MERCADO CULTURAL – Onde a cultura sobra

Começando outra semana, ainda nos tímpanos a vibração dos acordes da que passou.

A Praça Getúlio Vargas nunca viu tanta arte assim.

Não parou. Desde a Quinta da Seresta Cultural até os últimos acordes de Bado ao lado da Dupla Pirarublue, no sábado, chegando à madrugada.

Os violões não quiseram parar.

Quinta, depois da Seresta Cultural, cada vez mais empolgante e envolvente, o Di Giorgio sobrou na mesa. Dona Vera que o diga. Rose, então, custou a levantar.

Edith Piaff revivida no Hymne a l’amour.

Até o Tenente deu sua “palhinha” no pagode ligeiro e maneiro.

E olha que o show da quinta foi memorável. Quem não foi, perdeu o inimaginável.

Até Ernesto e seus companheiros, que acabavam de sair de um show no Teatro UM do SESC, foram lá, tomar uma “daquelas que refrescam” e

Sexta d’A Fina Flor do Samba foi outro show. As paredes do mercado sambavam junto com a melhor troupe do samba de Porto Velho.

Porto Velho cantou através do Poeta Ernesto Melo. E o Mercado Central ressurgiu, como verdadeira fênix “beradeira”, das cinzas do mal.

E, novamente, o público não quis arredar pé. Calados os microfones, instrumentos aqui e acolá teimavam em manter o samba vivo, ardente, vibrante.

Mas tem que dar um tempo para o sono. Sono leve, ligeiro que logo estão chegando os mestres da música instrumental. Telêmaco, Guery, Bena, Junior e Heitor. Porto Velho está acordando. Espreguiça-se para espantar o cansaço de duas noitadas…

Café com tapioca e bolo no Bar do Zizi. E na praça os acordes começam. Acordes na Praça.

A música, de novo, envolve o público. Que se faz cada vez mais presente. Obrigação das manhãs de sábado. Passeio pela Praça Getúlio Vargas. Ali, em frente ao mercado.

Ah… também pode. A geladinha já está disponível no Café com Arte da Almira. E no Bar do Zizi, também. Embora seja melhor uma cola (ou água de côco) para “limpar” os estropícios que ficaram da madrugada.

Parou o som na Praça? Bem… não é bem assim…

Os acordes mudaram de lugar e de compasso, talvez… ritmo também… Saíram da Praça. Deixaram a Praça silenciosa. Foram para o interior do Mercado Cultural.

Beto César comanda a outra troupe de samba. Comanda o samba e o pagode. O Augusto que abandonou de vez o Carimbó, junta os bambas da sexta com os melhores do sábado. E o samba rola.

Ahhh… vai até 18,00h. Não dá. Não dá pra parar. O relógio é teimoso e insiste. Mas a turma não liga. O samba invade a noite. E só lá pelas 20,00h se obriga a parar.

Está na hora de outro show.

E lá vem a dupla Sandro Bacelar e Gioconda Trivério. O Pirarublue está no ar. Volta todo mundo para a Praça. A rua está ficando estreita. As mesas rapidinho, rapidinho se enchem de pessoas.

Sandro começa homenageando nosso Bado. Digo NOSSO! Bado é NOSSO.

Nosso orgulho! Nosso companheiro e amigo de toda NOSSA terra. Nosso irmão. Minhoca como a gente. Não despreza a terra amada.

A dupla Sandro e Gioconda não deixam o público quieto. Cantam, conversam com a platéia. E entregam, de brinde, as folhas que ornamentam sua indumentária – de muito bom gosto, afirme-se. A cada música, uma criança, jovem ou adulto corre ao palco e pede a sua. Não sobra nenhuma. E eu queria tanto uma…

Mas deixa pra lá. O melhor foi a saída da dupla do palco, cantando e seguindo para o Café com Arte.

Você precisa ver… para saber como é…

… que andava o trem da Madeira Mamoré.

O público não permitiu que acabasse.

Exigiu que voltasse.

E lá vem a dupla de volta.

Que encanto! Que magia! Que ebulição!

Parabéns Sandro e Gioconda.

Ficou “aquele gostinho de quero mais”.

Aliás, parabéns a todos os artistas que não deixam nossa Porto Velho adormecer no ostracismo ou ócio.

Nossa cidade fervilha de arte. Por todos os cantos. Mas a área central está dando “de lavada”.

Não consigo mais sair de lá.

Já falei: Vou furar as paredes e assentar um par de armadores. Vou deixar minha rede armada no interior do Mercado. Apenas para uma sesta, rápida e breve. O som logo vai voltar…

E quero estar lá.

Até quinta (será que agüentamos esperar?).

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