Diz a Lenda – Vem a Maria Fumaça

Texto e fotografia: Beto Ramos

 

Vem a Maria Fumaça.

Bailando sobre os trilhos.

Dormentes cheios de cor.

Bandeira do Brasil jogada ao vento.

Pátria amada em muitas cores.

A velha Maria Fumaça vai sendo movida pelos sonhos.

Máquinas fotográficas dispararam seus diafragmas e obturador.

Algumas lentes mostram a verdade.

Outras buscam a fantasia que vai ser levada pelo carnaval.

Vem a Maria Fumaça.

Centenária e cheia de magia.

Trilhos cheios de luz e trevas.

Os mundiças continuam sendo ignorados.

Cheios da energia do impacto, os passageiros já não chegam à estação.

Tu é leso é?

– Vai ter festa cheia de caraminguás dos milhões investidos.

Dentro do vagão, alguém pisou em fezes.

– O que tentaram fazer com o nosso patrimônio histórico?

Isso é coisa antiga.

Vovô já reclamava disso.

Gostaria de saber a contrapartida das fantasias levadas pelo carnaval.

“Abraçado a Porto Velho, conheci o rio Madeira…”.

Quando esta canção do conhecedor da nossa história e poeta do Tracoá chega aos meus ouvidos, nos olhos nascem lágrimas.

É de uma magia incomum.

Piui, piui olha o trem!

Gostaria de ouvir está canção no centenário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré.

“Como era gostoso o balanço do trem, quando eu viajava junto com meu bem…”.

Está é do poeta dos barrancos de São Carlos.

Aquele que incomoda, mas, que é fundamental falando a verdade e colocando lenha na fogueira.

“Você precisa ver, para saber como é que andava o trem na Madeira Mamoré”.

Está canção na voz do Bubu, ilumina os trilhos até Guajará Mirim.

Gostaria de ver o Bubu iluminar o centenário, deixando os cabelos da gente todos arrupiados, arrupiado como diria Dom Lauro.

“Da Candelária eu vi o trem passar…”.

Ver o trem passar com o cheiro de café que nossas casas possuíam, assim como a do Mávilo.

Ouvir o Misteira com as pastoras exaltando em preto e amarelo o centenário.

“Porto Velho meu dengo…”.

Sentir a emoção do poeta da cidade, fazendo uma declaração de amor à cidade de Porto Velho.

Ver aquelas folhas feitas pela Lu Silva, serem levadas pelo vento na mais bela interpretação do Pirarublue.

Ouvir o Binho cantar e lembrar tantos lugares e tantas pessoas.

Ver o Mado encenar na praça, ao ar livre, sem fóruns, sem articulações, apenas fazendo a sua viagem teatral com o rosto pintado de todas as cores.

Ouvir o Baaribu, o Bado, Os Anjos da Madrugada e o Carimbó.

Tem o teatro de bonecos, a turma do teatro de rua.

O Anízio para fazer a abertura da comemoração.

Vem a Maria Fumaça.

Chegando à estação dos nossos sonhos.

Cem anos de história.

Cem anos de solidão.

O reboliço todo é apenas no ano do centenário.

E se não existissem as compensações da luz e das trevas?

A velha rotunda continuaria abrigando a sujeira e a delinquência. Vamos ver o dia amanhecer no complexo ferroviário com o apito do trem.

Vamos mostrar para o mundo que não fazemos apenas negócios. Vamos mostrar para o mundo que possuímos raízes profundas na cidade que começou a crescer a partir do rio Madeira.

Vamos levar para o palco todos os trabalhadores ainda vivos da velha Estrada de Ferro e homenageá-los por terem participado do surgimento e sepultamento, e quem sabe ver agora o ressurgimento deste patrimônio que é acima de tudo nosso.

 

 

Diz a lenda

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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