A CULTURA VAI VOLTAR ÀS RUAS E PRAÇAS

 

Bom, a não ser que haja uma reviravolta, o que duvido e muito, a tendência é que a Seresta Cultural, A Fina Flor do Samba e o Pagode de Beto César tenham que buscar outros pontos onde se apresentar.

Na realidade, convite é o que não falta. Tem gente querendo levar a Seresta das quintas-feiras para vários outros pontos, inclusive fora da capital rondoniense.

A Fina Flor do Samba já mostrou que é do batente quente e da mesma maneira que começou com um isopor e algumas latinhas em plena Praça Getúlio Vargas, tem força e categoria para buscar outras plagas onde seja melhor aceita.

Da mesma maneira, Beto César já mostrou seu talento de sobra.

O que não se pode desprezar é o que o Mercado Cultural vem representando para muito alem desses três projetos. Vários músicos e artistas de outros segmentos fizeram daquele local ponto de encontro.

Acredito, sim, que deveria haver um palco montado pela própria prefeitura, com instrumentos, equipamentos de som e tudo o mais para que o artista que ali chegasse pudesse se apresentar espontaneamente.

Mas daqui pra lá a distância é infinitamente grande. E a boa vontade política, infinitamente pequena.

É costume que existam duas correntes em todas as manifestações humanas. Acho que é isso que nos faz humanos. Duelarmos entre nós, buscando qualquer motivo para justificar tal comportamento.

Se somos bem recebidos em um lugar, logo desperta a inveja em alguém que não o foi e que fará de tudo para mostrar nosso lado negativo, a fim, simplesmente, de perdermos bom conceito.

Se, por outro lado, alguém comete um crime, de repente aparecem as duas correntes: a dos justiceiros e a dos “defensores de direitos humanos (leia-se bandidos).

Sempre foi assim. Sempre será assim.

Na minha maneira de ver a coisa, como acontece no Mercado Cultural, existe algum grupo que se sente desfavorecido por não poder utilizar o espaço tão duramente conquistado por aqueles que chegaram primeiro – E QUE ACREDITARAM EM SEUS PROJETOS. É, realmente, difícil fazer um ponto de cultura. Isso demanda tempo, dedicação, altruísmo e, principalmente, AMOR PELA ARTE.

Que o digam Rita Queiroz, João Zoghbi e tantos outros que lutaram décadas contra o obscurantismo, sem ter reconhecimento por suas obras de alto refino e elegância verdadeiramente amazônicos.

Da mesma maneira, os músicos que cantam e tocam no Mercado Cultural – sem receber cachê – entregam com verdadeira devoção seu talento ao público que os prestigiam, dia após dia, em busca apenas do reconhecimento.

Mas há os que entendem que tal reconhecimento é lucro. E querem toma-lo a qualquer custo. Mesmo às custas da penalização pública. Sim! É o público que termina sendo penalizado. Por não ter a opção cultural que o MC hoje demanda.

E o que se vê por parte daquele que deveria se comportar como o mandatário maior do município é apenas o silêncio. Silêncio que compromete. Que anuncia seu desejo de interromper sua caminhada partidária ou até política.

É o que parece… infelizmente.

Voltemos, então, às ruas, avenidas, praças… espaço garantido pela Carta Magna para as manifestações populares. Vamos… de volta!!!

Estar junto com o povo simples, humilde e ordeiro é o melhor para a arte. Se não enche o prato de comida, enche o coração de alegria. E que seria do povo sem alegria?

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