EM DEFESA DA CULTURA DE HEITOR

                        Por Artur Quintela

 

            Antes que chegue a quinta, quando a Seresta Cultural deverá estar em alta, novamente, no Mercado Cultural, não posso furtar-me ao dever de posicionar-me a respeito de uma matéria publicada em jornal de grande circulação, desta capital, em coluna escrita por uma pessoa que admiro e respeito.

            Mas nem por isso nossos pontos de vista têm que ser iguais, embora convergentes para o mesmo núcleo: a cultura.

            Não foi eu quem escreveu que a cultura portovelhense se comportava como vira-latas, abocanhando as sobras que lhe jogavam. Também não foi eu quem escreveu que a cultura do governo sequer merecia ser vira-latas, pois o nobre cãozinho dessa multi-raça não merecia comparação tão desprezível.

            Verdade é que em nosso estado e em nosso município cultura não é levada à sério pelos detentores do mandato executivo.

            Nosso governador-poeta e nosso alcaide-árabe nada entendem de Amazônia e sua pluricultura. Não entendem porque esqueceram até de suas raízes. Se lembrassem que são de origem migratória, entenderiam que as multifacetas de nossa cultura local contemplam também as suas de origem.

            O que se viu no governo atual foi uma eterna confusão na Secretaria que deveria açambarcar a cultura e levá-la ao cume, já que estava à beira do sopé.

            Do lado mais local, o prefeito fez uma “belezura” ao entronar na Fundação Cultural uma pessoa digna, representativa e com representatividade. Porém não deu-lhe a caixa de ferramentas para desempenhar bem suas funções. Cercaram-na de pelegos e interesseiros que só vêem o próprio umbigo.

            E, por quê (com acento, sim) calar, então, a voz da indignação? Seria, a meu ver, compactuar com as mazelas que cercam nosso folclore, nossa cultura, nossa verdadeira história.

             Por qual “quê” Heitor se calaria diante das autoridades federais – que cegas estão para o que o município e governo fazem com nossa cultura?

            O brado de Heitor pode ter atingido ouvidos que nada têm a ver, mas os convivas do Mercado Cultural têm conhecimento do que ocorre com nossa cultura. E sabem bem que ninguém – NINGUÉM – nesta cidade tem um projeto igual ao de Heitor, que dá oportunidade para qualquer um que queira se apresentar ao público portovelhense.

            A Seresta Cultural não é apenas um evento musical, é uma vitrine, onde velhos e novos talentos se apresentam. E a presença da sociedade aculturada, tradicional, é uma prova de que o projeto é muito bem recebido em nossa cidade.

            Por quantas vezes, vi em uma mesma mesa, três ou quatro gerações? Em qual ouro “point” da capital consegue-se ver coisa igual?

            Os representantes do MinC, por acaso sabem, a que custo, Heitor leva avante tal projeto? Os escribas culturais já perguntaram por acaso, quantas horas ele dedica de sua vida, graciosamente, diuturnamente, àquele projeto?

            Qual artista portovelhense ou de outro estado que não quer se apresentar naquele espaço? Ali é – repito – uma vitrine da arte. Não é à toa que o projeto entrou no seu quarto ano com sucesso total.

            E guardar as mazelas que se impõem politicamente contra os eventos – não só a Seresta – daquele espaço apenas para nós é fazer cena sem palco. Os integrantes da comissão do MinC estão aqui – com suas gordas diárias, diga-se de passagem – fazendo média com o que não conhecem de fato.

            Talvez os brados de Heitor tenham sido fortes demais, mas não mais que o do Imperador quando proclamou nossa Independência, nem mais que o do marechal quando proclamou nossa República.

            Se os brados são necessários para que sejamos ouvidos vamos bradar a plenos pulmões. Aliás… é isto que se tem visto ultimamente nas ruas do país inteiro: Os brados dos que querem mudanças. Dos que não suportam mais ver a corrupção graçando em nosso país. Dos que não aceitam mais as humilhações.

            E nossa cultura não fica atrás.

            Brada, Heitor! Estou contigo!

            Brademos todos!