QUANDO UM AMIGO PARTE

 

Quando um amigo parte, ficamos esperando sua volta ou preparamo-nos para ir vê-lo. Mas, quando o amigo parte definitivamente, ficamos à mercê da dor da saudade. Dor que parece insuportável. Dor que lancina o coração, invade a alma.

Hoje perdi um amigo-irmão. Daqueles que mesmo à distância mantêm-se presente em nossa casa, em nossa família.

Armando Guimarães. Armando José Lins Guimarães.

Poder-se-ia dizer simplesmente que era filho do saudoso Alexandre Guimarães, cujo nome ficou para sempre estampado numa das principais ruas de Porto Velho. Mas, Armando deixou sua história aqui, também.

Mesmo vindo de uma família tradicionalista, cuja viúva, Dona Ligia, empenhou-se em garantir o sustento da prole, logo ajudada pelos filhos maiores,devidamente educados para a retidão de caráter, integridade e religião, Armando manteve sua simplicidade pessoal que cativava amigos por onde passava.

Fiel do Banco do Brasil, teve a rotina de sua vida abruptamente modificada quando de um sequestro, na saída do trabalho. Foram dias de tensão, haja vista que os assaltantes queriam o tesoureiro do banco e não a pessoa do Armando. No assalto – frustrado, graças à sua coragem para fugir dos seqüestradores – ficou o recado: Digam ao Armando que nós sabemos onde ele mora e conhecemos toda sua família. Vamos nos vingar!

Armando teve que sair de Porto Velho, pela própria segurança e da família. Foram dias tensos, de agonia.

Depois, a mudança radical para Natal. A linda capital nordestina, entretanto, não conseguiu matar a saudade de sua querida Porto Velho. Muitas vezes retornou. Reviu amigos e amigas. Sua querida Porto Velho!

Aqui descansam para a eternidade seus pais. Também seu irmão, Alexandre – Xanda.

Mas Armando não retornará. A terra que o acolheu e que viu seus meninos tornarem-se homens, que transformou a pequena Pat numa linda mulher, também acolherá seu corpo para sempre.

Armando se foi. Mas sua história continua viva entre todos nós.

Lá “nas casinhas” da Vila dos Ferroviários, o mano Nézio precisa de nosso abraço, de nosso carinho.

E lá na Santos Dumont, em frente à Praça Aluisio Ferreira, nossas manas Nelze e Liu também sofrem a partida do querido irmão.

Em nossa casa, eu, minha esposa, filhos e filhas, principalmente Agnes, sua afilhada, também sofremos. Agnes carece de carinho. Do carinho do padrinho querido.

E, lá na capital potiguar, minha comadre Nair prepara-se apra enfrentar a vida sem o ombro e braço amigos daquele que por tantas décadas a acompanhou.

Força Naia – é o que dirão os amigos e parentes. A vida continua. Mas… continua como? De que forma?
Só a fé no Excelso Criador pode trazer algum alento, algum conforto, nessa hora.

 

Ele deixou-nos. Unidos deixou-nos. Unidos estamos e permaneceremos.

Descanse em paz, querido compadre-amigo-irmão.

 

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