ARTIGO

Delírios  de  um  “Primata  Tolo”

Paulinho Rodrigues (*)

Quando anunciada no mundo, a construção de uma estrada de ferro no coração da floresta amazônica, para cá vieram: técnicos, engenheiros, administradores, trabalhadores braçais, ladrões, gladiadores estropiados, foragidos da justiça e foragidos de si mesmos, que lançaram âncoras neste velho porto de esperanças, náufragos que eram de outras viagens.  Notadamente, as características do fluxo migratório original numa dimensão hodierna avassaladora, continua se repetindo.

O que nos difere dos povos de outras regiões, é justamente a demopsicologia. A pluralidade multifacetada daqueles que bem intencionados vieram e continuam vindo para estas rechans amazônicas (aqui trabalhando, construindo, plantando seus grãos e criando suas proles), sobremaneira, contribuiu e vem contribuindo para a solidificação da nossa identidade cultural.  Aos indivíduos de retidão de caráter,   as minhas mais efusivas homenagens, extensivas aos que vestem branco e se dedicam ao sacerdócio de curar, inclusive.   O nosso acervo cultural, aos olhos desavisados, se restringe ao patrimônio material.  Os fazeres, o imaginário demológico, mitos, lendas, manifestações populares religiosas ou profanas, culinária,  e, outros que formam a rica pluralidade cultural de Rondônia, com todas as influências migratórias, fronteiriças, caboclas, negras e ribeirinhas, não pode cair na “delirante vala comum”.   Tal legado,  a princípio, não passa por nenhum recente movimento dito cultural (me lembra o primitivo Rio Caiari), que preconiza a inexistência de cultura, falta de comando ou de regras em qualquer esfera de atividade ou organização social em Porto Velho, pensamento esdrúxulo e mesquinho, digitado e postado no texto “Medro Tribuna Médica – Viva o Carnaval, viva Porto Velho, Morreu Manelão”,  de autoria do médico Marcos Wendell Silva –  medro@googlegroups.com,   marcoswendell@hotmail.com.   Em tese, o “primata de branco”, em sua ruidosa mente delirante, mais parece uma glossina, que inseto hematófago, vampiriza e macula uma profissão digna, chegando às raias da diátese, ou seja, total predisposição moral mórbida.  Fico a imaginar, se um ser humano necessitando de cuidados médicos ao procurar  “…  o nosso mais importante “açougue”…” (palavras do próprio uteista), vir cair nas suas mãos.   Exercendo a medicina, em tese, por analogia, poderá ele  (o delirante primata de branco), brincar de Deus e decidir sobre a vida ou a morte do paciente.   Égua !!!  valha-me Deus!!!

Indignado como tantos outros nativos ou que migraram pra cá, no meio da categoria, também vi a repulsa de muitos profissionais médicos, que não comungam do pensamento tolo do colega Marcos Wendell Silva.  Para os profissionais de conduta ilibada, resta  defenestrar o  “incauto primata”, execrando-o do meio e quiçá de Rondônia, em verdadeira exérese.   Ao povo de Rondônia, aos médicos Jason, Oliveira, Ely Camurça, Viriato Moura, Brasil, Paulo Gondin, Vitor Villar, Ovídio Tucunduva, Bethania, Conceição e Célia, nas pessoas de quem saúdo os demais,  meus respeitos e solidariedade.  Ninguém merece um profissional desse à solta por aí, nem um colega desta estirpe, que nódoa toda uma classe.  As pessoas honestas nativas ou as que vieram para Rondônia, não merecem este tipo de primata basbaque, que de origem duvidosa, “…sabe-se lá de onde saiu…”,  tira desta terra o seu pão,  e,  “… vomita no prato que come…”.   Meus respeitos aos que trabalham com dignidade nos açougues e  “cortam com precisão cirúrgica”, a picanha, maminha,  bananinha do contra-filé e outras delícias bovinas.   Estes profissionais, apesar dos seus aventais brancos, nada tem a ver com o “açougueiro” do nosocômio;  não podemos confundir.   Outra ótica nos mostra, que o tremor corporal malárico, provocado pela hospedagem de Plasmodium, Falciparum e até Vivax, com suas múltiplas formas, transmitidos por Anofelinos (carapanã)  a primatas originalmente aqueles que possuem cauda longa e habitam as florestas, não  tem nenhuma ligação com o “tremelique” nem delírio mental, demonstrado pelo autor do abominável texto postado  na rede.

Com a palavra o CRM, o Estado, a direção do Hospital onde o referido médico é intensivista  e diz  “trabalhar”,  ao qual chamou de “… o nosso mais importante açougue…”, e,  os Órgãos que operam e aplicam o direito.  “Açougueiros deste tipo, de plantão” (quem trabalha em açougue é açougueiro ou magarefe), primatas em delírio, maus profissionais, desta ou de outras profissões, travestidos ou não com cândidos jalecos, devem retornar para suas origens.   Proh pudor !!! Desde os primórdios, antes do  período pré-cabraliano, aqui vivem indivíduos, com  retidão de caráter, nativos ou vindos de todas as regiões do país e do mundo, que trabalham honestamente e que amam esta terra.   Sub oculi da  psyché nos ramos profissionais que  conhecem e trabalham intuitivamente, empírica ou cientificamente, com medidas dos fenômenos psíquicos  por meio de métodos experimentais padronizados,  dado o seu  aparente estado mórbido,  nos parece, em tese, por analogia,  que o tal profissional da saúde, sofre de psicastenia, devendo, se for o caso, buscar ajuda profissional especializada… S.M.J.     Por aqui, continuaremos: degustando caldeirada de tamua’tá ao tucupi com jambú; munguzá com canela; banana cumprida frita; tapioca com manteiga, jatuarana com pimenta murupi assada na trempe; cantando toadas da Nação Corre-Campo e dançando quadrilha junina; ouvindo as canções de Sílvio, Hernesto, Binho etc…; no tempo “empinando papagaios”, feitos com tala verde de buriti raspada, papel de seda e grude de goma, com rabiolaço, catando, embiocando, descaindo, revirando, trançando contra o vento e no gasgo, fazendo guzuba,  guizando, matando linha, sem raspa e sem talho na rabiola, só  com linha branca…  “na moral”.   MERECEMOS RESPEITO !!!  Apesar da ordem, nem todos os primatas são delirantes tolos; somos ligosóficos…Como sentinelas avançadas  /  Somos destemidos pioneiros…”.

(*) O autor é Portovelhense, Advogado,  Artista   Plástico,

Músico, Produtor Cultural,  “Amo do Tracoá” e sabe   a

diferença entre cachara, surubim, caparari e peixe lenha.

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