Lenha na Fogueira

Ser analfabeto é uma coisa! Ser burro é outra!

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Deixa-me contar uma história que se passou aqui em Rondônia, lá pelos idos da década de 1960. Antes da revolução de 1964 melhor dizendo.

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O último pleito havia sido vencido pelos desafetos do Coronel Aluizio Ferreira, graças ao episódio que ficou conhecido como “Caçambada Cutuba”.

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Pois bem! Renato Medeiros foi eleito e conseguiu a nomeação do engenheiro Wadi Darwiche Zacarias para governador.

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Que é claro nomeou para os principais cargos do governo seus amigos e correligionários de Renato Medeiros.

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A farra corria solta, tanto no gabinete do Palácio Presidente Vargas como na Casa do Governador (hoje é o Memorial Jorge Teixeira em frente ao Teatro Banzeiro).

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Meu saudoso amigo Cláudio Carvalho conta em entrevista publicada neste jornal, lá pelas edições de meados dos anos 1990, que a “Farra era tanta  que certa vez, o Waldir Estrela deitado no sofá com a bota toda enlameada, uma garrafa de uísque importado na mão, ao ver o garçom trazendo isca de filé para tira gosto, chamou o governador aos gritos: Porra Darwiche, nesse Car…não se come um caldo de carneiro, é só filé, é só filé!!”.

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Assim foi o governo dos “Pele Curtas”. Pois nesse mesmo governo, outra turma (que prefiro declinar os nomes para não me causar problema).

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Dando uma de esperta, resolveu , utilizando material do governo do Território de Rondônia, construir um prédio num terreno grilado do patrimônio da União.

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Acontece que por serem da equipe governamental, nenhum poderia aparecer como dono do edifício.

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Após algumas noites sem dormir, pensando quem poderia assumir o negócio sem causar problema no futuro.

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Foi então que apareceu um nome comum, pois a pessoa era “Amiga” de todos do dito grupo.

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Conseguiram a papelada do terreno e registraram em cartório e então partiram para a construção do prédio.

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Como o material era surrupiado do governo do estado, a construção subiu mais rápida que foguete.

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Acontece que quando eles resolveram construir o dito prédio que a época ninguém sabia de quem era e por isso a edificação ficou conhecida como: Edifício BIZU

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Bizu porque corria o “bizu” (boato) que tratava-se de uma construção que estava sendo feita com o dinheiro do governo (o que era verdade), mas, como até hoje ninguém conseguiu provar.

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Bom! Quando todas as paredes estavam levantadas e o edifício praticamente pronto, só faltava a cobertura e a pintura, eis que acontece a revolução de 31 de março e o governador foi destituído e com  ele toda a equipe, a construção parou

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Depois da poeira baixar, aqueles que se diziam donos do prédio, foram até a pessoa que havia emprestado seu nome, endereço, RG e fio de bigode (naquele tempo não tinha CPF), para a legalização do empreendimento.

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Os cidadãos que se consideravam da alta sociedade e empresários de alto gabarito em Porto Velho foram exirigir do cidadão, que por sinal era analfabeto de pai, mãe e avós.

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As chaves das salas do edifico.

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O diálogo entre as partes foi mais ou menos assim:

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– Companheiro viemos aqui para que você nos entregue a chave das salas do edifício “Bizu”, pois vamos finalizar o acabamento das instalações para alugar.

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– Chave de que?

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Perguntou o “dono” do imóvel.

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– As chaves das salas do “Bizu”.

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– O que vocês pensam que são?

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– Somos o dono do prédio!

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– Então me tragam aqui a documentação dizendo que esse imóvel é de vocês,

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– Que é isso companheiro? Fizemos um trato e agora estamos querendo que você cumpra a sua parte!

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O cidadão disse que não havia assinado nenhum trato com eles  e que por isso o prédio era dele de fato e de direito.

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Diante disso, um dos metidos a inteligente questionou:

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Mas, você não disse que é analfabeto!

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Sim! Analfabeto é uma coisa! Ser burro é outra!

REVEILLON

 

Bloco Mistura Fina está ensaiando

 

 

Os encontros estão acontecendo na esquina da rua Jacy Paraná com a Brasília na calçada do bar do Calixto

 

 

O Bloco Mistura Fina que há 27 anos desfilas pelas ruas do centro de Porto Velho  no dia 31 de dezembro, dando adeus ao ano velho e boas vindas ao ano novo, já está ensaiando com os cantores e músicos que fazem parte da troupe de na animação do Bloco. Os ensaios acontecem no Bar do Calixto a rua Jacy Paraná esquina com a rua Brasília na divisa dos bairros, Nossa Senhora das Graças e Santa Bábarba. Quinta feira dia 21, foram apresentadas as novas músicas, em sua maioria marchinhas, que serão agregadas ao repertório tradicional do bloco. Entre os compositores que apresentaram música nova estão, Waldemir Pinheiro da Silva –Bainha; Waldison Pinheiro – Misteira e o Altair Lopes – Tatá.  As Pastoras do Asfaltão marcaram presença e ensaiaram além do samba enredo da escola para 2012 que é de autoria delas, as músicas das quais participarão como coristas.

O Bloco Mistura Fina é o legítimo bloco de sujos, pois seus brincantes utilizam pó de arroz ou maizena e até farinha de trigo para se caracterizarem e saírem pulando carnaval pelas principais ruas do centro de Porto Velho.

AGENDA:

28/12/2011(quarta-feira) – No bar do Calixto 2º Ensaio e fechamento do repertório do Bloco (se houver necessidade marcaremos outro para o dia 30/12).

Se você tem um repertório que gostaria de fazer no dia, venha e traga pra compartilhar. Se não é o caso, venha pra aprender e brincar.

31/12/2011 – Saída do Bloco – CONCENTRAÇÃO a partir das  13:00 na Rua Bolívia, esquina com a Joaquim Nabuco. 
Este Bloco não tem corda. Os seguranças são os (as) amigos(as) um deve cuidar do(a) outro(a), pois, como dizia o Babá: “ Venha em Paz,  Essa é a melhor fantasia,  Que VOCÊ pode vestir e brincar”.

CONTO

 

 

O Brinquedo e a Criança

Por: Luiz Albuquerque (*)

 

“Moço, pega essa bola pra mim?”

Aquela voz sumida, infantil, quase imperceptível no barulho da rua onde carros passavam velozes, soou dentro de meu cérebro como se lá tivesse nascido. Mal me dei conta. Ouvi, novamente, o som quase choroso. “Moço, pega a bola”. Então tive certeza que alguém me chamava. Olhei em volta. Atrás de um portão estava uma criança de quatro ou cinco anos. De cuequinha, de pés descalços. Seu olhar era triste. E, abaixo dos olhos, um filete de pó escorrido no rosto mostrava que por ali haviam rolado lágrimas há pouco.

“Moço, a bola!”. Disse, indicando com o dedinho. Pensei em ir embora. Aquele povo todo passando e eu ali, parado, olhando para os lados, procurando uma bola. Pensei: “Que diabos! Onde está a tal bola?”. Ele, parecendo adivinhar meu pensamento, apontou novamente e falou “Ali!”. Então a vi, na sarjeta. A bolinha, murcha, com um enorme rombo. Um carro devia tê-la estourado. Peguei o que restava da bola, passei pela grade e entreguei ao menino. Um sorriso. Não, não era só um sorriso! Era um brilho, uma luz, como se um novo dia nascesse naquele momento, naquele rosto. Ele pegou a bola murcha com as duas mãozinhas e a colocou contra o rosto, carinhosamente, apertando-a, como que matando uma enorme saudade. O rosto nada mais tinha de tristeza, e somente o sulco das lágrimas mostrava que a tristeza ali havia morado, mas que já  se mudara. Fiquei imaginando o tanto de tristeza da criança ao ver que seu brinquedo havia fugido portão afora para morrer, num estouro, sob as rodas de um apressado carro. Olhei. Ele já ia, de costas para mim, chutando a bola murcha. Quanta alegria!

 

Que tal distribuir um pouco do que temos em presentes baratos para quem nem isso tem?

 

Feliz Natal. Um Ano novo de Prosperidade, Felicidade, Saúde, Paz e Amor!

(*) o autor publica o jornal de bolso Leitura no Ônibus

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