Falando sério (na realidade, sempre falo sério, até por brincadeira):

 

Hoje é quinta-feira. Dia de Seresta no Mercado Cultural.

Seresta, para quem não sabe, é uma expressão carioca para “abrasileirar” o termo serenata, que expressa arte no sereno.

Seresta, então, é toda expressão artística realizada à noite, em espaço aberto, sob o céu de estrelas.

A Seresta Cultural propõe exatamente isso. Arte sob o céu de estrelas, às vezes iluminado pelo belo luar de Porto Velho.

Projeto do amigo Heitor Facundo Almeida, a Seresta Cultural arrebanhou para o Mercado Cultural famílias que buscavam exatamente esse tipo de entretenimento.

 

A quinta-feira virou dia da cultura e arte no centro histórico de Porto Velho. E o Mercado Cultural, construído sobre os escombros do antigo Mercado Central do Município de Porto Velho, serve de palco para artistas das mais variadas correntes apresentarem seus estilos e obras.

Ali sempre foi como uma “segunda casa” para os artistas locais que careciam de um espaço para mostrar seus trabalhos. Vitrine de primeira. O Mercado Cultural abraçou vários projetos, mas a Seresta Cultural sempre mostrou-se como o mais eclético dos projetos.

Lá tivemos Bado, atuando. Tivemos Sandro e Gioconda cantando e encenando. Tivemos os “Dinossauros” Los Dynos & Cia. Além de tantas outras atrações já famosas pela cidade. A Seresta abriu portas para as artes cênicas, exposição de artes plásticas, cantorias e música instrumental…

 

Seresta Cultural que embala corações e que já despertou a inveja dos semeadores de discórdia. Entretanto, manteve-se incólume.

 

E lá se vão três, quase quatro anos… sempre com Heitor Almeida à frente. Comandando. Às vezes, áspero. Mas, apenas para alguns. Para a maioria, o sorriso de Heitor mostra-se angelical. E é isso que perturba alguns. Posto que seu palco já despertou a juventude para a arte, em várias primeiras apresentações.

 

Ali, os velhos e novos se juntam e comungam pela arte, com a arte, da arte.

E ali, naquele pedaço de calçada – que sonhamos virar calçadão – deixo meu coração falar. E cantar. E recitar.
Ali, foi que recitei, pela primeira vez em público, minha obra “Insaciável”. Ali recantei as primeiras músicas de meu repertório, ainda tão jovem, nas rádios e televisões do Rio de Janeiro. Ali, fiz reviver Elvis, Lennon, Sinatra… e rememorei os anos 60 com Renato, Fevers, Roberto, Erasmo, Eduardo, e tantos outros que fizeram parte viva de minha juventude.

 

Hoje à noite, estarei novamente com Heitor. É meu destino comungar com o amigo do gosto pela música. E minha plateia, que sempre me acompanhou, pode ficar certa que o coração estará repleto de carinho e amor por cada um dos que juntam ao meu seu sorriso.

 

Apareça. Estarei lá. Coração e braços abertos.

 

Artur Quintela