A TV Globo foi o sonho de Roberto Marinho. Foi! Hoje, no caminho da decadência, vê-se que é certo o dicho popular “O olho do boi engorda a boiada!”.

Superada pelas duas principais concorrentes, a TV Globo vê seus dias de glória chegando ao fim. As novelas e telejornais passaram a carro-chefe de uma das instituições que mais prestígio tiveram poucos anos atrás.

E, com o advento do horário de verão, a Globo viu sua programação esfacelar-se através de uma “canetada” de um juiz.

Claro, um juiz! Tinha que ser um emérito senhor que labuta no ar condicionado, entre paredes de pintura novinha… arquivos e mais arquivos…

Saturado com tantos processos, o magistrado viu que tinha que “descansar a pena”. E fê-lo com um julgamento sobre a programação brasileira – da Globo – impeditiva para crianças, em horário nobre. As novelas da Globo, que apresentam cenas carregadas de sensualidade (às vezes, até demais) chocaram o aplicador da lei que investiu contra as regiões do 3º e 4º fuso horário brasileiro. Era cedo demais para apresentar a programação “adulta” da Globo. E as retransmissoras afiliadas tiveram que adotar uma estratégia em sua grade de programação.

Pronto! A sentença do magistrado atingiu o alvo certo: O POVO! Criou-se um novo Brasil. O Brasil da Região Norte! Só faltava a então candidata, Dilma, adentrar esta apologia. E ela também o fez. Ao se referir aos nordestinos, citou a infeliz frase “Quando os brasileiros vão ao Nordeste […]”. Ou seja… o Nordeste também não é Brasil perante seus olhos, ouvidos e demais sentidos. Passamos a ter três Brasis. O do Sul, Sudeste e Centro Oeste; o do Norte e o do Nordeste.

Mas os “habitantes do Brasil do Norte” foram tratados como? Como se nada representassem para o “legítimo brasil”. São os “índios do Norte”, “analfabetos de pai e mãe”, “incultos” e “incivilizados”. Podem voltar ao tempo das cavernas que não faz diferença.

Pelo menos no entender dos amantes da TV.

A programação passou a ser gravada e exibida no horário local e não mais no fuso de Brasília. Retrocesso puro!

Não consigo entender, entretanto, como fica Fernando de Noronha?

O que tem a ver? Simples. O fuso do ex Território Federal (atualmente pertence ao Estado de Pernambuco) é uma hora a mais em relação a Brasília (ou será que mudou e não avisaram os Brasis do Norte e Nordeste?). Faço esta referência porque a programação infantil pode estar sendo transmitida no horário dos adultos e vice-versa. Aqueles filmes da madrugada (brrr) estão chegando ao arquipélago ao raiar do dia.

Bom… Eles que se cuidem. Cuidemos de nós e voltemos à falência global.

Passamos a ter novelas gravadas… filmes, big-brother… exceção apenas para o telejornalismo… Mas este também entrou em decadência. Com exceção do Jornal Hoje, os demais apresentam as notícias de forma melancólica, monótona, excessivamente técnica. Foge do padrão “humano”. Enquanto a dupla do “jornal do almoço” brinca, entre si e com o telespectador, os demais apresentadores usam excessivamente a formalidade. Quem assiste o Jornal da Globo (último do dia) entende. Parece que é direcionado apenas para os “cultos de plantão” e não para todos os brasileiros.

E… O PIOR!!! O Futebol foi suprimido. Pelo menos o primeiro tempo da partida das quartas-feiras ninguém assiste mais na Globo. É hora da “novela das oito”. Como diria FHC: “Assim não pode!  Assim não dá!”. Brasil, o País do Futebol! Não existe futebol na Região Norte? Alguns acreditam que não.

Consequência disso tudo: Telespectador migrando para a Band. Afinal… a Band é conhecida como a “TV do Esporte”. E os com um pouco mais de recursos migraram para a TV por assinatura. Ou gastando apenas o equivalente a um telefone celular (lembrem-se que celular hoje é comprado até em camelô) pode-se adquirir uma antena parabólica com receptor para os canais abertos.

O que tem isso? A TV Globo não tem canal nas TVs por assinatura. A GNT e GloboNews não transmitem a programação do canal aberto.

Pronto. Perdeu aquela gama toda de telespectadores. E os anunciantes. Porque seria burrice anunciar numa emissora que retransmite programação gravada. E que já foi assistida pela parabólica em tempo real.

Também os comerciais, dito nacionais, foram metidos no mesmo imbróglio. Anunciante local ou nacional sai prejudicado nesse “quiproquó do barnabé” inventado na esfera judicial. Parece a volta da censura. Filme censura livre, pela manhã; filme censurado até os 14 anos, pela tarde; filme censurado para menores de 18 anos, após as 23 horas – local.

Hoje, na maior parte do dia as emissoras de televisão Record, Band e SBT assumem a liderança no ranking das pesquisas. Administradores coerentes com a realidade do público alvo. Diferente dos herdeiros de Roberto Marinho.

Para eles, o capital entrando é suficiente. Não interessa se está entrando menos… O que importa é continuar entrando e suprindo seus bolsos. Se a dívida aumentar… problema dos credores. Tempo existe para procrastinar.

Assim, vai indo, vai indo… rumo ao “findo”.

O saudoso Irineu, se ver pudesse, sofreria de angústia ao ver o nome que virou marca internacional tratado dessa forma.

O sonho ainda não acabou. Mas está chegando ao fim. Acorda!!!

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