Quem acompanha as quintas no Mercado Cultural deve ter notado e notará, ainda, minha ausência.

Mas posso explicar.

Longe das contendas que o projeto Quinta da Seresta Cultural já provocou, e apoiador incondicional de seu criador, Heitor Almeida, tive que optar entre dois projetos que são minha razão de vida.

Quando cursei eletrônica na PUC-Rio tinha tudo para ficar na Cidade Maravilhosa e ali criar meus filhos. Mas a paixão e amor pela Amazônia se fizeram mais fortes e, mais uma vez, desembarquei na Porto Velho querida.

Nunca consegui um lote de terras rural, embora esse fosse o ideal de vida. Comprado, adquirido pelos cadastros dos órgãos públicos… nada dava certo. Grilagem por um lado, corrupção pelo outro…

Finalmente, hoje, depois de ter alcançado a “melhor idade” cai-me nas mãos, como presente, um pedaço de terra, coberto de sapé, pouca vegetação nativa… e um punhado de problemas mais.

Tentei desconversar, mas o peito insistia em teimar. Por quê o coração tem que controlar a emoção, sobrepondo-a à razão.

E lá estou eu, de novo, meio do mato, “roçando”.

Chega a sexta-feira e a balsa é minha companheira (infiel), enquanto perdura a ansiedade pela ponte.

Daquelas horas até a tardezinha de domingo, o canto do seringueiro é minha música preferida. Tucanos, araras, jacus, periquitos, curicas e tantos outros… completam a sinfonia maviosa que afasta a saudade do violão por momentos, unindo-me à natureza como se um só fôssemos.

Até janeiro ainda deve perdurar minha ausência das rodadas de violão. A guitarra e o contra-baixo acompanham outras vozes.

Mas é só aguardar… Logo, logo volto.

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