Faço minhas as palavras do amigo e companheiro Altair “Tatá” dos Santos

 

É GREVE, É GRAVE!

“Prefeitura de Porto Velho e Governo do Estado, vão ao espelho e se vêem na dantesca imagem refletida: o feio olhando pro horrível; um se vendo no outro!”

Por: Altair Santos (Tatá)

Acreditemos, o agravado agrava-se! Ou se resolve logo a pendenga das greves ou o caos se instala de vez. Sem lume quaisquer de entendimento e avanços, sem representações providas de traquejo e domínio para lidar com a situação e sem encaminhamentos satisfatórios, município e estado, leia-se, Porto Velho, a capital, e Rondônia, como um todo, caminham a passos largos para bater de proa com o caos que rapidamente se avizinha. A realidade, então vivida, é o termômetro da temperatura elevada das relações e pode provocar baixas irreversíveis nas pretensões políticas futuras do Prefeito da capital e do Governador.

A jovem Prefeitura do Dr. Mauro Nazif ainda não sinalizou para o povo da capital com os feitos e efeitos de sua gestão. Pouco mais de seis meses soou o gongo da paciência e do descrédito. A opinião pública já se coça toda e se desconforta em ver, conhecer e sentir o Alcaide e sua equipe, distantes e apáticos, ante a falta de políticas sociais sólidas, convincentes e ações mais vigorosas e vistosas.

Noutras dir-se-ia, ser a gestão, um grupo apátrida no campo das práticas mais arrojadas e de maior interesse público. Até então, a Prefeitura dos Irmãos Nazif não fez refletir a sua presença e já reverbera no seio da opinião pública perguntas do tipo: Cadê, Quem os viu? Quem são? Onde estão? Achamos demasiado cedo pra desgastes talvez irrecuperáveis! Pior, se a pecha da letargia e da não presença pega, vira uma ferrugem no casco da nau municipalista que, corroída e sem calafeto, bebe água em abundância, correndo iminente risco de naufrágio.

Urge ressaltar que estes incômodos apupos e manifestos, são ecos da reação popular rebatendo a já adiantada linha de desserviços que se avolumam pra todo lado. Ao olho nu se avista a pálida a conduta de atendimento nos guichês de serviços básicos essenciais das unidades de saúde, bem como na rota da coleta de lixo, cuja empresa seria banida daqui com suas vassouras e caçambas já nas primeiras horas de governo. Vê-se, também, o desassossego na Assistência Social, onde os Conselhos Tutelares, sem carros, sem motoristas e sem condições de trabalho mínguam por estruturas que lhes façam operantes e eficazes antes que o Ministério Público Estadual os cobre, a qualquer custo, o cumprimento das suas demandas. Habitação, limpeza urbana, trânsito, obras, iluminação pública começam a engrossar a agenda de problemas que se avolumam.

O transporte coletivo, um dos carros-chefe de campanha teria, de imediato, o seu monopólio quebrado, rasgado, triturado e queimado em praça pública, feito as bruxas na inquisição, isso, logo no início da administração. Não sendo assim de tão fácil obtenção e prática o produto da soma fala+ação, até então, pouco se avançou, exceto umas multas nalguns ônibus quebrados, enquanto se arrastará ainda, por algum tempo, a licitação para a inclusão de mais uma empresa, ao que parece.

A greve dos profissionais da educação municipais avança além de 35 dias. Sem indícios de entendimento, a falta de polimento político, sangra a administração, numa hemorragia política ao que, até aqui parece, sem sinais de contenção que a faça estancar.

O Governo Estadual, ornado pelo ameaçante cinturão de quatro greves, vê o pós metade de seu primeiro mandato gastando os resquícios de popularidade e aceitação desbotando, ao sol e chuva, sem muita força de reação. Policiais civis, profissionais da educação, agentes penitenciários e trabalhadores do Tribunal de Justiça formam o elenco dos pesadelos das mal dormidas noites do Governador Confúcio e seu secretariado.

O Governo da Cooperação, ao defrontar-se com o potente colegiado de oposição que alia algumas das maiores e mais representativas forças sindicais de luta e resistência trabalhista de Rondônia, não tem se mostrado hábil negociador e nem convincente nas propostas e ofertas. A grosso modo, uma pedra no sapato governista para o cenário do ano que vem, quando se travará o duelo da reeleição ou sucessão de Confúcio Moura.

Com as greves produzindo hematomas no corpo do Governo em todo o eixo da BR 364, inclusive nas transversais e perpendiculares a este leito, a máquina governista tem muito que espernear pra se manter de pé, antes que acuse sentir e curvar-se ao peso dos duros golpes.

Fracassadas tentativas de convencimento, em forma de notas, na imprensa local, tem exibido o apelo inconsistente do Governo do Estado e da própria Prefeitura da capital, chamando os manifestantes para retomarem o trabalho pelas linhas do bom senso, em nome de uma discutível pauta de valorização e acudimento aos pleitos, segundo governistas de parte a parte. Perguntamos: se chamados à volta ao trabalho, pelo uso do bom senso estariam então, os trabalhadores em greve, portando-se de forma intransigente?

Nesse caminho do bom senso e, em seu nome retroceder, seria de bom tom que Prefeitura e Governo nutrisse o conhecimento dos trabalhadores do estado e do município, de como funciona o contra cheque do bom senso. Isto feito, aí sim, pais e mães de famílias podiam correr felizes pros mercados, feiras e pegue pagues da vida e comprar comida, ir ao comércio e pagar a prestação da roupa e da TV, pagar as contas de água e energia, quitar o IPTU, a taxa de coleta de lixo, a passagem de ônibus. Nem falamos da santa e revigorante cervejinha dominical. Ao que parece alguns ressequidos corações mesquinhos, nem pensam nisso, pros outros é claro!

tatadeportovelho@gmail.com