Cumplicidade:

A chave para um casamento feliz e estável  

Odilon Massolar Chaves

Cúmplice se entende como alguém que está a par do que o outro sabe e faz. Mais do que isso: compartilha dos mesmos ideais.É torcer pelo outro.É estar junto. A cumplicidade cria uma aliança, um compromisso entre os dois por causa dos segredos e confissões íntimas. Ser cúmplice pressupõe que houve confiança no outro ao se revelar segredos, intimidades ou planos o que fortalece os laços.

No casamento, em especial, pode ser uma garantia de estabilidade conjugal, pois torna o cônjuge parceiro de uma história e não apenas um coadjuvante sem identidade. Ser cúmplice é estar no mesmo barco sabendo das vantagens e riscos.

Entre as vantagens de ser cúmplice do cônjuge, estão.

– Tornam-se mais próximos um do outro por compartilharem segredos e planos;

– Há uma tendência de haver um maior entendimento e unidade entre os dois por partilharem das mesmas coisas;

– Constroem uma história juntos por estarem no mesmo empreendimento;

– Apoiam-se um no outro e se fortalecem mutuamente;

– Tornam-se amigos confidenciais;

– Crescem juntos etc.

Hoje o casal que não tem nenhuma cumplicidade está seriamente ameaçado de ver o casamento chegar ao final antes que “a morte os separe”.

A falta de cumplicidade traz morte porque não há o elo de ligação que nutre um relacionamento sadio.

Antes da década de sessenta, quando havia falta de cumplicidade, o casamento não era tão ameaçado de extinção, apesar de não haver plena felicidade. A mulher era mais passiva e não tinha as oportunidades de se realizar profissionalmente e de se tornar independente financeiramente do marido. Questões de dinheiro, compras, decisões sobre o futuro, em grande parte, eram decididos pelo homem. A mulher tinha a tendência de aceitar essa situação como normal, não questionava e isso ajudava a manter estável o casamento. Ela vivia mais em casa sem poder se abrir plenamente com alguém.

Mas  se não há cumplicidade no casamento nos dias de hoje, especialmente a mulher tem agora com quem se abrir. Tanto no trabalho, igreja, festas, cursos e internet, ela encontrará alguém que a compreenderá. Basta uma pessoa entrar anonimamente no bate-papo que ela poderá se abrir totalmente despertando seus sonhos e fantasias bloqueadas. Muitas vezes, esse alguém que a ouviu acaba se tornando posteriormente seu cônjuge. O mesmo acontece com o homem.

A Dra. Beverley Fehr, autora do livro Processos de Amizade, comenta sobre a crise no relacionamento conjugal e a busca de amizade e intimidade fora do casamento:  “(…) as pessoas transferem seu interesse à amizade como forma de construir comunidades e encontrar intimidade” (1).

Ser cúmplice é tão fundamental que o melhor é não entrar em um casamento, se não houver essa cumplicidade que é construída no dia-a-dia. É um sério risco. É como pegar o carro para uma longa viagem com o pneu furado sem outro para trocar.

A Bíblia diz que o perfeito amor lança fora o medo. Podemos dizer também que o medo impede a existência do perfeito amor. Se não podemos falar abertamente das nossas fraquezas, dificuldades, medos e insatisfação, então não podemos amar e ser amado plenamente, pois o amor não fluirá devido aos bloqueios.

A “vida é um veículo de duas rodas: só se equilibra em movimento. Para que duas pessoas se tornem uma unidade é preciso criar um objetivo: ter filhos, construir uma casa, um patrimônio, uma carreira profissional, um ideal… o conteúdo em si não interessa.
Seja qual for, é a cumplicidade que o transforma em algo fundamental. Fazer planos é sempre uma aventura excitante.
É sobre eles que mais adoramos sonhar juntos”(2).

A cumplicidade junto com o carinho e o respeito faz com que o casal tenha o coração aberto, confiante e doador. Ingredientes essenciais para a felicidade e estabilidade conjugal.

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