DIZ A LENDA – DECEPÇÃO

Por: Beto Ramos

Caminhei pela Rua da Palha.

Parei na Rua do Comércio.

Segui novamente na Rua dos Portugueses.

Fechei os olhos na Rua Curral das Éguas.

No chão, a vergonha de um vermelho que possuía um investimento como ideologia.

A Máquina 18 não voltou do centenário cheio de ilusões.

As marginais cheias da lama dos marginais, vão nos deixando dentro de um igapó vermelho de vergonha.

Os homens e seus argumentos cheios de porcentagens, descaradamente, seguem como déspotas que formam grupinhos que se abraçam, rumo à porta dos fundos da história.

Beradero da canela tuíra conhece curva de rio.

Mas, as palmeiras reais continuam na entrada da Estrada de Ferro Madeira Mamoré.

Cazumbá continua pensativo e soltando fogo pela venta.

Anda com medo do Papai Noel da cultura dos dez por cento.

Os pássaros de arribada continuam com seus voos rasantes cheios de deboche com a nossa população.

A cultura disfarçadamente vai tomando os rumos de negócios de poucos.

Minha avó falava que o costume do cachimbo entorta a boca.

No caso da vergonha em carmim, abriram-se as portas dos fundos da história.

Mas, existe por ai bom cobrador que é muito mau pagador.

Tem quadrilha dentro de quadrilha.

Malandro demais se atrapalhando dentro das evoluções e harmonias, vivendo aparentemente apenas de fantasias.

Mas, nossa terra karipuna está em transição, ou transação, bem próxima do fim do mundo.

Ou será o início de tudo outra vez?

Diz a lenda