Faço minhas as palavras do amigo escritor Sergio Ramos.

Pior do que mentir é fazer outra pessoa mentir e esconder-se atrás da cortina.

O que o governo atual vem fazendo pela cultura rondoniense não é pecado, É DESASTRE!

Chicão Leilson afirmou (agosto de 2012) em plena quadra do bumbódromo de Guajará Mirim, diante dos protestos dos artistas que a verba do convênio seria liberada na quarta feira seguinte. Isso fez com que a festa começasse. Todos acreditaram nele.

Pouco tempo depois, já fora da SECEL, sem que a tal verba tivesse sido liberada, voltou atrás, afirmando que o Governador mandara cancelar todos os empenhos (EM JULHO).

Ou seja, mentira para proteger o governo que estava mandando-o embora.

E as demais promessas do Governador Confúcio Moura em relação à Cultura também foram para o beleléu.

Por isso considero muito bem vinda – em hora e plano – a crítica severa de Sérgio Ramos que segue na íntegra aí embaixo. Leiam só o desabafo de um artista do povo.

 

 

 

OPINIÃO

 

Em discussão a política cultural 2013

 

Por Sérgio Ramos (*)

 

Porto Velho, onde os mais idosos ainda se orgulham quando falam do melhor carnaval, melhor e maior festival folclórico e o melhor futebol. Essa fase passou, e parece que não voltará. É comum dizerem: “Porto Velho, terra do já teve.”.

Isso é o que se pode deduzir; em 2013 não houve desfile das Escolas de Samba, o estádio será demolido e não haverá o Arraial Flor do Maracujá.  Sem falar do teatro. Na verdade, é melhor que continue do jeito que está; pelo menos não estará gerando despesas, ou não terá mais materiais para se deteriorar. Se for concluído será um elefante branco; não funcionará.

Mas não era para ser assim. Vamos relembrar o que o Governador prometeu logo depois de eleito. Tudo registrado nos anais. Publiquei no meu blog – http://www.sergioramos.com.br – uma entrevista que ele concedeu ao incansável Zé Katraca, que fez a gentileza de me autorizar. Relembre os projetos que o principal funcionário público do Estado de Rondônia idealizou para a cultura, no dia 28/11/2010.

Para começar, o mandatário de Rondônia revelou: “Vamos regulamentar e sancionar a Lei de Incentivo a Cultura que já foi aprovada pelos deputados estaduais. Vamos criar o Conselho de Cultura e em consequência o Fundo Cultural. Vamos criar a secretaria de Cultura. Governador Confúcio Moura, em entrevista para o Zé Katraca -28/11/2010.”. Acreditei tanto nisso que mantive essa frase na seção de frases, por bom tempo.

Na mesma entrevista o governante do Estado da Madeira Mamoré decretou, na mesma entrevista:

“(…) desmembrar a Secel dividindo em duas secretarias, a de Cultura e de Esportes, porém isso leva algum tempo, (…) Creio que em seis meses isso será resolvido.”

“Independente de quem seja o secretário, temos um plano de governo para o setor cultural.”

“A pessoa que assumir a secretaria de cultura vai ter apenas que seguir o que a categoria discutiu e planejou. Com o mínimo de ajuste, o projeto de vocês será colocado em prática”.

Até então, ainda não havia sido escolhido o Secretário da Secel. O escolhido foi o Francisco Leilson Celestino de Souza Filho, o Chicão. Então, os projetos do Governador revelados na entrevista ao Zé Katraca, teve ressonância no novo Secretário, e não podia ser diferente, afinal, a política cultural é do Governo. E no dia 17/12/2010, nas mesmas condições da entrevista citada, publiquei no meu blog a entrevista com o Chicão. Escrevi na época, este comentário: “Nesse caso o Chicão é o responsável por realizar a política para a cultura, do governador Confúcio Moura, externada no dia 28/11/2010, em entrevista ao colunista cultural Zé Katraca”.

Então vamos recordar as responsabilidades do Secretário da SECEL para a cultura, definidas pelo principal representante do povo de Rondônia:

“(…) almejo primeiro resgatar a identidade, dar espaço, fortalecer e consolidar os movimentos culturais.”

“(…) O consenso geral é que a gente aproveite aquilo que foi traçado nesse período da eleição e as demandas históricas construídas pelos movimentos culturais.”

“(…) Vamos fazer uma parceria com a Fundação Iaripuna e utilizar as dependências do Mercado Cultural com as atividades envolvendo inclusive shows musicais, capoeira, carnaval, boi bumbá, quadrilha, teatro etc.”

“Tão logo o Orçamento esteja liberado a gente vai fazer o convênio, é claro que mediado com uma conversa com o governador vamos construir um grande carnaval este ano.” Realmente houve carnaval em 2011 e 2012.

“Desconfio que este ano o estado tenha condição de construir uma arena apropriada. Compartilho da idéia de que deve ser feito um esforço coletivo envolvendo prefeitura, governo do estado, demais órgãos correlatos e a Federon para que a gente possa estudar uma alternativa para que a gente tenha um espaço adequado que comporte a estrutura e a magnitude que é o Flor do Maracujá. Todos os municípios de Rondônia precisam saber o que é o Flor do Maracujá.”

“Estou recebendo uma secretaria sem muitos problemas”.

Isso foi externado em dezembro de 2010.

O Chicão deixou o cargo em 2012 – acho que cumpriu o seu papel, sempre com as perenes e crescentes dificuldades do setor cultural – e não conheço o novo Secretário(a).

2013, sem Carnaval popular, sem estádio, sem teatro e sem o Flor do Maracujá. Ah! Ouvi falar que a Casa da Cultura está também com sérios problemas.

Em sua última resposta na entrevista ao Zé Katraca, Leilson revelou: “Não podemos dizer que há ausência de política de esporte e ausência de política de cultura, muito pelo contrário, acho que temos que valorizar todas as pessoas que nestes últimos anos estiveram aqui na Secel”.

Em abril de 2011, no Programa “Viva Porto Velho”, o Governador Confúcio Moura revelou ao apresentador Viriato Moura, em reposta à sugestão de transformar o Palácio Presidente Getúlio Vargas no Palácio da Cultura: “O Palácio da Cultura abrigará a sede das diversas instituições culturas não oficiais além de Museu Artes Visuais, Centro de Documentação Histórica, Acervo de Imagem e de Som, Auditório etc. Haverá cursos gratuitos permanentes de artes visuais, música e dança”, revelou o jornalista, e completou: . “Esse é o desejo do governador Confúcio”, concluiu o entusiasta da cultura regional”.

Deu no Zé Katraca: “Será que Porto Velho deixará de ser a ”terra do já teve” e passará a ser chamada de “terra do nunca mais terá”?

Há algum exagero nisso? 

(*) O autor é agitador cultural e blogueiro.