HOMENAGEM AOS BALUARTES

 Bola 7 (In Memória) e ao Torrado

 

O Projeto “Só Bambas”, criado a partir da parceria entre a Escola de Samba Asfaltão e o Grupo Só Bambas, nesta sexta-feira (31/08/2012), prestará justa homenagem ao Bola 7 (In memória) e ao Torrado, dois grandes baluartes da história do Samba de Porto Velho.

 

Bola 7 (In Memória) – “Cidadão de Cor”

Eliezer Santos que foi muito conhecido como Bola Sete, nasceu no dia 11 de agosto de 1923, no município de Itororó no estado da Bahia. Chegou em Porto Velho em setembro de 1943 como soldado da Borracha, ano em que o Presidente Getulio Vargas assinou o Decreto de criação do Território Federal do Guaporé.

Trabalhou no Hospital São José, foi jardineiro e vendedor de bombons na praça Mal. Rondon.

Boxe luta livre e capoeira era o seu esporte favorito na época, por conta disso criou uma academia de luta livre.

Foi o primeiro cambista da cidade, como seus amigos gostavam de chamá-lo, porque vendia bilhete da loteria federal e escrevia jogo do bicho.

Folião nato, presente a todos os eventos da cidade, sempre brincalhão e cutucando os amigos pra agitar a conversa. Personagem eclético era serio quanto à espiritualidade, sua devoção a São Cosme e Damião, Semana Santa e é claro o culto aos orixás faziam parte da sua vida.

No samba e na boemia, conviveu com os grandes bambas e reis da noite da cidade e nesse ritmo de vida o transformaram em um dos precursores dos primeiros movimentos culturais e carnavalescos da cidade quando criou movimento das Pastorinhas (folclore brasileiro de influencia portuguesa que faz parte do ciclo natalino) e, juntamente com amigos fundou a escola de samba “Deixa Falar” em 1946. Devido sua dedicação e zelo é considerado como um dos fundadores da escola de samba “Os Diplomatas do Samba” a escola do seu coração.

Sempre primou pela família, dignidade e amizade, valores que norteavam sua personalidade contagiante, alegre e sempre bem humorada que formou uma verdadeira plêiade de amigos ao longo de sua vida.

A expressão: Negão não, cidadão de cor! (expressão carinhosa e alegre que respondia, sempre que os seus amigos, nas rodas de samba, o chamavam de negão) ficou marcada para sempre entre seus amigos e seus familiares.

Bola Sete faleceu aos 33 minutos do dia 13 de dezembro de 1985, no Hospital Prontocor.

Pelo reconhecimento na cultura do carnaval e do samba em Porto Velho, e, em respeito à sua história, a atual gestão municipal de Porto Velho inaugurou em 2007 a Praça Bola 7, que fica localizada no conjunto 4 de janeiro.

 

Torrado – Intérprete e Compositor

José Luiz Machado de Assis, que quando criança vendia amendoim torradinho passou a ser chamado de Torradinho, hojemais conhecido como Torrado, nasceu no dia 19 de março de 1948, na cidade de Manaus-AM. Foi criado no bairro do Boulevard Amazonas, à Av. Airão. Casado a 34 anos com a Srª Elizabeth (Bete), desta união nasceram os filhos Julio, Lissandra, Lícia e seis netos.

Sua infância foi como o passar do vento, com recordações que até hoje em sua memória lhe deixa um sorriso no rosto. Sua juventude foi e é o espelho que transportou para seus filhos com alegria, HONESTIDADE e RESPEITO.

Criado no mundo do samba, desde o Boulevard até o bairro da Praça 14 de Janeiro, que originou seu começo no mundo do samba, em Manaus sua cidade natal. Sua primeira experiência como compositor, foi na escola de samba Estação 1ª do Boulevard do Amazonas, com o tema “Falem bem ou falem mal, mais Falem de mim isso é normal”.

Nos idos de 1963, foi desfilar como passista na Escola de Samba Mista da Praça 14 de Janeiro, que na época dominava o carnaval Amazonense.

Torrado foi servir a pátria no vigésimo sétimo (27) batalhão de caçadores hoje (Bis) Batalhão de Instrução de Guerra na selva, onde seu comandante foi o coronel Jorge Teixeira de Oliveira, que ao passar no espaço de recreação, de onde vinha o som do surdo, cavaquinho, pandeiro e violão, convidou várias pessoas que ali estavam para fundarem a Escola de samba nos moldes das escolas que desfilavam no Rio de Janeiro, com instrumentos de metais na época mais modernos, já que as escolas de samba daquele tempo ainda afinavam os seus instrumentos esquentando com jornais.

Torrado que no quartel era conhecido como ASSIS, junto a militares e civis foi um dos fundadores da Escola de Samba UNIDOS DA SELVA, seus parceiros à época eram: Jailton Sodré, Gilson, Cócó, Zezinho Pipira, Tapioca, Zé velho, Lucio Medeiros, Zeca Tatu, Mio, Nedison Medeiros e outros. No ano de 1974 seu tio Fernando Medeiros, em festa de aniversário da família reuniu seus filhos, sobrinhos e amigos e pediu para que eles fundassem uma nova Escola de Samba, pois o bairro da Praça 14 de Janeiro não tinha sua real alegria: “o samba”, e com a ajuda da Tia Lindoca foi fundado então, o Grêmio Recreativo Escola de Samba VITÓRIA RÉGIA, que até hoje para o Torrado é seu dengo e sua paixão.

Competindo pela sua nação Verde e Rosa foi coroado o 1º Cidadão do Samba da cidade de Manaus. Em sua escola já fez de tudo, foi porteiro, garçom, empurrador de carros alegóricos, batuqueiro, mestre de bateria, mestre sala, compositor e intérprete. Tendo sido premiado por três vezes, com o Estandarte de Ouro do Jornal “Acrítica”, como intérprete.  Sempre fazendo parte do conselho do GRES VITÓRIA RÉGIA até os anos de 1990, quando após idas e vindas, veio morar definitivamente em nossa querida Porto Velho.

Desde 1968, a trajetória deste Bamba do samba em Porto Velho e Manaus, se confunde, pois, no período de carnaval, o Torrado, vive literalmente em uma verdadeira “ponte aérea”.

Em 1972, em pareceria com Silvio Santos, fez sua primeira composição em Porto Velho para o Bloco do Purgatório que saia do bar do canto, e, com o mesmo parceiro em 1990, compôs o samba para a Escola que adotara como sua em Porto Velho, a Unidos da Castanheira e ainda os Diplomatas do Samba. Como compositor, brindou também várias outras agremiações e blocos de carnaval como Armário Grande, Pobres do Caiari, Galo da Meia Noite, Rio Caiari, Imigrantes, Chupa mais não baba e Outros.

Funcionário do Tribunal Regional do Trabalho – TRT, há 23 anos, atualmente reside na cidade de Guajará Mirim com sua esposa, trabalhando na 1ª Vara do Trabalho do TRT.

Pela história, o legado, e, acima de tudo, pela resistência em defesa da cultura popular em especial da história do samba, a Família Asfaltão prestará esta justa homenagem a estes dois Baluartes do Samba.

O Projeto “Só Bambas” acontece às sextas-feiras na Tenda do Tigre, localizada na Rua Jacy Paraná, entre Brasília e Getúlio Vargas.

Prestigie!!!  

 

 

Silvia – 9982-9381

Dir. de Comunicação do GRES ASFALTÃO