Diz a lenda – Nostalgia de uma partida

Por: Beto Ramos

 

Lucas Grillo

Certa vez me pintei de poeta, mas, percebi que poucos me reconheceram.

Então, retirei a pintura do rosto, e encontrei você meu filho.

Aos poucos estou pintando novamente o meu rosto.

Agora sem tristeza.

Voltaram os versos de algum lugar.

Mas, você vai partir, e por aqui vou ficar, com o rosto pintado em sua homenagem, até você voltar.

Ainda bem que não somos normais.

Alguns normais sentem vergonha dos palhaços, poetas, dos loucos que gostam de ver o dia amanhecer.

Então, eu não vou dormir na hora que eles querem.

Vou ficar acordado, com o rosto pintado, fazendo barulho, incomodando a mesmice da noite e do dia.

Vou continuar sem hora para sair ou voltar.

Vou comer e beber o que eu gostar.

Estou até pensando em deixar o meu cabelo crescer.

Agora lascou, inventei de compor.

Já tenho platéia.

São as mangueiras e açaizeiros do meu quintal.

Mas, já percebi que existem alguns pássaros, aplaudindo escondidos atrás de algumas folhas.

Pinte-se.

Declame.

Vá para as ruas.

Só não deixe de ser este cara bacana que você sempre foi.

E quando você voltar, vou estar no mesmo lugar.

Um pouco mais velho.

Mas, cheio de nostalgia e loucura, que são peculiares aos sonhadores que fazem da realidade um espetáculo de alegria.

Diz a lenda.

Obs.: Lucas, meu filho, vai partir no dia vinte e três de novembro de dois mil e onze. Vai estudar TEATRO e CIRCO em São Paulo por longos quatro anos.

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