Entendo bem o desabafo do amigo Antonio Serpa do Amaral Filho. Bazinho para os íntimos. Serpinha para mim. Amigo dedicado, moço atencioso e amante apaixonadíssimo pela cultura local.

Serpinha não foge às suas origens. Seu pai foi prefeito querido pela população porque se envolvia com o povo. E o filho não poderia sair diferente.

Quem quiser encontrar Bazinho vá no Mercado Cultural – sua segunda casa, ou melhor, NOSSA.

Às sextas-feiras, infalivelmente, lá está o querido músico, esquecendo-se por momentos da vivência entre os processos do judiciário federal, entrelaçando braços nos abraços festivos com os companheiros d’A Fina Flor do Samba.

E o desabafo, agora, vem em boa hora. Estamos, VERDADEIRAMENTE, às voltas com o pior governo de nosso estado, em se tratando de apoio à cultura e seus segmentos.

Confúcio não sabe, ainda, a que veio, no governo estadual. Está mais parecendo com a paródia que fizeram de seu nome – confuso. Perdido, não conseguiu, até agora, uma pessoa a contento para chefiar sua Secretaria da Cultura (que traz o Esporte, ainda, em sua conjuntura).

Como disse bem o amigo Silvio Zekatraca Santos, estamos em vias de ver o sexto titular chegar àquela escadaria do prédio do relógio. A fumaça pode sair a qualquer momento.

Não que a atual Secretária não seja bem vista, mas parece carecer de recursos governamentais para gerir a pasta que lhe foi colocada às mãos.

E, por outro lado, nosso Doutor Prefeito, ou Prefeito Doutor, que não entende nada de nadicas de cultura, também não sabe para onde correr. Colocou Jória à frente da Fundação Cultural – que tem status de secretaria – mas cercou-a com um grupo inerte, que vê nossa cultura ser dilapidada a cada dia, sem mover uma palha sequer.

Tanto é que aconteceu o “im”previsível bloqueio do local onde seria levado a termo o “Caldeirão Cultural”. A interdição do local já era antiga. Só que os assessores da amiga Jória não levaram isso a sério. E insistiram em anunciar que todos os Projetos do Mercado Cultural seriam levados para o Ypiranga, numa tarde-noite de sábado que se tornaria inesquecível para os amantes da música – e das demais manifestações culturais.

Deu no que deu! Pífio demais!

Às pressas tiveram todos que correr para a Internet, dando conta aos convidados de que a interdição ocorrera.

Colocar a culpa nos bombeiros seria estapafúrdio, parece-me.  Fizeram a parte deles. Escapamos, graças a eles, de um vexame que poderia ser bem pior.

Acompanhe na íntegra,sem edições, o artigo muito bem escrito pelo amigo Serpinha.

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Efeito Kiss salva artistas do complexo de vira-lata

Por Antônio Serpa do Amaral Filho

O Corpo de Bombeiros de Porto Velho acabou prestando relevante serviço à cultura da capital nesse último final de semana: deu parecer negativo sobre as condições de segurança no Clube Ypiranga, local onde iria acontecer, sábado, dia 29, o chamado Caldeirão Cultural, um encontro de artistas organizado pela Fundação Cultural. A idéia macabra padece de gritante incoerência. Realizam Seminário sobre a problemática cultural num dia e no outro colocam artistas de elevado nível de qualidade num péssimo espaço cênico, tido pelo povo em geral como uma pocilga infestada de pulgas e baratas. Enquanto a comunidade vai às ruas gritar por saúde, educação, cultura e segurança, aos olhos de todos e da imprensa, um segmento da comunidade artística aceita ser tratado como vira-lata, agindo de forma alienada e autômata, como se não fossem eles o espelho de onde emanam as melhores sensibilidades que cultivamos no espírito.

Se o projeto tivesse sido realizado, seria um desastre em dois sentidos: primeiro, porque representaria o aceite resignado do complexo de vira-lata que ronda o espírito da comunidade artística local e, segundo, porque, se de fato conseguisse atrair um grande público para aquele ambiente, ofereceria sérios riscos à segurança dos frequentadores. O vira-latismo é tanto que, em nível estadual, Confucio Moura nada de braçada em cima dos produtores de arte, que prometeram fazer uma Revolução Cultural e o máximo que conseguiram foi soltar dois mirrados peidos de velha no gabinete do governador, não fazendo nem cosquinha nos carapanãs que habitam o escritório do chefe do executivo estadual. Com todo respeito à tradicionalidade do Velho Leão Azul, fundado em 1919 e cinco vezes campeão de futebol em Rondônia, aquilo é uma espelunca de quinta categoria, um lugar

desqualificado, desestruturado, feio e jogado às traças por falta de amor próprio também dos leoninos e da sua atual diretoria. Aquele lugar, hoje, nem de longe lembra os tempos áureos do glorioso Ypiranga de Paulo Cordeiro da Cruz Saldanha. Das glórias do passado restou, na Rua Pinheiro Machado, um cafofo mal ajambrado, decadente e com péssima imagem social, sendo o mais pobre e horrendo local do corredor de entretenimento da capial, denominado “Calçada da Fama”.

No Amazonas, quando um projeto governamental quer prestigiar e dar visibilidade a uma determinada produção cultural, os gestores mostram o espetáculo no Teatro Amazonas ou no Estúdio 5, com direito a mídia, infraestrutura de primeira qualidade e glamour. Aqui a Funcultural tira os artistas do Mercado Cultural, local que tem um mínimo de decência, e tenta apresentá-los no desbotado Ypiranga. E o pior: eles aceitam unanimemente. E como toda unanimidade é burra, no dizer de MILLOR FERNANDES(*), então a burrice avassaladora acaba contaminando a todos, como uma peste da miserabilidade político-cultual. Com o incêndio naquela boate de SANTA MARIA/SC(**), ainda bem que o efeito Kiss levou nosso glorioso Corpo de Bombeiros ao local onde iria acontecer o desastre cultural e aí, sem querer, os combatentes do fogo salvaram vários artistas da vivência do complexo de vira-lata.

O prefeito Mauro Nazif, embora culturalmente medíocre, está bem assessorado com a secretária Jória Lima. Ela, sim, é que parece estar carecendo de visão crítico-histórica e de melhores quadros na sua assessoria, na Funcultural. Enquanto o Brasil acorda nas ruas, alguns dos nossos melhores artistas dormem em berço esplêndido canino, como cachorros sem dono!

NR – (*) O autor da frase “Toda unanimidade é burrar” é Nelson Rodrigues

NR.(**) – A boite Kiss fica em Santa Maria – Rio Grande do Sul