DE PAI PRA FILHO

A veia artística vem de longe. No tempo e na geografia. Antonio Serpa, o querido Basinho d’A Fina Flor do Samba, ou simplesmente Serpinha, como costumo chamá-lo, traz de outras gerações o gosto e o talento para a música.

E, hoje, vemos seu filho seguindo a mesma trajetória.

Tá no sangue! Tá na veia!!! É talento que não cabe em um só! Por isso se espalha pela família toda.

Parabéns, amigo. A você e toda a família.

Amaral Neto: pandeirista do nosso Brasil! 

Por Antonio Serpa do Amaral Filho 


 

Entregamos em tuas mãos um antigo instrumento musical, tão antigo quanto a humanidade.  O mesmo pandeiro que hoje desfila garboso na Passarela do Samba outrora foi visto entre os homens, em pândegas e furdunços neolíticos, havendo, ainda, quem o tenha visto bem antes, no paleolítico, animando as festas das tribos nômades que perambulavam a esmo pelas terras mundanas sem cerca e sem dono. Em todas as grandes civilizações do passado, do Crescente Fértil ao Egipto, passando pela Grécia e Roma, o pandeiro marcou presença, como uma espécie de convidado especial de toda essa gente, inclusive das tribos que povoaram ao largo do Mediterrâneo.

O pandeiro é quem te escolheu, sem que tu o tivesse escolhido. Com ele experimentaste a mais sublime vivência da inteligência: o autodidatismo. Ser autodidata é fazer a si mesmo, construir a si mesmo, ser professor e educador de si mesmo, num processo cada dia mais raro e sempre fascinante. No autodidatismo, a inteligência é início, meio e fim em si mesma.

E já que ele te escolheu, escolhemos Jackson do Pandeiro para ser o paraninfo do teu batismo como Pandeirista do Brasil.

As cores fortes do nativismo tupiniquim é para lembrares de valorizar a cultura de tua gente, a poesia de Nelson Cavaquinho, a sabedoria musical de Cartola e a malemolência interpretativa e risonha de Martinho da Vila.

Por isso, com as bênçãos de Jackson do Pandeiro e de todos os Santos da Bahia, inclusive Nosso Senhor do Bomfim, te batizamos Amaral Neto, autêntico Panderista do Brasil Brasileiro, esse mulato inzoneiro. És pandeirista por nata vocação, por inspiração divina e por mérito especial da congnição intuitiva.

Parabéns pelas duas grandes vitórias, pelas duas medalhas de ouro nos vestibulares, pelas conquistas e pelas alegrias que contagiam o teu coração e ecoam nos nossos corações, a reverberar as alvissareira ondas que anunciam novos e bons tempos daqui pra frente, tempo de grandes parcerias, como a do primo Marcel Amaral, tempo de estudo e descobertas, tempo de ciência e profissionalização. Faz ecoar teu pandeiro por onde quer que andes, ele é um símbolo da tua inteligência abençoada, da tua luz interior e da tua espiritualidade híbrida e calcada na herança das três raças. Panderista do Brasil, nós estaremos  sempre do teu lado pro que der e vier! Parabéns!!!

Teu pai Basinho, tua mãe Joana Darc e teu tio Miguel Amaral