‘Rondônia não tem boa infra-estrutura urbana, mas, tem belezas naturais, que podem ser mostradas e ser exploradas para turismo’

 

Augusto Branco – Pelos Céus de Rondônia

 

O escritor rondoniense de Porto Velho, Augusto Branco cujos livros foram os mais vendidos da editora portuguesa Palco das Letras em 2.011, está trabalhando no Projeto que ele denominou de “Pelos Céus de Rondônia”. “Minha idéia é aproveitar essa história de que vou ter livros publicados em mais 15 países e em conseqüência vai ter gente de todas as partes do mundo procurando me conhecer. Quando eles me acharem vão encontrar Rondônia também e vão ficar com vontade de vir pra cá conhecer, ver as nossas belezas naturais”.

Quinta feira passada Augusto Branco apareceu na sede da Banda do Vai Quem Quer a minha procura pra justamente falar sobre seu Projeto e lá juntamente com a jornalista Yalle Dantas tomamos conhecimento da história desse jovem que, graças a uma decepção amorosa quando cursava a sexta série, se transformou no poeta rondoniense mais conhecido e lido no mundo. Augusto disse que idealizou o Projeto “Pelos Céus de Rondônia” após ter sido inserido na Enciclopédia virtual Wikipédia e ver que a história de Rondônia postada ali deixa muito a desejar. “Por isso no dia 15 de fevereiro começo minha vagem pesquisadora por todas os 52 municípios de Rondônia, seus distritos e vilarejos, ouvindo e gravando depoimentos de seus pioneiros”. Segundo o poeta cujos textos foram apresentados nos programas do Faustão e da Ana Maria Braga. “Esse Projeto é totalmente de iniciativa própria, até porque se eu fosse esperar pelo governo morreria e não realizaria nada”

Vamos à entrevista:

 

ENTREVISTA

 

Zk – Como surgiu a história de Portugal?

Augusto Branco – Foi o seguinte, os meus textos ficaram muito populares na Internet, ficaram conhecidos no mundo todo, e ainda teve a questão de terem sido citados na Ana Maria Braga e no Faustão. A partir dali tive uma editora que se interessou pelo meu trabalho e me contratou para publicar meus livros em Portugal. Hoje tenho três livros publicados lá, estou sempre entre os dez mais vendidos e ano passado, foram os mais vendidos da minha editora também.

Zk – Quais os títulos publicados em Portugal?

Augusto Branco – São livros da coleção chamada “Vida” e cada um tem subtítulo. O 1º é, “Já perdoei os quase imperdoáveis”, o 2º “Um dia saberás” e o 3º é “Vive apaixonadamente” isso está em português de Portugal. São livros para a pessoa presentear, cada página tem uma foto e um verso.

 

Zk – Quantos poemas existem em cada livro?

Augusto Branco – É um poema só em cada um. Por exemplo, o “Já perdoei os quase imperdoáveis” fala sobre cada fase da vida da gente que é constituída de vitórias, derrotas, decepções, mas, também de surpresas. Coisas boas e coisas ruins. Os meus textos são classificados como de auto-ajuda, apesar de não terem sido escrito com essa intenção. Eram desabafos que eu colocava nas folhas de papel. Não foram escritos nem como poemas, foram como desabafos e aí quando se publica, as pessoas se identificam: “Nossa parece até que foi escrito pra mim”.

 

Zk – Quando você descobriu essa veia literária?

Augusto Branco – Tudo começou mais ou menos quando tinha de sete pra oito anos de idade. Comecei escrevendo comédias, querendo divertir os outros, depois li alguns livros de suspense, gostei e comecei a escrever historinhas de suspense, terror, pra pegar e contar na beira da fogueira, contar a noite pra fazer medo pros outros. A poesia surgiu quando estava na sexta série e apareceu uma mocinha que viu um poema no quadro negro, que eu tinha escrito e ela perguntou: – Quem foi que escreveu esse poema? Eu só tinha copiado de um livro e colocado lá, então os colegas gritaram, “Foi ele” apontando pra mim. Ela era a menina mais bonita da sala e então perguntou – “Foi você que escreveu esse poema? – Foi, mas, não é da minha autoria, copiei do livro. Ela ficou triste e foi virando as costas pra mim e então remendei: Escrevo poesia também e ela, então escreve uma pra mim! Eu comigo mesmo: Poxa vida acabou o homem!

 

Zk – Foi então que realmente surgiu o poeta?

Augusto Branco – Fui pra casa determinado a me tornar poeta. O primeiro poema que fiz foi pra essa moça. Acabou que fiz um poema tão feio que ela nem ficou comigo nem nada.

 

Zk – Vamos voltar no tempo para saber sobre sua vida e dos seus pais?

Augusto Branco – Meus pais são, o seu Raimundo e a dona Rosa dois ribeirinhos que moravam no Amazonas e depois de uma tragédia na família com a casa pegando fogo e matando uma filha recém nascida, resolveram mudar de cidade e tinha um irmão que estava aqui em Porto Velho que era meu tio Moreno que os convidou a virem pra cá e aqui eu nasci. Todos meus irmãos cursaram faculdade e graças a Deus são bem sucedidos. O mais atoa da vida sou eu que sigo a carreira literária.

 

Zk – E como foi que as portas se abriram e seus textos acabaram sendo utilizados nos programas da TV Globos.

Augusto Branco – Quando resolvi fazer faculdade com 19 anos, confesso que chorei, porque queria fazer letras ou jornalismo porque eu me via como escritor e em virtude de ter que trabalhar, não consegui porque o curso era de dia,. Então fiz vestibular contra minha vontade para Administração, estudei até o sexto período, sempre fui o melhor aluno da classe, mas, não era o que eu queria. Então eu trabalhava na Caixa Econômica juntei minhas coisas, tranquei a faculdade e fui pra São Paulo em busca do meu sonho de me tornar escritor. Durante seis meses fiquei só escrevendo em São Paulo e joguei os meus escritos na Internet e acabou acontecendo o que aconteceu, ou seja, meus textos fazendo sucesso via TV Globo.

 

Zk – Agora vamos falar sobre o Projeto Céus de Rondônia. Como vai ser desenvolvido?

Augusto Branco – Em virtude de ter sido inserido como verbete na Wikipédia percebi que a história de Rondônia ta muito mal documentada, temos muita história, muita cultura, muitas pessoas importantes que não estão no seu devido lugar na história de Rondônia. Hoje a gente não pode mais falar de livro físico porque os estudantes não fazem mais pesquisa em biblioteca é só na Internet. A gente precisa colocar a história de Rondônia na Internet. Minha idéia é fazer uma Wikipédia de Rondônia, onde vamos resgatar a nossa cultura, as pessoas que realmente ajudaram a construir esse estado, ver as histórias que eles têm pra contar e colocar isso a disposição para nossos estudantes. É muito importante que o cidadão tenha orgulho do lugar onde mora.

 

Zk – Qual a certeza de que esse trabalho será conhecido do grande público?

Augusto Branco – Minha idéia é aproveitar essa história de que vou ter livros publicados em mais 15 países, então vai ter gente de todas as partes do mundo procurando conhecer Augusto Branco. Quando eles me acharem vão encontrar Rondônia também e vão ficar com vontade de vir pra cá conhecer, ver as nossas belezas naturais. Rondônia até por efeito de não ter encontrado ainda governantes que realmente façam um trabalho para embelezar as nossas cidades, não temos boa infra-estrutura urbana, mas, temos belezas naturais, que podem ser mostradas e pode ser explorada para turismo.

 

Zk – Quanto tempo vai durar essa pesquisa?

Augusto Branco – Mais ou menos um ano. Vou viajar por todos os municípios, distritos, vilarejozinho existente em Rondônia, fotografando, filmando, entrevistando as pessoas, recolhendo, fazendo um apanhado histórico, cultural e turístico de Rondônia.

 

Zk – Isso vai ser disponibilizado na Internet?

Augusto Branco – Vou criar um site que estou chamando de Wikipédia de Rondônia, transformar em documentário pra ser exibido nas escolas e transformar também em um livro e mostrado com meus próprios poemas.

 

Zk – Pelo que você me disse essa pesquisa vai ser muito dispendiosa. Quem está patrocinando isso?

Augusto Branco – A iniciativa é particular. Por que vou fazer pela iniciativa particular? Porque se eu for fazer com o apoio do governo, por exemplo, é capaz de o Augusto Branco morrer e não fazer nada. Mas, todo apoio que vier, seja de governo, seja da iniciativa privada, será bem vindo.

 

Zk – Da pra viver de literatura? Quem está fazendo essa pergunta é a amiga Yalle Dantas!

Augusto Branco – Desde que você venda bem. Hoje a gente tem que ver que o Brasil, por exemplo, é um País que ainda lê pouco. No Brasil é difícil viver de literatura. Outra coisa, estamos entrando na era do e-book, na era virtual. Hoje o pessoal não compra mais livro, vai a Internet e o que eles fazem, compartilham com os amigos e não compram.

Zk – No teu caso, como é o ganho, tem um fixo da editora ou não?

Augusto Branco – Ganho por venda. O escritor tem direito a dez por cento de direito autoral por lei. É uma coisa engraçada essa da exclusividade, quando o autor é desconhecido a editora não quer investir na exclusividade por não saber se o escritor será sucesso e quando o escritor tem sucesso já é ele quem não quer exclusividade porque ele sabe que pode aparecer outra editora pagando melhor. Às vezes a exclusividade é apenas para aquele país.

 

Zk – No teu caso?

Augusto Branco – Lá em Portugal a Palco das Palavras tem exclusividade minha para Portugal, aqui no Brasil já é a Vergare Riba que também comprou para o Espanhol, para a publicação em língua inglesa será outra editora que já estamos negociando.

 

Zk – E a questão da tradução?

Augusto Branco – Isso é por conta deles. Até mesmo para traduzir para o português de Portugal. Tem algumas coisas que a gente fala aqui no Brasil que eles não entendem. Tem um verso meu que diz assim: Já quebrei a cara muitas vezes. Quando a gente fala isso aqui no Brasil se entende que o cara foi decepcionado. Lá em Portugal eles pensam que alguém me bateu e quebrou a minha cara. Lá o verso ficou assim: Já fui decepcionado muitas vezes.

Zk – Qual o texto de sua autoria mais conhecido?

Augusto Branco – O nome dele é Vida. A mensagem final dele é muito boa pra você pegar e colocar pras pessoas no dia-a-dia. A mensagem final dele diz:

 

Zk – Para encerrar?

Augusto Branco – Bom mesmo é ir à luta com determinação/Abraçar a vida com paixão/Perder com classe e vencer com ousadia/Porque o mundo pertence a quem se atreve/E a vida é muito para ser insignificante!

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