Bom dia a todos.

Ontem, por um motivo especial, omiti-me das “atualidades”. Mas, passados já quase três dias, não se pode ainda dormir sem pensar na grande tragédia que se abateu sobre a linda Santa Maria.

E pensar nas famílias das vítimas, naquelas que ainda sofrem nos hospitais, naquelas que ainda virão a sofrer pela inalação da fumaça tóxica nos coloca num paradoxo.

Enquanto uns pensam na dor outros pensam apenas na punição dos culpados, como se isso fosse de alguma maneira aliviar o sofrimento dos que perderam entes queridos ou oram pela recuperação dos que sobreviveram.

Não adianta agora o poder público se manifestar numa verdadeira “caça às bruxas”.

Em nome do vigor da juventude, vêem-se diariamente adolescentes ingerindo bebidas alcoólicas, com a conivência dos pais e, principalmente, das autoridades.

Isso é rotineiro em qualquer cidade de médio ou grande porte.

Carros com som ligado até altas horas da noite (muitas vezes de dia, mesmo) com jovens ingerindo bebidas que são direcionadas para sua idade.

As casas noturnas abarrotam-se de público, muitas e muitas vezes superior à lotação permitida. E, isso também, sob as vistas grossas das autoridades.

Como bem disse um pai: É uma tragédia anunciada.

Está bem claro que poderia ser evitado um final de festa tão doloroso quanto este.

A comoção que hoje invade nossos lares já invadiu outras casas em outros países. Mas não serviu de exemplo. Não foram observadas, de novo, regras básicas de segurança.

Sabe-se, pelo depoimento dos próprios integrantes da banda, que o show de pirotecnia era o auge da apresentação. Ansiosamente aguardado pelo público que, em nome da “santa ingestão etílica” (quem sabe de outras substâncias?…) “não dava a mínima” para os princípios básicos de segurança.

Pergunta-se agora: O tal show de pirotecnia nunca foi assistido por nenhuma autoridade ou agente de segurança? Não era para ser proibido em locais fechados, ambientes internos ou de teto baixo?

Por outro lado, o isolamento acústico, tão exigido pelas autoridades, não poderia ser de material tão altamente inflamável. Parece ilógico que os bombeiros estivessem “em processo de liberação” e não tivessem visto que tal material poderia levar a um final desse tipo.

Tenho um grande amigo que mora em Santa Maria. Não consegui informações a seu respeito ou de familiares. Ainda tento, na esperança de que pelo menos ele e sua família, estejam bem.

Mas a tortura dos pais que viram os sonhos dourados de seus filhos e filhas tolhidos de uma vez? Isso jamais se apagará.

Costumo dizer e repito: As feridas saram, a dor passa. Mas as cicatrizes ficam para lembrar, sempre!

Bom dia!