, sem edição, como está originalmente. Aproveite, família.

FAMÍLIA QUINTELA: O que somos? Portugueses? Galegos? Celtas?

Em busca da nossa identidade chego de trem à Galicia, proveniente de Porto em Portugal. O destino inicial é Vigo. Lá tomarei um taxi para apanhar o carro alugado e rumar para Melgaço no Norte de Portugal. Muitas notas para o livro sobre “A Origem e Migração da Familia Quintela”. Dou continuidade à pesquisas do lado brasileiro feita por parentes, como o primo Artur Quintela. Converso com o motorista de taxi. Pergunto-lhe se conhece Quintela de Lagueiro em Ourense, perto da divisa com Portugal. Não só conhece. Tiago, ao saber que sou Quintela, indicou-me mais dois municípios próximos, onde a familia Quintela viveu antes de atravessar a fronteira e ir a Portugal. Alguns Quintela se transformam em prósperos produtores rurais. Muitos conservadores para meu padrão ideológico! O velho coração disparou de alegria!. O povo Quintela é Galego. Será que é Celta?
Tenho de refazer o roteiro de 10 dias de viagem para conhecer mais duas localidades e atrasar a visita marcada para a Bodega José Pariente. Aqui quem manda é o interesse da pesquisa. Trecho de viagem rigorosamente individual. Uma companhia neste território seria motivo de estranhamentos sérios. Eu e minhas máquinas para registros de pessoas, monumentos e paisagem, além das anotações. É tudo o que preciso ate 28/9.
Ha exatamente 3 anos pensei em fazer essa viagem de estudos e mergulho na terra dos antepassados. Culminará em Dublin – Irlanda em futuro próximo, ou seja: até o verão de 2017. Se os Quintelas forem Celtas encontrarei registros na Biblioteca de Dublin, segundo o historiador português Antônio João Pereira da Silva, que me encorajou a realizar esse projeto pessoal. Assim, tenho motivação suficiente para estar saudável e vivo nos próximos anos de andanças na velha Europa: entender a origem e o percurso de uma família que está presente no Brasil, Argentina, Cuba, Guatemala e México. Em 2013 o mexicanoCarlos Alberto Quintela Silva perguntou-me se éramos parentes. O avô de Carlos era ruivo. Respondi que, provavelmente, somos parentes. Então, Carlos Alberto Quintela passou a me tratar como primo no Facebook. Vários Quintelas mexicanos como Lupita Quintela são amigos no Facebook.
Na quinta-feira, 17/9/2015, Pilar, camareira do hotel, disse-me: não imaginava que existiam “rubios” no Brasil…
Victor Frankel um psicologo judeu, sobrevivente de Auschewits chegou à seguinte conclusão em suas pesquisas de doutorado com base na dolorosa experiência de sobreviver em Campo de Concentração Alemão na famigerada era Hitler: só sobreviveram as pessoas que tinham objetivos na vida. Escrever e publicar o livro da família Quintela é e será uma expectativa de sobrevivência e ampliação da esperança de vida!

Foto de Adroaldo Quintela Santos.
Foto de Adroaldo Quintela Santos.
Foto de Adroaldo Quintela Santos.
 II ADITIVO TEXTUAL
Continuando com as narrativas do primo Adroaldo, publico as anotações dele, enviadas nesta data. É a realização de um sonho nosso. Não pude ir, mas o primo mostra cada passagem sua, na busca pela nossa história.
Aquelas perguntas: “Quem somos?”, “De onde viemos?”, vão aos poucos sendo respondidas nessa viagem pelo tempo.
Obrigado primo.
Segue a narrativa

A Vila de Quintela. Melhor presente que já me doei nesta encarnação.

Praticamente não existem Quintelas aqui nessa vila ligada ao Conselho de Quintela de Leirado
A Família Quintela lutou pela expulsão dis mouros no Minho onde eram proprietários de terras (foi mesmo? Os mouros chegaram aqui?????).
Com a unificação do Reino do Portugal por Dom Afonso Henrique em Vitória dos Guimarães no ano de 1139 DC, a Família aderiu à cidadania portuguesa. Foi beneficiada com terras e titulos de nobreza. Vendeu as terras aqui em Ourense (ou foram expropriadas pela Espanha? A verificar.) e migrou para o Norte de Portugal. Os Quintela de Portugal apoiaram todas as três dinastias portuguesas. Ficaram ao lado da Monarquia contra a República. Perderam!

Quintelas que eram arrendatários ou trabalhadores rurais se espalharam pela Galicia. Definitivamente, a Familia Quintela do Brasil é originaria desse ramo de Galegos de Ourense (são muitas as denominações Quintela) que habitou aqui. Agora o trabalho histórico é intenso. O paroco local Manuel Suarez disse-me que é possível que Quintela seja Celta, pois a Galicia é e foi sempre Celta, especialmente nos dois Minhos.

De Quintela fui em direção a Melgaço onde almocei. Distância de aproximadamente 33 km em estradas estreitas e muitas curvas atravessando os Parques do Xures -Espanha e Gerês – Portugal. Conheci uma porção dos Parques. Olé, Olá. Adro de Xango botando pra quebrar! Falei hoje com umas 49 pessoas.

Depois viajei ate Monterrey, hospedando-me no Parador do Castelo para repor as energias. Dirigi mais de 400 km; muitos em estradas vicinais seguindo as curvas de nível em serras e vales. Feliz, porém muito cansado de viajar conduzindo Grafite sob as ordens de dona Rotunda. Quase cochilo na Auto Estrada A52- Rias Baixas! Perigo quando se viaja only.

Material para o primeiro livro. Aqui lembrei dos irmãos, filhos, sobrinhos, neto, pais, tios e tias, primos e avos. Tios avôs: Zeca, Caculo, Quili, Nenê, Pege e Nina. Também, das estorias que meu avô Maninho contava do meu bisavô Heron Quintela, cavalgando sempre com dois cavalos entre as fazendas. A cada légua percorrida montava no outro cavalo para um deles descansar.

Contudo, selei um novo compromisso de viagem: retornar a Porto Velho para conhecer e ouvir o primo Artur Quintela e ouvir a respeito das suas pesquisas e do blog da genealogia da Família Quintela.
O livro I começa aqui e termina no Brasil. Ficção pura com base em história real (passarei uns 45 a 60 dias nessas bandas. Do Porto – PT a Ourense – ÉS estudando documentos e publicações em bibliotecas e arquivos públicos, assim como conversando com locais e pesquisadores como Maria Silva de Oliveira do Porto.
Mas, as personagens serão tão reais como o Mago Merlin nas Brumas do Avalon.
O livro II fica para a comprovação ou negação da hipótese: Quintela descende de tribo Celta que viveu na Galicia?
Pessoas próximas estão preupadas com a hipótese Celta da Familia Quintela. Ora bolas! Mesmo que seja uma ideia sem pé nem cabeça haverá um ganho extraordinário. Aprenderei sobre um povo e uma cultura milenar na qual mukheres tinham direitos iguais aos homens; aparfeicoarei me inglês para pesquisar em Dublin e outris cantos da Irlanda;conhecerei várias pessoas e lugares. E mais: é um livro de ficção. Na ficção cabe a imaginação, criatividade e licença poética dos atores.
Nunca fui raso, nem acomodado para aceitar a realidade como parece que ela é. Não se deve confundir paisagem com realidade…

"Vila de Quintela. Aqui tudo começou."
"Dona Rosa minha amiga de Quintela de Leirado  Deu-me informações precisas de como obter os dados da Família Quintela para meu livro de ficção."
"Quintela."
"Lateral da Pariquia de Quintela do Leirado"
"Capela de Quintela do Leirado"
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[1] Antonio Fernando Ferreira Quintela esteve em Porto Velho, Rondônia, em 2004/5, trazendo consigo o Pendão das Davas – Brasão da Família Quintela conquistado na Batalha de Davas, presenteando, com este, a Artur Quintela Gomes, pesquisador da família. Antonio faleceu em fins de 2006, em Natal, Rio Grande do Norte, tendo o corpo sido transladado para sepultamento em Portugal.