DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

 

Foto colhida da Internet

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Apesar do título que deram ao dia de hoje, creio que consciência negra é o que todos devemos ter todos os dias de nossas vidas. Afinal, tanto teológica quanto cientificamente já ficou comprovado que o homem evoluiu com melanina. A mais ou a menos isso depende do local onde viviam as comunidades.

E leia-se na Bíblia que Noé expulsou Cão de casa com uma maldição: “seus filhos nascerão negros e serão escravos de seus irmãos brancos”.

Não que eu considere a escravidão de qualquer ser como válida. Mas já era praticada nos tempos memoriais bíblicos e não cabe ao Brasil ser criticado tão duramente por ter permitido essa prática insana e cruel. Afinal, foi apenas mais um dos países que praticaram o sistema.

 

Em se tratando do dia da consciência negra, creio que o melhor a se fazer é valorizar aquele que foi violentamente arrancado de sua família, de suas terras, onde corria livre e feliz, caçava, pescava, constituía seu clã, festejando a vida.

Ao negro que sofreu com o apartheid britânico; ao negro que morreu nos navios negreiros e ao que sobreviveu; ao negro que superou as doenças e os castigos cruéis; ao negro que lutou pela liberdade, mesmo longe de sua Luanda. Ao que tudo enfrentou e transformou esse país no mundo da miscigenação. Ao verdadeiro negro de pele rica em melanina; a esse negro retinto, qual ébano, que ri, ginga e samba, que sobrepõe-se às mazelas do mundo expondo seus verdadeiros talentos, humanizando todos os ambientes; ao negro que trilhou todos os caminhos que poderiam conduzi-lo ao topo, com integridade e dinamismo, determinação e caráter; ao negro que honra e orgulha nosso Brasil, desde o gari ao Supremo Tribunal Federal.

 

A esse negro dedicamos o dia de hoje, para que nossa consciência faça dele – negro – todos os dias do ano e de nossas vidas.

 

Dedico abaixo a linda poesia de Ataulfo Alves – Terra Seca

 

(Trabalha, trabalha, nego)
(Trabalha, trabalha, nego)
Nego tá moiado de suor
As mãos do nego
Tá que é calo só
Ai, meu senhor
Nego tá véio
Não aguenta
Esta terra tão dura
Tão seca, poeirenta

(Trabalha, trabalha, nego)
(Trabalha, trabalha, nego)
Nego pede licença pra parar
Nego não pode mais trabaiá
(Trabalha, nego)
Nego tá moiado de suor
(Trabalha, trabalha, nego)
As mãos do nego tá que é calo só
(Trabalha, trabalha, nego)
Ai, meu senhor
Nego tá véio
Não aguenta
Esta terra tão dura
Tão seca, poeirenta
(Trabalha, trabalha, nego)
(Trabalha, trabalha, nego)
Nego pede licença pra parar
Nego não pode mais trabaiá

Quando o nego chegou por aqui
Era mais vivo e ligeiro que o saci
Varava estes rios
Estas matas
Estes campos sem fim
Nego era moço e a vida
Um brinquedo pra mim
Mas esse tempo passou
E esta terra secou
Ô, ô, ô, ô
A velhice chegou
E o brinquedo quebrou
Ô, ô
Sinhô
Nego véio tem pena de ter se acabado
Sinhô
Nego véio carrega este corpo cansado
Mas esse tempo passou
E esta terra secou
Ô, ô, ô, ô
A velhice chegou
E o brinquedo quebrou
Ô, ô
Sinhô
Nego véio tem pena de ter se acabado
Sinhô
Nego véio carrega este corpo cansado