Cá, estando eu, a buscar tratos para as favas, na Internet, entra, pois, no escritório, digno cidadão que vislumbra o Brasão de Família que, orgulhosamente ostento na parede iluminada.

Conversa vai, conversa vem, recordei a origem galega e enveredamos pelos caminhos da língua.

Eis, então, que o digno interlocutor lembra da primeira obra escrita na língua que chamaríamos de futuro “portuguesa”. Nosso português de origem, então, em nada se compara aos textos que hoje escrevemos.

Fui, intencionalmente, claro, à nova busca pelos sítios da informação webianos. Descobri um tesouro. Não poderia deixar de compartilhar.

Aí vai, para que os amantes da pesquisa possam desfrutar um pouco (e traduzir, se puderem).

O endereço eletrônico do site está preservado, com o devido crédito.

 

http://deversoempopa.blogspot.com/2004/07/cantigas-de-amor-d-dinis.html

 

Cantigas de Amor – D. Dinis

Quer’eu em maneira de proençal
fazer agora un cantar d’amor,
e querrei muit’i loar mia senhor
a que prez nen fremusura non fal,
nen bondade; e mais vos direi en:
tanto a fez Deus comprida de ben
que mais que todas las do mundo val.

Ca mia senhor quiso Deus fazer tal,
quando a faz, que a fez sabedor
de todo ben e de mui gran valor,
e con todo est’é mui comunal
ali u deve; er deu-lhi bon sen,
e des i non lhi fez pouco de ben,
quando non quis que lh’outra foss’igual.

Ca en mia senhor nunca Deus pôs mal,
mais pôs i prez e beldad’e loor
e falar mui ben, e riir melhor
que outra molher; des i é leal
muit’, e por esto non sei oj’eu quen
possa compridamente no seu ben
falar, ca non á, tra-lo seu ben, al.

El-Rei D. Dinis, CV 123, CBN 485

Colocado por NP66 em 7/03/2004

 

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