“a estrela e a saia vermelha, o batom e o voto.”

 

LÁ VAI FÁTIMA CLEIDE!

 

Por: Altair Santos (Tatá)

 

Domingo – 7de outubro, Porto Velho vai levantar bem cedinho e vai eleger a mulher! De quebra, a cidade porto vai dar um grande salto na ruptura com os ainda evidentes preconceitos embarcados na viciada nau política local e vai soprar pra bem longe a herança neoliberal que, por décadas, habitou a proa e o convés do poder no pós-ditadura e que teima em sobreviver, pelas mãos de uns tantos caudilhos e seus herdeiros. O velho batelão da política do mau jeito, à deriva, distancia-se dos ancoradouros pátrios e, sem calafeto, naufraga nas turvas águas do seu próprio rio. Imune a isso tudo lá vai a mulher! Lá vai Fátima Cleide, de cara ao sol, cabelos e saia ao vento, “nos beiço da caboca” o rubro do batom, no coração a incontida vontade de grafar verdades e esperanças nas vidraças, muros e janelas da cidade, assim como faz a amada em recado audaz ao namorado. Neste domingo, desde cedo, a saia vermelha sairá às ruas tremulando ao vento e desfilará aniquilando pavores industrializados, atropelando apelos maldosamente arquitetados, fulminando inverdades de toda ordem. Lá vai Fátima, de Porto Velho, do Pt, do 13, do povo, firme como ela só, silenciando mantras de mau agouro, arrebanhando crentes e descrentes, apaziguando fervorosos da fé maior e da fé nenhuma. Lá vai a mulher, lá vai Fátima atravessando templos e igrejas, cortando terreiros e quintais, respeitando as cruzes e os credos, se mostrando forte, corajosa, verdadeira, destemida. Lá vai Fátima Cleide, urbana e beradeira abraçando migrantes e conterrâneos, promovendo o enlace humano, exortando o xenofobismo. Lá vai Fátima Cleide guerreira com cheiro de mato, mãe, amiga, mulher, suave como rosa do jardim, nativa como pura seiva do tronco amazônico donde jorra com fluência e força, a garra, os cantos, os poemas e amores por seu povo. Lá vai Fátima, como nós todos, herdeira da ferrovia, navegante do Madeira, canoeira dos igarapés.  Lá vai Fátima, ungida por bênçãos, preces e axés, exalando o cheiro de aromatizantes do vasto herbário tupiniquim e tudo de bom que lhe for endereçado. Lá vai ela, Fátima Cleide, com forte apego e respeito à vida e aos viventes, rumo ao paço municipal para promover a justiça social. Vai lá Fátima! Te é missão, manter Porto Velho no seu irrequieto curso de avanços e mudanças . Vai Fátima! Vai adornada com o brilho da estrela, firme no balançar da saia, vistosa ao vermelho do batom, irradiante ao lume da estrêla, suficiente em força, capacidade. Vai lá, vai manter em contínua, feliz e franca transformação a tua, a nossa, Porto Velho que não quer e não vai retroceder. O hinário amazônico, no seu melodioso, traz como viva cantiga, canção ou modinha, uma parte que diz: Fátima Cleide e eu, Porto Velho e você: alegria, um riso sem dor, uma história de amor!

 

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