Caro Superintendente,
Espanta-me a calmaria que se sobrepõe sobre o DNIT-RO quando o caos impera em todas as obras a cargo de tal Departamento.
Ontem à noite, mais uma vez, Senhor André, fiquei por 2 horas e 45 minutos numa fila que chegava aos três quilômetros e meio, aguardando a travessia do Rio Madeira.
Olhei para todos os lados procurando encontrar sua pessoa. Creio que faltava isso. Sua presença, aguardando na fila, por quase três horas, enfrentando chuva, calor, insetos… tudo que tem de “bom” em nossa região amazônica.
Mas, não. O senhor não estava lá. Talvez estivesse bem acomodado com seu Balantines ou Chivas, enquanto os verdadeiros construtores deste país sofriam. Sofriam com o descaso e a irresponsabilidade. Não quero aqui tratar de corrupção, pois conhecendo quem é Roberto Dorner e outros tantos armadores que tiram as divisas de nosso estado levando para os seus próprios – principalmente Amazonas, seria demais tratar dessa “palavra”.

Perguntei-me:  “como estariam as obras das ‘casas’, em construção em um canteiro de obras cercado de tapumes, para que ninguém visse o que se passava lá dentro?… E fiquei pasmo ao ver, do alto de um dos veículos, que não havia nenhuma movimentação naquele local. Nenhum tijolo, nenhuma carrada de areia, nenhum material que demonstrasse que as obras haviam sido iniciadas.

Brincadeira!… diria, por certo, Neto (da Band).

Brincadeira, haja vista que os engenheiros responsáveis pela construção da ponte chegaram a alardear que seria a primeira obra do Brasil a ser concluída antes do prazo previsto. Iria ser inaugurada um mês antes.

Mas o Dnit não deixou. Não deixou e fez mais. Criou um novo período para arrastar-se a obra.

 

Raciocinando friamente, vê-se que os comentários – lato sensu – das estradas e das balsas podem, sim, ter alguma base.

 

Vejamos, então:

A quem interessa o atraso nas obras da ponte? Aos armadores, lógico.

A quem interessa o embargo da BR-319? Aos armadores, é claro.

E quem são os armadores? Bem… Roberto Dorner é um deles.

E comenta-se que seria um dos patrocinadores-mor de pelo menos um dos Senadores de Rondônia. (?)

Isso pode ser mentira? Sim! Também pode ser verdade!

 

E, como fica o Dnit, nesse caso? À frente da paródia toda em que se transformou a obra da ponte, talvez.

 

A única ponte que vi em toda minha vida – longo de 63 anos – que ficou pronta, mas que não se pode utilizar. Falta um acesso.

 

Ora, Senhor Superintendente. Também administro. Isso é coisa que se aprende em casa. Administrar a partir do creme dental que se usa, posto que não pode faltar. Então, administra-se o uso e repõe-se antes do fim.

 

Administrar é bicho-de-sete-cabeças para quem não é administrador. Ou seja, jamais administrou, sequer, o papel higiênico que usa.

 

Não está incomodando em nada “vossa excelência” que a produção rural da parte Oeste da capital não possa ser escoada. Haja posto que a balsa apenas “atravanca o progresso do país”.

 

Gostaria muito, Superintendente, de ver-lhe descer de seu pedestal e aparecer na balsa em um desses fins de semana, principalmente os prolongados.

Gostaria muito de ver seu carrão (nem sei se tem, mas deve ter) à beira da estrada, aguardando entre tantos outros – de igual para igual – sem milhões escorrendo para comprar o “furo da fila”.

 

Talvez o senhor não saiba, mas o serviço prestado pela Rodonave é digno de escória. Embora achemos alguns tripulantes educados, a maioria faz vista grossa para os problemas do trânsito. E “pouco se lixam” para os furões de fila que teimam, em seu desequilíbrio etílico, em furar a fila, com luzes de alerta ligadas, como se alguém ainda acreditasse nisso.

Não raras vezes surpreendem-se o “fiscal” da fila recebendo os “dezinhos” enrolados em um pedaço de papel, à guisa de “contribuição voluntária para o cofrinho das crianças”.

 

Será, Senhor André, que sua nova profecia será cumprida? Em junho de 2014 teremos ponte?

Sinceramente, duvido muito. O senhor já disse que na época das chuvas não consegue trabalhar. Particularmente, peço-lhe que não me chame de burro. As obras quando precisam sair do papel, são executadas em qualquer ambiente, até dentro do olho do furacão.

Talvez o senhor precise dar uma olhada nas obras realizadas em outros países, como na China, por exemplo, em que se construiu uma ponte em ambiente congelado, altamente inóspito.

Por quê, pergunto-lhe, SOMENTE NO BRASIL AS OBRAS PARAM POR CAUSA DE CHUVAS? Será que nossos engenheiros foram mal formados? Será que compraram monografias ou relatórios de estágios? Creio que não. Creio que a resposta está na cultura corrompida de nossa nação.

 

Só nos resta esperar. Sem ter a quem recorrer, já que o próprio Ministério Público “dá tratos à bola” em casos como esse.

 

E esperar… porque sua profecia esbarrará novamente nas chuvas. Junho é período pós chuva. Portanto estaremos saindo – novamente – de outra paralisação meteorológica.

 

Espero que sua gestão termine logo.

 

Boa noite!