Texto recebido do amigo Antonio Serpa do Amaral Filho (Serpinha ou Bazinho).

RATOS, URUBUS, LARGUEM A NOSSA PORTO VELHO!

“Gregório de Matos contempla a Capital e percebe que em tristes sombras morre a formosura”

 

Será um terremoto? Será um sentimento antimundo? Será uma guerra contra a formosura? Será o efeito da bomba de desrespeito? Será a tábua das dez pragas do Madeira? Será uma equação criada para transformar a nossa cidade em um monumento de escombros, buracos, sujeira e feiúra? Será o amálgama entre dobras dos mundos que se retorcem para conter a espacialização do abandono? Ou a nossa realidade é apenas o caos em estado de vivacidade bruta? O Oráculo não responde porque qualquer palavra seria apenas truísmo. Mas todas as respostas contêm a nossa indignação: “Ratos, urubus, larguem a nossa Porto Velho!”.

 

O Japão foi assolado por um grande abalo sísmico, seguido de tsunami. Boa parte da região foi destroçada ou engolida pelo furor da Natureza. Em aproximadamente um ano, para admiração geral, boa parte da paisagem anterior foi reconstruída. Num verdadeiro passe de competência, pontes, aeroportos, prédios, casas e, principalmente, o moral foram soerguidos e mostrados ao mundo como um fantástico exemplo de vida.

 

Cá, a cidade não foi vítima de nenhum acontecimento natural abrupto e devastador. Contudo, é sacrificada pelo abalo sísmico do desrespeito e da incapacidade de tornar esta Capital local aprazível para morar. Aqui, não se consegue concluir nem (mesmo) uma reforma de rua ou praça. E, quando alcança a conclusão, a impressão é de que nada foi feito.

 

Nossas ruas parecem uma imagem surrealista: remendos derretidos, buracos, pneus amontoados, barricadas, madeirame e muita, muita lama. Andar em Porto Velho virou um autêntico balancê de rali. Será que os mandatários acreditam que todos andam de picape 4×4? Na verdade, manter a cidade inteira nessa situação só pode ser uma apologia a “vida digna de seres da imundície: ratos e urubus”. Outrora o direito de ir e vir pressupunha transitar por ruas condignas…

 

Os acontecimentos desse jaez são vários. Uma passarela, às claras, mal feita, despencou e matou um nobre operário. A conclusão da construção de simples viadutos aparenta ser uma missão impossível.  O processo de urbanização da região ao fundo shopping há anos não tem data para iniciar (ou a mudança é permanecer na lama?). O sofrimento dos porto-velhenses parece uma via-crúcis infindável. Pior: a incompetência foi quem pariu todos esses filhos monstruosos. É o Povo quem paga a pensão…

 

Para completar o cenário de horror, uma cratera vulcânica nasceu no meio da BR 364. Análoga a uma flor de pânico, ela trouxe quilômetros de angústia para o cidadão. Ônibus, carros, caminhões em uma situação digna de um conto de Kafka: absurda. Pessoas sem poder voltar para casa ou ir para o trabalho. Todos presos em razão de mais uma demonstração do descaso com os porto-velhesenses. Ao redor, lânguida e sem esperanças, vê-se a verdadeira face desta Capital: nos bairros da Zona Leste, milhares de cidadãos sem o mínimo vital, seja de saneamento básico, seja de educação, seja de meio ambiente saudável. Pessoas esquecidas pelo Poder Público que, somente agora, com o trottoir de veículos mostram as suas condições precárias de subsistência.

 

Essa realidade agonizante não poderia ser o retrato da normalidade. Como é notório, Porto Velho, na última década, foi afortunada pelos vultosos investimentos trazidos pelas obras das usinas e pelo programa de aceleração do crescimento. Apesar disso tudo, o índice de desenvolvimento humano permaneceu sem avanço significativo. Repete-se o óbvio: apesar de tanta riqueza material e humana, esta cidade não consegue perder o título de capital  mais feia do Brasil. E a pergunta surge: quando todos esses recursos minguarem, o que se fará para melhorar qualidade de vida desta Capital?  Talvez digam, cinicamente, que é muito difícil desenvolvimento sem grandes recursos financeiros.

 

Conquanto esse cenário esteja sombrio e o sentimento de mundo deles é acabar com esta cidade, Porto Velho resiste e não tombará diante desses barqueiros da ruína. A moeda ainda está a girar…

 

Para desespero daqueles que não amam esta Capital, a mudança é sistêmica e irreversível. A Lei da Ficha Limpa veio como um tsunami sobre uma gama de pessoas não gratas. Agora, não basta apenas um currículo político hígido, limpo, é preciso competência para gerir a grandeza desta Terra Karipuna. E o passo seguinte e revolucionário vai ser quando respeitar Porto Velho for um hábito de todos.

 

Enquanto isso, o Boca do Inferno brada: RATOS, URUBUS, LARGUEM A NOSSA PORTO VELHO!

 

Ação Popular: Respeitem Porto Velho!

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