Afinal, o que está acontecendo em Porto Velho? Parece que de uma hora pra outra o sucesso de uns (que sempre atrapalhou o de outros) está atrapalhando, também, a carreira política de alguns.

            Fiquei sabendo pelo amigo Heitor Almeida, Coordenador do Projeto Seresta Cultural, que acontece todas as quintas-feiras no Mercado Cultural, que a Diretoria de Costumes esteve naquele local e apreendeu alguns instrumentos musicais e várias mesas de PVC que lá se encontravam.

            Fico pensando a quem interessa tanto desmando dentro da Prefeitura que é tão privilegiada nos encontros culturais que acontecem no MC.

            Já sofremos perseguições da Secretaria Municipal do Turismo, que determinara o fechamento das portas às 24 horas. Também ordenara a retirada de todo o material contratado para a realização dos eventos, tão logo estes terminassem.

            Reconheço que o Mercado Cultural não pode servir de depósito para petrechos ou instrumentos. Cada qual que tome conta e guarde o que é seu.

            Também reconheço que aquele espaço está subordinado às diretrizes emanadas da Secretaria de Turismo e não da fundação Iaripuna que, aliás, deveria ser a legítima administradora de um espaço destinado à Cultura.

            Mas vale lembrar aqui, pelo menos aos politiqueiros de plantão que o Centro de Porto Velho, de muito encontrava-se no ostracismo, servindo de berço a mendigos, dependentes químicos e toda a sorte de marginais.

            Com o advento do Mercado Cultural – não conquistado pela Secretaria de Turismo ou Patrimônio, Costumes ou Postura, diga-se de passagem, já que tais órgãos jamais se interessam pelo que realmente tem valor – o centro da cidade foi revitalizado.

            Começando com Ernesto melo e a Fina Flor do Samba, o mercado foi flutuando na cultura portovelhense e envolvendo a mais pura casta de nossa sociedade com o que há de melhor na música de nossa região. Nossas vertentes históricas foram cantadas e degustadas em meio ao lirismo que tomou conta das noites das sextas-feiras.

            Depois o Mercado foi agraciado com a Seresta Cultural, evento que é considerado como o mais democrático entre todos que envolve música e cultura. Poesias, dança de salão, dança do ventre, músicas de todos os gêneros são servidos a uma platéia que aumenta a cada dia.

            Chegou a vez do sábado, com Mestres da Escola Jorge Andrade brindando a cidade com música instrumental da melhor categoria. Segue-se Beto César, compositor e intérprete dos melhores sambas, sempre aliado com Bubu e Norman Júnior, dentre tantos outros.

            E o sábado surgiu como opção polivalente com tantos outros shows e apresentações artísticas de qualidade indiscutível.

            As terças já despontam no cenário do MC como outra alternativa para a cultura local se manifestar livre e soberana.

            Mas… sempre existe um mas – surgem as vozes contrárias. Aqueles que nunca foram movidos pela chama da paixão. Somente o capital lhes interessa. Somente o Capital pode ser sede de sua fé.

            E como sempre começam a colocar empecilhos.

            CULTURA NÃO É LIXO! Portanto, não pode ser descartada.

            RESPEITO É BOM E FAZ BEM AOS DENTES!!!

            Músico, ator, cantor… enfim, artista não é lixo. Não é escória. Não para ser riscado da sociedade.

            Mesmo porque nenhuma sociedade existe sem sua cultura típica. E a portovelhense é a mais brasileira de todas. Todas as demais estão aqui representadas. Duvido!!! Duvido, mesmo!!! Que exista alguma unidade de nossa federação que não tenha aqui seus representantes.

            Porto Velho é a capital de todos os estados – inclua-se o Distrito Federal.

            Não pode ser tocada por gente de mentalidade tacanha, mesquinha, vil, sórdida. Que não enxerga além de seu próprio umbigo (ou abaixo dele).

            Agora, voltando ao título: a quem interessa essa perturbação toda?

            A questão é latente porque o Mercado Cultural, dado à sua localização e uso, não interfere na vida comum da cidade. Vejamos bem: a localização central beneficia à liberdade para os eventos já que não existem residências no entorno direto. Também não compete com o comércio central, haja posto tratar-se de um local onde a cultura transborda, tendo virado ponto de encontro para os artistas da capital, carreando recursos antes dispersos pelos bairros ou com outra destinação.

            Também é verdade que o Mercado Cultural é – de longe – o lugar onde o nome do Prefeito é mais citado dentro da capital rondoniense. Nas quintas-feiras, pelo menos, a cada cinco músicas, Heitor retorna ao microfone e, antes de anunciar o próximo artista, informa a todos os presentes que o evento é patrocinado pela Prefeitura de Porto Velho, através do Prefeito Roberto Sobrinho, através da Fundação Iaripuna, na pessoa de seu Presidente Altair dos Santos – o Tatá.

            Então… responda quem souber: A quem interessa o mote contra o mercado Cultural?

            Sim é um mote. Percebe-se que, de algum tempo para cá, o MC tem sido alvo de críticas, bem como os eventos ali levados a termo.

            E agora, voltam-se os olhos para seu interior, talvez pela incerteza de furar a liberdade intelectual prevista na Carta magna de nossa Nação.

            Mas, a questão mais patente que se levanta agora, é quem manda, realmente, no executivo municipal. Até uns dias atrás, pensei que o prefeito mandava. Agora, tenho que pensar duas vezes.

            Afinal… se o prefeito não sabe que seus secretários estão se “perseguindo” também não saberá o que fazer para desmanchar o imbróglio.

            Continuo querendo saber:

            QUEM MANDA NESTA CIDADE?

            Cidade que Secretário manda mais que Prefeito não é cidade. É o caos!

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