Bom dia, povo querido e tão amigo.

 

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Hoje, com a serenidade retornando ao seu devido lugar, venho postar minha opinião sobre o Campeonato Brasileiro que terminou de forma paradoxal. Se no sábado houve só alegria, no domingo a tristeza tomou conta dos verdadeiros amantes do esporte dos gramados. E não foi por pouca coisa. A briga das torcidas atleticana e vascaína foi vergonhosa. Mostrou bem que o Estatuto do Torcedor não mudou a cara dos verdadeiros vilões da festa maior de nosso país. Quem vai ao estádio pra se divertir não pode ser confundido com os brigões de plantão.

Em certo momento, assistindo àquela verdadeira guerra pela TV, cheguei a admitir que deveria haver polícia armada de rifles para conter tamanha selvageria. Depois, com a cabeça mais fria e menos revoltado, vi que tinha pensado exatamente o que não queria ver ninguém fazer. ou seja, envolvera-me com o sentimento da revanche.

Não, não é esse espetáculo que queremos para nosso futebol. E não estou preocupado com a mancha do Brasil da Copa de 2014. Estou preocupado, sim, com os verdadeiros torcedores, as famílias que retornaram aos estádios após aqueles insidiosos anos 80/90 em que as brigas entre torcedores e jogadores eram comuns. Naquele tempo cheguei a parar de assistir jogos pois era uma verdadeira insanidade o que se praticava nos estádios.

Quando a calmaria voltou, trouxe também as famílias. Coisa linda de se ver. Casais com filhos torcendo por seus times. E que saiam tristes ou alegres apenas pelo desempenho dos jogadores.

Faltou senso de humanidade aos brigões. Que são poucos! Não custa banir de vez tais elementos das arquibancadas. Que sejam encarcerados, ou não. Mas que sejam banidos da festa da bola. De vez!

A tristeza, porém, não se limitou à briga de torcidas. Ver clubes que criaram o atual Campeonato Brasileiro fora da Série A é outra forma de tristeza.

 

Como Flamenguista, poderia estar feliz em ver dois arquirrivais rebaixados. Mas não estou! Sofro com os torcedores de Fluminense e Vasco ao perceber a vergonha que o regulamento do Campeonato Brasileiro impõe aos seus criadores.

 

Sempre afirmei e repito. Não é Campeonato Brasileiro! Não pode ser Campeonato Brasileiro se exclui clubes de vários estados e só uma minoria participa. Temos 27 Unidades da Federação. E o Campeonato para ser BRASILEIRO, teria que ter – a meu ver – os Campeões de cada uma dessas UF. Assim poder-se-ia dizer que seria justo. Mas criar um campeonato com 4 séries, rebaixando-se 4 clubes e ascendendo-se outros 4, parece-me pilhéria.

 

Vou dizer minha fórmula ideal, para ser justo, a meu ver, com os verdadeiros mentores e que justificam a existência de um campeonato a nível nacional.

Mas, antes, deixem-me lembrar uma coisa: Imagine – você, que está lendo – uma situação em que criasse uma modalidade de campeonato de dominó (por exemplo) em sua casa, com regras definidas por você e convidando os que lhe conviessem – verdadeiros amigos – para participar. Muito bem. O campeonato teria SUAS regras, posto que VOCÊ criara. Então, depois de certo tempo, alguns outros chegam – se auto-convidando – e criam novas regras, excluindo você do campeonato. É certo? Alguém aceitaria? Creio que não. Da mesma forma, o Campeonato Brasileiro.

 

Em 1987 – quem viveu, lembra – A CBF, cujo Presidente era Octávio Pinto Guimarães, afirmou que não tinha recursos para realizar o Campeonato Brasileiro daquele ano. Questionado pelos maiores clubes se poderiam realizar às suas expensas, ele concordou e disse que validaria. O que se seguiu foi uma reunião com os treze melhores colocados dentro do ranking da própria CBF.  Os quatro grandes de São Paulo: Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos; os quatro grandes do Rio de Janeiro: Flamengo, Vasco da Gama, Fluminense, Botafogo; os dois grandes de Minas Gerais: Atlético Mineiro e Cruzeiro; os dois maiores do Rio Grande do Sul: Internacional e Grêmio; e o Bahia (diferente do que muitos acreditam, não foi o Atlético Paranaense o décimo terceiro clube).

O regulamento foi criado, convidados outros clubes para chegar aos dezesseis e criada a Copa União. Por exigência da CBF, foi criado mais um grupo com clubes menores, com pouco poder aquisitivo e que seriam bancados com as receitas auferidas pelo Clube dos Treze. Vejam bem: O clube dos Treze bancava tudo. Aceitas as exigências da CBF a Copa União iniciou com dois módulos – VERDE e AMARELO – que disputavam campeonatos distintos. Tanto é que os nomes dos Troféus eram “João Havelange” para o Módulo Verde e “Roberto Gomes Pedrosa” para o Módulo Amarelo.

O importante é que o Clube dos Treze passou a patrocinar o Campeonato Brasileiro desde aquela época. Então seria lógico que seus treze mentores tivessem, ao menos, a primazia de participar em todas as edições. Nunca seriam rebaixados. Com o aumento de 16 para 20 clubes na primeira divisão, 7 seriam convidados inicialmente e os quatro piores seriam rebaixados para a segunda divisão de onde ascenderiam os quatro melhores colocados.

 

A ideia não é assim tão escabrosa, quanto possa parecer a alguns, de princípio. O Campeonato só pode ser levado avante com recursos financeiros de grande aporte. E é vendido às redes de televisão por preços vantajosos para ambas as partes. Então, retirando-se os maiores clubes da Primeira Divisão, o Campeonato estará fadado ao fracasso.

 

Imaginem os que contradizem – de início – uma final de Campeonato com os Clubes Juventude e ASA. Claro que os locais estariam todos ligados e seria uma festa na cidade do campeão ou vice. Mas e o retorno financeiro para o Campeonato seguinte? Haveria?
Numa segunda hipótese – que, pelo andar da carruagem, é possível, sim – a Primeira Divisão sem contar com nenhum dos doze clubes que originaram o Clube dos Treze teria audiência a nível nacional? Claro que não, é óbvio.

 

Então por que ficar alegre com o rebaixamento de Vasco e Fluminense? Da mesma forma como fui contra o rebaixamento de Palmeiras, Botafogo, Grêmio e qualquer outro grande clube, sou contra o rebaixamento dos dois clubes cariocas.
Sabe quem vai lucrar com isso? A Rede de Televisão que comprou a Série B. Vai ter muita gente ligada na telinha – NÃO GLOBAL -, no ano que vem, da mesma forma como já aconteceu, antes.

 

E, aos que acharam bonito e ficaram felizes com o rebaixamento, lembro que futebol não é guerra de nações. É um esporte e a predileção de cada um pode se dar dentro da própria família. Tenho um irmão vascaíno e um cunhado-amigo-irmão Fluminense. Estamos juntos nessa, também. Porque, se eles sofrem, sofro também.
Minha alegria de ser campeão da Copa do Brasil está embotada pela tristeza deles, que faço minha.

 

Finalmente, Parabéns ao Cruzeiro e cruzeirenses pela excelente campanha e última partida, em paz, rica em glórias e sorrisos.

 

Parabéns ao Palmeiras e palmeirenses, pelo retorno à Série A, da melhor maneira possível. Como campeão antecipado.

 

Parabéns ao Flamengo e flamenguistas pela “volta por cima” de um time desacreditado, liderado com amor pelo Auxiliar Técnico – hoje, reconhecidamente, o melhor Técnico do Brasil.