CONFÚCIO, O BIANCO II

Por Artur Quintela

 OPINIÃO

Já faz tempo que a população da capital foi à frente do Tribunal Regional Eleitoral com cartazes alusivos à “demissão” do Governador Bianco, que conquistara a antipatia popular em virtude das demissões impensadas do funcionalismo público.

Mas não tanto tempo para que se tenha perdido na memória popular.

 

Agora é a vez do revanchismo através do Governador Confúcio. Revanchismo que ficou notório quando atacou de vez os funcionários de carreira (?) se assim pode-se chamar os que, concursados, lutam verdadeiramente para manter o Estado funcionando.

Sim, a afirmativa parece-me a mais correta, já que os ditos cargos comissionados (CDS) “vendidos” na campanha não trazem para o bojo governamental pessoas verdadeiramente comprometidas com o bem estar do Estado e sua população. Os “comissionados” sabem – com certeza – que sua situação é transitória. Apenas enquanto durar o governo que os nomeou, ou menos disso, até. Então… para que esforçar-se? Fazer (mal-feito) já está bom demais.

 

Já os concursados têm zelo pelo que fazem. Seu mister é levar ao cidadão o atendimento ideal, do jeito que querem ser atendidos.

Verdade é – diga-se de passagem – que em um estado (ex-Território federal) onde muitos funcionários públicos são do quadro da Federação a folha de pagamento não é assim tão extensa quanto se quer fazer pensar, exceto, é claro, pelos ditos CDS.

 

O que Confúcio fez agora com os funcionários (estaduais) que labutam incansavelmente, nas linhas de frente, no Shopping Cidadão, é, no mínimo, imoral.

Confúcio tirou-lhes as gratificações de função. Fez ardilosamente. Juntou alhos e bugalhos. Transferiu o quadro que pertencia à CGAG (Coordenadoria Geral de Apoio à Governadoria) – diretamente ligada ao Palácio do Governo – para a SEAS (Secretaria de Estado de Ação Social) e, dessa forma, suprimiu as gratificações.

Se o populismo pode achar que os cargos ali ocupados não merecem a dita gratificação, é bom lembrar que o quadro atual do Estado de Rondônia não contempla os técnicos de nível médio com salários compatíveis com as funções desempenhadas. A maioria absoluta – afirmo com conhecimento de causa – tem salário base inferior ao salário mínimo. Ou seja, se não tiverem a gratificação referida passam a perceber uma complementação para que seu rendimento bruto atinja o mínimo permitido por lei (Hoje, 675,00). Com os descontos naturais (INSS e Plano de Saúde) o líquido fica pouco acima dos trezentos reais por mês. Quero ver quem se atreve a permanecer numa situação dessa.

Só para ilustrar, um auxiliar de serviços gerais que trabalha numa das Usinas Hidrelétricas, ora em construção, tem rendimento bruto superior a mil e duzentos reais por mês. Recebem, além do auxílio alimentação, vale transporte, seguro saúde em grupo, etc., etc., etc…

Já um funcionário público do governo estadual precisa pagar seu próprio plano de saúde (se quiser escapar do JPII).

 

Daí se pergunta: Não bastou a lição aplicada a Bianco? Precisa uma nova “chibatada” nas urnas para que Confúcio acorde de vez? Os conchaves que o levaram ao sufrágio nas urnas também estão deletando-o durante seu mandato.

Prova disto está na SECEL, com seu terceiro mandatário continuando no “calote” aplicado pelo Governo na cultura, por exemplo.

 

Confúcio usou do ardil mais sórdido, a meu ver, pois nos próximos meses a dita gratificação estaria incorporada de vez aos salários dos servidores. Apressou-se em retirá-la antes, sem explicar os motivos, já que a maioria absoluta deles está atualmente na situação de transposição para o quadro federal. Então, não foi por economia.  Parece-me insanidade mental de quem se diz administrador e político.

A meu ver, de administração o médico não entende nada. E de política, menos ainda.

Atacando o quadro funcional Bianco foi posto na rua. E Confúcio, conseguirá se segurar?

 

A resposta virá, sem dúvida, em 2014.

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