UM SÁBADO SÓ É POUCO

Por Artur Quintela

Poucos se deixaram levar pela provocação do Zekatraca, quando ele lançou em sua coluna Lenha na Fogueira o desafio para a marchinha da Banda do Vai Quem Quer com a sinopse e “eu quero mais um dia, um sábado só é pouco”.

De meu lado, quieto cá com meus botões, tirei na hora a poesia. E a marchinha ficou gostosa de cantar e pular.

Mas não inscrevi no concurso. Quando muito mandei a letra pro amigo editor da Lenha na Fogueira, que sequer se deu ao trabalho de publicá-la.

Mas a verdade é que um sábado só era pouco. Sempre foi e continuará sendo pouco pra extravasar toda a alegria da moçada fiel que se dedicou a acompanhar a BVQQ na contra mão da Avenida Carlos Gomes – como determinava o General Manelão.

Sei que muitas e muitas homenagens póstumas serão desencadeadas nos próximos dias. Manelão se fez merecedor de todas elas. E foram muitas em vida, também. Acho que ele faria bem par de Nelson Gonçalves na frase “quem quiser fazer por mim, que faça agora”.

Embora nunca fosse afeito aos blocos e bandas de rua, e finalmente tendo parado até com o carnaval dos clubes (que também pararam) não fui fiel seguidor da Banda.O que não quer dizer que não tivesse uma admiração enorme pelo trabalho e amor de Manelão por sua “criança”.

Nos últimos anos, entretanto, conversando com ele – sempre “irado” com os políticos e politiqueiros de plantão -, notava que era hora do General pisar no freio. mesmo tendo decidido passar a batuta para a filha, não conseguiu fazê-lo. Seu amor pela “menina” BVQQ era maior que suas necessidades físicas. Extrapolava o mundo real. Era fantástico conversar com ele, fosse onde fosse, sobre a bandinha nascida de um bate papo num sábado no Bar do Casemiro – que expulsou Manelão e os outros “criadores” – dentre eles Silvio Santos – o Zekatraca.

Por isso resolvi seguir a banda. De abadá ou sem. Com cerveja ou sem. Com banheiro ou sem. Lá fui eu, esposa ao lado… me enfiando pelo meio de uma multidão sem fim.

Nem juntando todas as polícias da Amazônia conseguiriam conter aquela massa de milhares e milhares (fala-se em cem mil) de cabeças.

A questão é que a banda – em si de per si – nunca foi antro de confusão. Se brigas ocorriam era fora da “massa legalizada”. Empurrões, não. Empurrões fazem parte da tradição do carnaval. Afinal, carnaval é aglomeração e sem empurrão não presta…

Seu Manelão, de gritar eu fico rouco

inventa mais um dia / que um sábado só é pouco…

Manelão se foi e a marchinha nunca saiu. Não saiu do papel, não foi para as ruas…

mas ficou no meu coração.

Anúncios