LEI SECA NA DIREÇÃO – OUTRA LEI PARA OS TRÊS “P”

 

Quando escrevo sobre as leis “cretinas” de nosso país, estou me referindo, na realidade, à maneira como são elaboradas.

Não que as leis não sejam necessárias para se manter a ordem. Mas a maneira como são elaboradas demonstra que nossos legisladores brincam com a população.

Ora… a representatividade do legislador é ínfima se comparada com o universo nacional.

Somamos, hoje, cerca de duzentos milhões de brasileiros. Quando um candidato é eleito com mais de um milhão de votos já é um escândalo nacional.

Enéas foi eleito com seus milhões de votos e entrou para a história.

O que falo da representatividade é que um legislador que representa um ou dois milhões não deveria poder legislar para os duzentos milhões que somos.

É o caso da lei seca, que ao que parece, segue o código de trânsito, pelo menos em ideologia.

Ao que parece, essa lei espelhou-se em São Paulo, a megalópole brasileira que mata diariamente no trânsito, pelo menos um motociclista.

Primeiro, forçaram todos os municípios brasileiros, com suas diferentes culturas e tradições, a seguir uma lei que deve ser aplicada – a meu ver – às cidades, que como nossa SAMPA, matam diariamente.

O capacete – obrigatório, quando deveria ser cultural – passou a servir de esconderijo para criminosos.

Agora a Lei Seca. Ora, se é SECA não deve abrir exceções. Portanto, um pai que vai à festa de formatura de sua filha, por exemplo, não pode ingerir uma taça de champanhe.

Depois, inventaram um limite para o álcool contido no sangue ser considerado crime.

Eu duvido que essa lei tivesse passado pela sanção presidencial se nosso presidente não estivesse garantido com motorista para si e sua digníssima esposa até o último de seus dias.

Todos sabem que Lula – segundo suas próprias declarações – é apreciador de uma boa dose de nossa Cachaça.

Já imaginou a privação do querido companheiro Lula se não tivesse sancionado, primeiro, a lei que criava o “ministério” particular para após seu mandato? Se não tivesse dois motoristas garantidos até o fim de seus dias…

Ohhh… que privação de sua pinguinha companheira e amiga de todos os dias.

Mas o pobre, o preto e a prostituta, que não podem ter essa mordomia nem por um dia, vão ser obrigados a cumprir a lei, sim…

Pelo bem da coletividade, vamos seguir uma lei criada para coibir meia dúzia de desordeiros – que continuarão a ser desordeiros.

Puna-se a nação inteira, milhões de brasileiros, porque existem milhares de desordeiros.

Puna-se a geração do porvir com uma lei, para cuja elaboração sequer elegeu seus mandatários.

Puna-se a família de bem, como se não fosse maioria absoluta no consenso nacional.

Puna-se, exatamente porque nossos mandatários não dão conta de suas tarefas – constitucionalmente obrigatórias – de proteger e legislar em nome da coletividade.

Hoje em dia não se confia mais na polícia. Não se tem mais respeito pela polícia. Tem-se, sim, e muito, MEDO.

O guarda de trânsito é treinado, ao que parece, para ter raiva do cidadão. Ele não conversa a não ser com seus pares. Ele não quer saber se o motorista é uma pessoa de bem, pai de família, avô ou doutor…

Ele quer saber que está a serviço da máquina das multas.

E isso faz com uma satisfação que beira o sadismo.

Duvido! Sim, duvido! Duvido que um policial tenha coragem de sair pelas ruas apenas com sua carteira de identidade civil, sem armas ou qualquer outro meio que possa lhe servir de segurança.

Duvido que um legislador tenha coragem de sair sem sua identidade legislativa e enfrentar uma blitz em uma rodovia deserta.

Há poucos dias li a história de um Juiz Federal que, em época de carnaval no Rio de Janeiro, usava um chapéu “estranho” e foi abordado por policiais, nas cercanias da Lapa. Mesmo alegando que era uma autoridade foi alvo de gozação dos policiais, tendo um, inclusive, dito que se ele fosse um juiz federal, ele não era mais um policial.

Ao final, já na delegacia, após ter acionado seus comandados e pares, o juiz foi identificado e, passado o grande susto em que temeu, inclusive pela própria vida, resolveu revidar com uma ação contra os policiais.

Ele mesmo se questionou sobre o que aconteceria se fosse um cidadão comum. Provavelmente teria pagado com a vida ou pelo menos com várias escoriações e hematomas pelo corpo todo, de uma maneira “sutil” que logo estaria disfarçada pela “resistência à prisão e tentativa de fuga”.

Por isso, voltando à lei seca, acredito que, a exemplo de outras, essa lei só foi feita para o mais fraco. Não interessa se o motorista tiver bons antecedentes ou se tomou apenas um cálice de vinho. Interessa, mesmo, é seu posto, cargo, ou função dentro do poder público.

Aí se safará, a exemplo do promotor, que saiu de fininho pela porta dos fundos da delegacia após ser identificado, deixando lá dentro um advogado que não possuía os mesmos méritos de seu cargo pomposo.

Tenho dito!

 

 

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