PORTO VELHO TEM SURTO DE TUBERCULOSE?

 

Por Artur Quintela

 

É de arrepiar os cabelos a situação da saúde pública no Brasil inteiro.  Entretanto, parece que Rondônia é o modelo das catástrofes políticas. Talvez por ser o Estado que mais arrebanha migrantes, mostrando-se promissor, esteja passando pela pior fase desde a criação de seu primeiro município.  Rondônia é alvo da imprensa nacional diuturnamente. Não para elogios, é claro, mas para Críticas – algumas infundadas – provocadas pelos desmandos de nossos políticos.

 

Dia desses apareceu na mídia nacional por ter um deputado federal preso. Não bastasse isso, também teve um Senador com prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal. Escândalos sucedendo-se no legislativo local (estadual e municipal). E o governo nem…

 

Confúcio – médico – alardeou aos quatro cantos que seu governo seria voltado para a saúde e o que se viu foi o caos instalado na capital do estado, tão logo assumiu.

Chegou a pedir intervenção do governo federal, para que “tia” Dilma mandasse hospitais de campanha das forças armadas. Claro que Brasília negou. Deixou o médico cuidar dos problemas internos do estado.

Entretanto, o governo das confusões na chegou nunca a demonstrar a que veio realmente. Nem na saúde nem em outros setores governamentais.

 

Veja-se bem o caso da Secretaria de Cultura (SECEL) que teve quatro mandatários ema penas três anos – dois deles foram retirados por serem caso de polícia, envolvidos em falcatruas da administração municipal anterior. E agora o governador pede à Assembleia que autorize a extinção definitiva do órgão. Já que não deu conta do recado, para que manter. E dali pode sair verba para mais um de seus famosos CDS, graciosamente concedidos a quem nunca trabalhou nem trabalha.

 

Chegou, finalmente, o caos – não na saúde pública, pois já estava instalado. Mas no estado de saúde do povo, propriamente dito. A irresponsabilidade administrativa beira a loucura. Confúcio sabe – como médico e governante – que não deve se omitir dos tratamentos e, principalmente, da prevenção das doenças ditas infecto-contagiosas. Na é o que retratam profissionais da área.

 

Chega até nós, por depoimentos constrangedores de quem labuta diariamente na faina dos nosocômios públicos da capital, a notícia alarmante de que um surto de tuberculosa alastra-se por Porto Velho. O fato veio a público provocado por uma coisa que parece simples e banal para nossos políticos – a morte de uma moradora de rua. A jovem pereceu por falta de medicamentos para tratar sua tuberculose – ou por falta de atendimento, mesmo, já que sequer mandaram-na para o CEMETRON a fim de fazer exames conclusivos.

 

Parece filme, mas não é. Em pleno século XXI, uma doença já perfeitamente debelada, tratável em casa, sem maiores necessidades, ainda é causa de morte.

 

Mas, fica ainda a preocupação maior. Se a mulher morreu mesmo de tuberculose (diagnosticada por exames preliminares) poderia ela estar contaminando todos os que a cercavam. E não eram apenas outros moradores de rua. Ela era conhecida, assim como seu companheiro, de muita gente que freqüentava as noites da capital. Era vista passeando pelos bares e outros locais de movimento, onde as pessoas se aglomeram para “bebemorar” a vida.

 

Conversando com profissionais da saúde, ouvi de todos, sem exceção, que a situação de nosso HPS João Paulo II ainda é a pior de todos os tempos. E não é só a triagem, como se propalou anteriormente.

Não existem medicamentos, material ambulatorial e de procedimentos. As cirurgias são realizadas “em pé de guerra”. Falta de tudo, inclusive recursos humanos. A sobrecarga laboral é uma verdadeira agressão às condutas de trabalho. Uma doença infecto-contagiosa é facilmente disseminada de fora pra dentro ou de dentro pra fora. Como a tuberculose. Sequer estão capacitados para realizar exames simples como a pesquisa de BAAR.

 

Então o que fazer? Trocar os profissionais da saúde ou o chefe deles? Os primeiros fazem o que podem, enquanto o “todo-poderoso” arvora-se do poder para destituir quem trabalha e conceder mimos aos comparsas.

 

Creio que somente nas urnas consegue-se reverter uma situação dessas. Entretanto, infelizmente, em nosso estado as opções são raras – raríssimas. Com tantos migrantes que vieram pensando apenas em encher os bolsos, enquanto nos chamam de néscios, não sobram muitas alternativas. Mesmo porque, hoje, os nativos são minoria absoluta. É mais fácil encontrar um paranaense, por exemplo, do que um rondoniense.

 

Volte-se, aqui, ao caso dos políticos presos. Todos vindos de estados da região sul.

 

E volte-se um pouco mais, na memória popular, para lembrar a estirpe de onde saiu nosso atual mandatário estadual. Seu irmão fora cassado, durante a Constituinte, por corrupção. O que esperar, então, de um parente?

 

Bom dia.