GRUPO RETORNO

                                                                       Por
Artur Quintela

 

            O
Grupo Retorno é um conjunto musical
formado por ex-integrantes de bandas que tocaram na década de 1960.

            Surgiu
num encontro, na casa de um de seus integrantes, CARLOS Adriano, no dia 27 de outubro de 1990. O que seria apenas um
momento para “matar a saudade” acabou
se transformando em uma festa inesquecível, pois marcou o “RETORNO” de todos à música em comum.

            Alguns
integrantes do GRUPO RETORNO não se
viam havia mais de vinte anos, somente dois deles tendo permanecido em
atividade no reino musical – ORLANDO Surita e Adilson GARCIA. Em
outubro, sem ensaios preliminares o GRUPO
já se mostrou coeso, integrado, demonstrando na harmonia das músicas executadas
que o tempo não apagara o talento de outrora.

            Francisco VALME, baterista reconhecido
inclusive no exterior, logo após ingressar no GRUPO RETORNO recebeu e recusou convites pra trabalhos musicais na
nação fronteiriça Bolívia – recusa perfeitamente compreensível, se
considerar-se a alegria de todos os membros ao se juntarem novamente para
tocar.

            Orlando, vocalista que também é
conhecido nas noites da capital como Surita – seu segundo nome – estava na
época do reencontro filiado a um conjunto (Uru-Eu-Wau-Wau), entretanto acabou
desligando-se para manter-se exclusivo ao RETORNO.

            LÁZARO Pereira, tecladista que iniciou
na guitarra mas passou para o “Diatron” (órgão muito comum à época dos grupos
jovens dos “anos 60”), mostrou que podia assimilar sim, com destreza, os
sintetizadores que lhe chegavam às mãos, extraindo sons inimagináveis naqueles
idos da “Jovem Guarda”.

            CLEUDES Martins, baixista talentoso e
ao mesmo tempo moderado, tem o dom de manter-se firme à marcação, sem a
interferência, comum nos jovens de hoje, nos solos das músicas. Essa
particularidade fê-lo consagrar-se como um dos melhores baixistas da capital
portovelhense, em seu estilo.

            CARLOS Adriano, um remanescente da
época em que conjuntos disputavam as “paradas” entre cidades da região,
consagrou-se como guitarra base e vocalista.

            HOMERO Martins, dono de uma voz
aveludada, já era muito conhecido em Porto Velho, haja vista sua participação
em conjuntos de sucesso, como o extinto “Fla-Som”, que embalava os finais de
semana na capital.

            Adilson GARCIA, solista de presença
obrigatória em qualquer reunião de amigos, é demais conhecido nas noites de
Porto velho. Músico desde menino, como todos, aliás, conhece todas as cordas
(inclusive as dos pianos). Extremamente aplicado, deixa-se levar por sua calma
e leveza que surpreende os demais companheiros.

            Artur QUINTELA, instrumentista e
vocalista do GRUPO, inicialmente ingressou como empresário – função que lhe foi
atribuída pelos demais, mas que nunca foi a principal, como ele mesmo frisa,
pois o amor pela música nunca permitiu-lhe ficar longe dos palcos.

            Da
reunião de outubro participaram outros músicos, de talento inquestionável, e
ficou, ao final, “um gostinho de quero mais”. Todos queriam novo encontro com
mais músicas. A saudade dos tempos de juventude persistia, embalando sonhos,
reacendendo paixões.

            Marcou-se
uma reunião, para o dia seguinte, logo, quando ficou decidido que seria
realizado um novo encontro, desta vez em um clube e com mesas vendidas a preço
módico, apenas para garantir a cobertura das despesas com transportes,
licenças, etc.

            Colocadas
as “mãos à obra”, vários encontros ocorreram, com as esposas ajudando no que
podiam. Mas faltava um detalhe muito importante, lembrado logo nas primeiras
reuniões: o nome para o novo grupo.

            Colocadas
as idéias à mesa, ficou decidido que o nome seria RETORNO, numa referência ao retorno
de todos à música. Esse nome, embora tenha soado estranho nos primeiros dias,
foi se tornando familiar e ao longo dos anos conquistou toda a cidade.

            Hoje,
quando se fala em GRUPO RETORNO na capital rondoniense, o
reconhecimento pelo público já é notado significativamente.

            Por
que isso? Ora, Harmonia de vozes e instrumentos e uma garra tremenda pela
música fazem do RETORNO um conjunto
musical que sempre brilhou em todas as ocasiões, em todos os locais por onde
passou.

            Não
raras vezes, ao terminar o baile, o salão ainda se encontrava repleto de
dançarinos, que insistiam para que o conjunto continuasse a tocar.

            Isso
conduz à conclusão que o trabalho do RETORNO
nunca foi nem é essencialmente técnico, embora isso seja essencial. Mas tem uma
parcela significativa de amor que cada um dos seus componentes faz, preocupados
com os demais , mais do que consigo próprio, e predispostos a dar o melhor de
si par o resultado mais abrangente possível.

            No
início, todos já tinham ultrapassado a marca dos quarenta anos, consolidando
suas vidas em torno do trabalho e família. E durante cinco anos se dedicaram á
música como atividade paralela, em razão única e exclusiva do amor pela arte.

           
O RETORNO parou em junho de 2005.

            Hoje,
dezenove anos após o surgimento, o grupo se prepara para RETORNAR!

            Dos
integrantes que começaram, apenas Cleudes Martins se ausentou, mesmo assim por
problemas físicos, já que a amizade continua firme e forte. Para o contrabaixo
foi convidado JORGE Garcia, irmão do
pioneiro Adilson Garcia, que também tem excelente domínio sobre os instrumentos
de corda. E passou a integrar o Grupo, como guitarra base e solo, José Roberto, conhecidíssimo na cidade
como BEL, músico de excelente nível,
que, por sinal, é cunhado do Quintela.

            Imbuídos
do mesmo sentimento de amizade que os uniu no início, os integrantes do GRUPO RETORNO irmanam-se ao companheiro
e amigo Artur Quintela, solidários na luta que ele desenvolve pela saúde de sua
filha Aline.

            Com
o propósito de angariar fundos para comprar um concentrador de oxigênio para
Aline[1]
– que sofre de fibrose pulmonar crônica, o Grupo irá promover e animar um
baile, denominado PRÓ-VIDA.

            O
evento deverá acontecer no dia 14 de novembro e deverá ser uma recuperação do
repertório antigo, com inserção de outras músicas, mas sempre voltadas para o
que foi o núcleo do RETORNO: a saudade.

            Isso
porque na música, a demonstração feita naquele 27 de outubro deixou marcada a
imagem de RETORNO, já que só tocaram
músicas de saudade.

            O
repertório que se tornou a marca principal deste Grupo é composto de músicas
que fizeram sucesso efetivo em tempos idos, ou seja, no período conhecido como
“anos Dourados” ou da “Revolução Musical” – anos 50, 60 e início de 70.

            Cartola
encontra-se inebriado com o perfume d“As rosas (que) não falam” e Paulo Diniz
vê novamente caindo os “Pingos de amor” enquanto pede “Um chopp pra distrair”.
Roberto Carlos e sua “Jovem Guarda” não poderiam ficar de fora, bem como o
“Amigo” “Tremendão” Erasmo e a “Ternura” 
Wanderléa. Também é presença confirmada em todos os eventos os
nacionalíssimos conjuntos Renato e seus blue caps, Fevers, Incríveis e as duplas mais versáteis como Leno
e Lilian, Vips, Deno e Dino…

            Ciro
Aguiar, Wanderley Cardoso, Ronnie Von e outras tantas personalidades de nossa
jovem Guarda não poderiam ficar de fora.

            Os
momentos de Retorno vão além, com as internacionais Perfídia, La Barca,
Angústia e tantas outras pérolas mais, ao lado de inesquecíveis sucessos de
Miltinho.

            No
lado dos sucessos internacionais são lembrados nomes de valor inestimável para
a música, como The
Beatles, Rolling
Stones, Paul Simon, Elvis Presley e outros dos “Anos Dourados”, aliados ao bom
gosto de sempre de Benvenido Granda ou Trini Lopez.

            Ahh…
Poder-se-ia dizer que então o GRUPO RETORNO
não toca músicas atuais, já que seu mérito estaria voltado para a saudade.

            Não
é bem assim, desde que seja uma peça que envolva paixões e surja poética e musicalmente
bem estruturada. Mesmo porque, dentre o público presente os jovens são parcela
significativa.

            Hoje
o GRUPO RETORNO se prepara e vai RETORNAR.

           

            Contudo,
o tema que prepondera ainda é o mesmo:

 

“Onde a saudade existir, O Retorno deve
surgir”

 

 

           


[1]
N.R.: Aline, filha do músico Quintela, teve câncer de tireóide em 2002, tendo
submetido-se a tratamento com iodo-radioterapia. Como seqüela do tratamento,
surgiu a fibrose pulmonar, irreversível, que a coloca vinte e quatro horas por
dia na dependência de Oxigênio. A pretensão do Grupo Retorno é conseguir fundos
para comprar um concentrador de O2 o que lhe proporcionará melhoria
na qualidade de vida, permitindo, inclusive que saia do quarto onde se mantém
presa a um balão de Oxigênio.

Anúncios