Peço licença, outra vez, para (re)publicar postagem de meu amigo Beto Ramos.

Indignado com o que tentaram fazer na sexta-feira – e, diretamente, com nosso Poeta Ernesto Melo – Beto publicou em seu Blog o que reproduzimos a seguir.

Esclareço, contudo, que a noite da Sexta Feira do Mercado Cultural estava “apagada” literalmente, quando Ernesto Melo pediu ao “Seu” Zizi que permanecesse com as portas abertas até às 22,00 horas e que, assim sendo, colocaria som ao vivo naquele local.

O que se viu foi como um relâmpago. O Centro Histórico de Porto Velho se iluminou e as noites das sexta-feiras encheram-se de alegria ao som do melhor samba. O grupo “A Fina flor do Samba” cirado pelo Poeta da Cidade tornou-se referência e cresceu.  dos mirrados “gatos pingados” de início a troupe conta hoje com mais de uma dezena de músicos abalizados – muitos, além de instrumentistas, também compositores.

Sempre respeitei e cobrei respeito por aquele Projeto. Nasceu com o Samba e com o samba deve continuar. Não dá pra misturar com rock, xaxado ou coisa assim.

E também não dá pra abrir um espaço que foi conquistado a duras penas a quem quer apenas fazer seu nome e pouco faz pela cultura de nossa cidade.

Por isso apoei, apoio, e sempre apoiarei o que deiz Beto Ramos.

Como ele mesmo diria: “Diz a lenda!”.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Faça você também

Por: Beto Ramos

O que significa Porto Velho para alguns?

Porto Velho seria um mercado sem cultura?

Quem seria maior a nossa história ou nossa cultura?

Quem canta sua aldeia?

Onde fica a aldeia de muitos?

O nosso querido Mercado Cultural foi invadido por algumas ervas daninhas que simplesmente preocupam-se em levar e trazer fofocas destrutivas.

Diga-se de passagem, antes que aumentem um ponto, não é a lenha na fogueira.

Falam em união.

Batem no peito dizendo eu faço.

Querem ocupar o espaço que ganhou o respeito da nossa população.

Façam seus projetos, cantem, façam teatro, dancem.

Não somos obrigados dentro do projeto Ernesto Melo e A Fina Flor do Samba, aceitar cantor para agradar X ou Y.

O espaço deste projeto é da população.

O povo é o termômetro.

Cada qual no seu cada qual.

“Canta a tua aldeia e cantarás o mundo”.

Pagode

Está no dicionário: templo pagão asiático. Mas no Brasil, a palavra pagode passou a denominar também um tipo de festa “com comida e bebida, de caráter íntimo”, na definição acadêmica do folclorista Câmara Cascudo. Em qualquer festa que se preze, porém, não pode faltar música alegre – e aí, naturalmente, entra o samba. Foi ele que fez do pagode uma das mais fortes tradições dos subúrbios do Rio de Janeiro. Um quintal guarnecido pela sombra das árvores, algumas caixas de cerveja, uns quitutes, um cavaquinho ali, mesinhas para se batucar… está formado o cenário para que os versadores e instrumentistas mostrem sua categoria, o público sambe animado e a tarde entre pela noite e a noite pela madrugada. Ao longo dos anos 70, quando os emergentes sambistas se viram diante do bloqueio das rádios e das próprias escolas de samba (reféns de um Carnaval comercializado), os pagodes se tornaram a melhor opção para que suas composições fossem ouvidas e divulgadas.

Das mais famosas cantoras de samba da época (junto com Alcione e Clara Nunes), Beth Carvalho certo dia foi investigar o pagode do Cacique de Ramos e levou alguns daqueles compositores ainda desconhecidos para o seu disco de 1978, De Pé no Chão. Foi a partir daí que o Brasil tomou conhecimento de nomes como o grupo Fundo de Quintal dos compositores Arlindo Cruz e Sombrinha (Vou Festejar), os ex-Fundo Jorge Aragão (Coisinha do Pai) e Almir Guineto (que tirou terceiro lugar no festival MPB Shell, de 1981, com Mordomia), Zeca Pagodinho (Camarão que Dorme a Onda Leva), Jovelina Pérola Negra, Luiz Carlos da Vila (de Por um Dia de Graça, gravado mais tarde por Simone), entre outros. Astros desse novo samba, que rumava para o futuro com um sólido embasamento no passado, eles protagonizariam mais tarde, a partir de 1986 um dos movimentos de melhor resultado comercial da história da música brasileira: o pagode. Ironicamente, por uma contingência de marketing e mídia, a festa passou a emprestar seu nome à música que a anima.

Coube ao Fundo de Quintal introduzir as inovações instrumentais e harmônicas do pagode em relação ao tradicional samba. Para reforçar o cavaquinho, Almir Guineto trouxe o banjo, que soa mais alto no meio da massa sonora. No lugar do pesado surdo, Ubirani pôs o leve e versátil repique de mão. Jorge Aragão, por sua vez, trouxe para os sambas as harmonias mais intrincadas, aparentadas da bossa nova (e, graças a suas sofisticadas letras, ficaria conhecido como O Poeta do Samba). Inicialmente divulgados por Beth Carvalho e outros nomes de destaque do samba, esses artistas em pouco tempo conquistaram luz própria.

Tem gente que fala de samba e não sabe o que diz.

Somos a nossa aldeia.

Somos Porto Velho.

Onde fica a fronteira do nosso samba?

Quem não cantou por alguma vez o Zeca Pagodinho, Luiz Carlos da Vila, Beth Carvalho?

Somos uma só aldeia, o Brasil.

Alguns querem nos infectar com sua falta de bom senso.

Noel Rosa é Carioca.

Cartola também.

Alguem desejou proibir suas canções por aqui?

Ao contrário, fazem shows com a arte destes Gênios da nossa música.

Certo cantor que anda falando pelos cotovelos, poderia ouvir o CD do poeta da cidade.

Com certeza compreenderia o que é ser interprete e compositor.

Cantamos nossa aldeia.

Diz a lenda é nossa aldeia.

Lenha na fogueira é nossa aldeia.

O tatá é nossa aldeia.

O Tatá sempre foi nossa aldeia.

Não estamos aqui para agradar.

Estamos aqui para ajudar no crescimento da nossa cultura beradeira.

Cultura beradeira.

A nossa aldeia.

Diz a lenda

Obs: Esta prosa é a opinião de Beto Ramos – Diz a lenda.

Anúncios