Category: TEOLOGIA


DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

 

Foto colhida da Internet

Foto colhida da Internet

Apesar do título que deram ao dia de hoje, creio que consciência negra é o que todos devemos ter todos os dias de nossas vidas. Afinal, tanto teológica quanto cientificamente já ficou comprovado que o homem evoluiu com melanina. A mais ou a menos isso depende do local onde viviam as comunidades.

E leia-se na Bíblia que Noé expulsou Cão de casa com uma maldição: “seus filhos nascerão negros e serão escravos de seus irmãos brancos”.

Não que eu considere a escravidão de qualquer ser como válida. Mas já era praticada nos tempos memoriais bíblicos e não cabe ao Brasil ser criticado tão duramente por ter permitido essa prática insana e cruel. Afinal, foi apenas mais um dos países que praticaram o sistema.

 

Em se tratando do dia da consciência negra, creio que o melhor a se fazer é valorizar aquele que foi violentamente arrancado de sua família, de suas terras, onde corria livre e feliz, caçava, pescava, constituía seu clã, festejando a vida.

Ao negro que sofreu com o apartheid britânico; ao negro que morreu nos navios negreiros e ao que sobreviveu; ao negro que superou as doenças e os castigos cruéis; ao negro que lutou pela liberdade, mesmo longe de sua Luanda. Ao que tudo enfrentou e transformou esse país no mundo da miscigenação. Ao verdadeiro negro de pele rica em melanina; a esse negro retinto, qual ébano, que ri, ginga e samba, que sobrepõe-se às mazelas do mundo expondo seus verdadeiros talentos, humanizando todos os ambientes; ao negro que trilhou todos os caminhos que poderiam conduzi-lo ao topo, com integridade e dinamismo, determinação e caráter; ao negro que honra e orgulha nosso Brasil, desde o gari ao Supremo Tribunal Federal.

 

A esse negro dedicamos o dia de hoje, para que nossa consciência faça dele – negro – todos os dias do ano e de nossas vidas.

 

Dedico abaixo a linda poesia de Ataulfo Alves – Terra Seca

 

(Trabalha, trabalha, nego)
(Trabalha, trabalha, nego)
Nego tá moiado de suor
As mãos do nego
Tá que é calo só
Ai, meu senhor
Nego tá véio
Não aguenta
Esta terra tão dura
Tão seca, poeirenta

(Trabalha, trabalha, nego)
(Trabalha, trabalha, nego)
Nego pede licença pra parar
Nego não pode mais trabaiá
(Trabalha, nego)
Nego tá moiado de suor
(Trabalha, trabalha, nego)
As mãos do nego tá que é calo só
(Trabalha, trabalha, nego)
Ai, meu senhor
Nego tá véio
Não aguenta
Esta terra tão dura
Tão seca, poeirenta
(Trabalha, trabalha, nego)
(Trabalha, trabalha, nego)
Nego pede licença pra parar
Nego não pode mais trabaiá

Quando o nego chegou por aqui
Era mais vivo e ligeiro que o saci
Varava estes rios
Estas matas
Estes campos sem fim
Nego era moço e a vida
Um brinquedo pra mim
Mas esse tempo passou
E esta terra secou
Ô, ô, ô, ô
A velhice chegou
E o brinquedo quebrou
Ô, ô
Sinhô
Nego véio tem pena de ter se acabado
Sinhô
Nego véio carrega este corpo cansado
Mas esse tempo passou
E esta terra secou
Ô, ô, ô, ô
A velhice chegou
E o brinquedo quebrou
Ô, ô
Sinhô
Nego véio tem pena de ter se acabado
Sinhô
Nego véio carrega este corpo cansado

 

 

 

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Recebi esse texto do amigo  companheiro fiel Márcio Bortolete.

Dizer que Márcio me surpreende não seria novidade. Ele tem a virtude de captar o invisível, o inenarrado, o incrível. Já deu provas suficientes disso.

Mas o texto abaixo parece ser uma transcrição de minha forma de pensar.

De corrente espírita, não consigo permitir-me crer em Deus como um ser impiedoso, cruel, que lança seus filhos no inferno por não cumprirem suas “supostas vontades”.

Já li e reli o suficiente para entender que os “mais antigos” utilizavam o artifício do medo para se fazerem obedecer ou respeitar.

O texto a seguir descreve fielmente o que escrevi lá pelos idos de 2003/04, publicado neste blog e repassado aos contatos de e-mail, individualmente. Naquela época fazia um pedido aos amigos e conhecidos para que não me repassassem mensagens de cunho religioso. Por dois motivos: legal e teológico. O primeiro, por entender que, vivendo em um país laico, onde a liberdade de credo é preceito constitucional, a simples insinuação de que “sua” religião é a mais certa já constitui infração aos ditames da Carta Magna. O segundo, porque creio-me no direito de seguir a corrente teológica que quiser, sem necessitar de aconselhamento de ninguém.

Finalmente, repito aqui o que já escrevi em carradas:

Não creio em pecados. Acredito no certo ou errado dependendo da cultura local. Acompanhe o texto.

Daqui, mando meus agradecimentos ao amigo Márcio pelo presente.

 

 

 

SE DEUS TIVESSE FALADO

Baruch Espinoza

Pára de ficar rezando e batendo o peito!

 

O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.

Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste

e que acreditas ser a minha casa.

Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias.

Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar da tua vida miserável:

Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria.

Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo.

Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho…

Não me encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim.

Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo.

Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar.

Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres,

de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.

Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?

Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez?

Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos

que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?

Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei;

essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.

A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida,

que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho,

nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.

Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre.

Não há prêmios nem castigos.

Não há pecados nem virtudes.

Ninguém leva um placar.

Ninguém leva um registro.

Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho.

Vive como se não o houvesse.

Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar,

de amar, de existir.

Assim, se não há nada,

terás aproveitado da oportunidade que te dei.

E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não.

Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste…

Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar.

Eu não quero que acredites em mim.

Quero que me sintas em ti.

Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada,

quando agasalhas tua filhinha,

quando acaricias teu cachorro,

quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me!

Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?

Me aborrece que me louvem.

Me cansa que agradeçam.

Tu te sentes grato?

Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.

Te sentes olhado, surpreendido?…

Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim.

A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo,

e que este mundo está cheio de maravilhas.

Para que precisas de mais milagres?

Para que tantas explicações?

Não me procures fora!

Não me acharás.

Procura-me dentro…

aí é que estou,

batendo em ti.

Baruch Espinosa (Filósofo-pensador [1632-1677])

 

 

MORRE ANÍBAL DO GUAPORÉ – O GUERREIRO SOLITÁRIO

Por Antônio Serpa do Amaral Filho

 

 

Um era filho de Amílcar Barca e nasceu em Cartago. O outro era filho de Dionísio Xavier e nasceu no antigo Território Federal de Rondônia. O Aníbal cartaginês morreu por volta de 183 a.C. Já o Aníbal karipuna faleceu ontem, Dia dos Namorados, em pleno ano de 2012. Uma coisa em comum havia entre os dois: a guerra. Enquanto o filho de Amílcar travou batalhas homéricas com Roma, o filho de Dionísio travou peleja medonha com os mundos desconhecidos da mente.  Um levava vida espartana. O outro fumou todos os cigarros do mundo, alimentando o afã de sua subjetividade andarilha. Barca foi o principal comandante cartaginês durante a Primeira Guerra Púnica.  Dionísio Xavier foi vereador da primeira legislatura da Câmara Municipal de Porto Velho.

Quem vai embora deixa sempre uma história de vida para os que ficam; história que, no vazio da ausência, vai sendo desvendada aos poucos como se fosse um novelo de lã sendo homeopaticamente consumido pela feitora de um bordado.

Nunca na história do homem tantos homens se dedicaram a um só homem.  Foram tantos e quantos que não dá pra contar. Só dá pra dizer que foram muitos, mas muitos mesmo, os pais de santos que tentaram ajudar Aníbal. Alguns, é verdade, queriam ajudar a si mesmos. Maria não poupou tempo nem dinheiro, e foi muitas vezes explorada. Movidas a esperança e amor, a tiracolo de sua Maria eterna cuidadora e protetora, incontáveis foram as sessões de baixo, médio e alto espiritismo a que foi submetido o guerreiro Aníbal, na tentativa de receber do além, através do rito e da fé, a bem-aventurada poção mágica da bênção curativa. Foram invocadas entidades das sete linhas, das sete falanges e das sete encruzilhadas.  Até Exu e Pomba-Gira, entidades do alto clero da Kimbanda, foram convidadas a se pronunciar sobre as enfermidades que acometiam o guerreiro, suplicando os pais de santo que os orixás fossem bondosos com Aníbal como Maria foi com eles, com quem ela gastou o que tinha e o que não tinha, na esperança de ter o filho são e salvo. Até macumbeiro boliviano participou da empreitada espiritual, e nada. Danças, rezas, rito e bailados, fumo, álcool e comidas para os orixás, e nada. Não deu link. É como se o além, por razões desconhecidas, se negasse a estender a mão ao combalido comandante do exército de um homem só.  Os pais de santos não conseguiram plugar Aníbal ao além do homem, por isso ele não recebeu as graças dos espíritos de luz. Nem os terreiros de Codó deram jeito. Soaram os tambores, bailaram os babalorixás, e nada. Aníbal não conseguiu fazer cabeça de praia no território das forças sagradas. Talvez porque sua opção foi mesmo viajar por suas trilhas enigmáticas e introspectivas, talvez para dar o testemunho de que há muito mais embuste do que realidade metafísica nas tendas dos pais de santo. Nem a Umbanda nem o Espiritismo nem a Psiquiatria nem o Deus de Abraão conseguiram desvendar o mistério do seu ser.

Espirituoso, quando em cizânia com seu pai, Aníbal dizia: “Só porque tem nome Grego – Dionísio! Grandes coisas! O meu é Aníbal! De fato era. Aníbal às vezes de falar requintado e preciso. “Estou com sede! Que tal a gente ir ao supermercado e comprar um suco em conservante para beber bem gelado???” – dizia ele em lapsos de lucidez. Quanto ao gosto musical, Aníbal se contentava em ouvir Roberto Carlos, Márcio Greik e Fernando Mendes. Dono de prodigiosa memória, era capaz de rememorar os nomes completos de quase todos os velhos colegas que estudaram com ele no Colégio Dom Bosco.

Quando o vi pela última vez ainda vivo, ele me fez um pedido, dizendo: Basinho, me traz um presente, um chaveirinho, ou uma fitinha, ou qualquer coisinha bacana de camelô.  Hoje ofertei-lhe, a beira túmulo, uma oração, de mãos entrelaçadas com Joana D’arc, Eleide e Domitila. Era de mais precisão, acho. Fui porta-voz do abraço de todos, inclusive daquele que decolou de Maricá para Itapuã do Oeste, em Rondônia. Foi-se desta pra melhor como um irmão que eu deveria ter tido.

Partiu sem conhecer seu filho, um rebento que teve com uma paciente da ala de psiquiatria do Hospital de Base de Porto Velho.  Anonimamente sua descendência frutificou na face da terra.  O Aníbal de Cartago perdeu o embate para Roma. O Aníbal do Guaporé perdeu a batalha para o cigarro. Mas ambos deixaram uma mensagem: nem sempre um guerreiro nasce para vencer a guerra. Às vezes ele só quer mostrar que preciso ser altivo, seja ante o poderoso império dos Césares, seja ante as garras afiadas do vício. A dignidade está no espírito, e não no resultado da peleja… E disse adeus, o Guerreiro Solitário!

 

POR QUE NÃO FESTEJAR A PÁSCOA?

 

A festa que teremos no domingo próximo deixou, há tempos, de ser comemorada como Cristã, por muita gente. Inclusive, por muitos cristãos, para não dizer, a maioria.

O que se vê hoje é uma festa comercial.

Ovos de chocolate, guloseimas, bombons, comida farta à mesa dos que podem…

 

E a história original – da páscoa, mesmo – não faz parte das comemorações.

Aos menos avisados, deixo aqui minha interpretação. Digo menos avisados, porque alguns sequer conhecem minha maneira de pensar e a corrente teológica que sigo.

Não vem muito ao caso, mas a festa intitulada Páscoa da Ressurreição tem origem na antiguidade, quando, segundo a Bíblia, a divindade superior ordenou aos judeus que matassem um cordeiro e com seu sangue ungissem as portas de suas casas, revelando a parceria com o criador, escapando, assim, do grande castigo a que a terra seria submetida.

A medida foi cumprida e, a partir daí, comemora-se a páscoa dos judeus, que seria o dia do pacto com seu deus.

Particularmente, não sou semita nem anti, já que respeito todas as correntes teológicas. Mas a festa judia não tem nada a ver, exceto uma grave coincidência, com a corrente cristã.

A data concide com a primeira lua cheia da primavera dos judeus (hemisfério norte – estamos no sul).

Para nós aqui seria a primeira lua cheia do outono. A quaresma, instituída pela igreja romana, tem naquela data seu ápice, porque coincide com o Domingo da Ressurreição de Jesus – o Cristo.

Para os cristãos, portanto, acredito, seria mais natural, e religioso, se o domingo fosse chamado simplesmente DOMINGO DA RESSURREIÇÃO e não Domingo da Páscoa.

Infelizmente, alguns, pouco dados ao estudo, ainda intitulam o “DOMINGO DA PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO”. Ora, acho descabida a mistura.

 

Não comemoro a Páscoa.

Quando muito, comemoraria o DIA DA RESSURREIÇÃO, já que minha corrente teológica coaduna-se com a crença do “verbo feito carne”.

 

Como a data é repetitiva anualmente deixemos o pensamento girar um ano (ou quase isso) para que em 2012 a reflexão torne-se, quem sabe, útil.

Por enquanto… uma feliz quarta, quinta, sexta-feira e depois, um feliz sábado, domingo… e depois segunda, terça, enfim as semanas inteiras até o ano que vem, quando enfim poderei desejar-lhes:

“FELIZ DIA DA RESSURREIÇÃO”!

PURO AMOR
Texto de Sathya Sai Baba

Deus está em tudo.
Entretanto, nem todos os homens estão Nele.
E, por isso, sofrem.
Deus é Luz.
É a estrela mais longínqua e também a folha de grama sob seus pés.
Apenas nas profundezas do silêncio
é que a voz de Deus pode ser ouvida.
Ele não está em nenhuma religião, mas em sua mente e em seu coração.
Não se desespere!
As dores e as batalhas deste mundo são ilusórias e passageiras.
É promessa Divina que se você assumir bravamente o caminho da devoção, Ele cuidará de seu futuro, cuidará do bem-estar que lhe é devido.
Havendo retidão no coração, haverá beleza no caráter.
Se há beleza no caráter, reinará harmonia no lar.
Havendo harmonia no lar, haverá ordem na nação.
Se reina ordem na nação, se fará a Paz no mundo.
Seja como o lótus, que, apesar de ter nascido na lama do lago,
por pura força de vontade ascende acima das águas para contemplar o Sol.
Não exagere na condenação aos erros dos outros, releve-os.
Quanto aos seus, faça o contrário.
Enxergue-os maiores do que são e empenhe-se em superá-los.
O silêncio é a única linguagem do homem realizado.
Pratique a moderação no falar. Isso é fecundo de várias maneiras.
Desenvolverá amor, pois, do falar descuidado resultam incompreensões e facções.
Quando é o pé que resvala, a ferida pode ser curada,
mas quando é a língua, a fenda é no coração,
e esta poderá perdurar por muito tempo.
Reduza suas necessidades e viva com simplicidade –
Tal qual é o caminho da Felicidade.
Só existe uma religião, a do Amor!
Só existe uma linguagem, a do Coração!
Um coração compassivo é o Templo de Deus.
Aja conforme diz.
Diga conforme sente.
Não tente trapacear com a sua consciência.
Onde há Fé, há Amor.
Onde há Amor, há Paz.
Onde há Paz, há Verdade.
Onde há Verdade, há Deus.
Nada neste mundo faz sentido se não tocamos o coração das pessoas.
Se crescemos com os golpes duros da vida,
também podemos crescer com os toques suaves da Alma.

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Nosso amigo Francisco Valme, músico baterista, precisa de nossa oração.
Seu estado é considerado gravíssimo pelos médicos.
Façamos uma corrente de fé por sua recuperação.
Obrigado
Artur Quintela

 

08 DE DEZEMBRO

 

ODU-YÁ YEMANJÁ!

Raramente escrevo sobre os santos de origem africana. Hoje é exceção. Dia de Yemanjá (ou Iemanjá – as duas grafias estão certas).

Odu-Yá (ou Ô-Dô-Yá, como preferirem). Salve a doce mãe das águas. Salve Yemanjá! Meu Aledá.

A Bahia – que é de Todos os Santos – está em festa. Senhor do Bom Fim tem as escadarias lavadas e enxaguadas com água de cheiro. O pelourinho dobra-se hoje, em festa, encenando o fim da luta pela abolição, pelo fim do sofrimento dos filhos de Yemanjá.

Em todos os cantos do Brasil, entretanto, a festa é garantida. Os Ogãs imprimem o ritmo dos pontos de alegria. De emoção. E chega ao êxtase. Odu-Yá, Minha Mãe!!!

Yabás, Yalorixás, Babalorixás, Ogãs, Abiãs, Cambonos e Cambonas… enfim, todos se reúnem hoje, em festa, nos terreiros de Candomblé e Umbanda. Yemanjá se faz presente para abençoar os filhos de fé (e da fé).

Hoje, o calendário de 2011 é anunciado, com o Orixá do comando.

Hoje, para mim, é FESTA!

Sempre leio textos publicados na Internet. Invariavelmente torna-se difícil encontrar coisa nova ou significativamente boa.

O texto a seguir foi mandado por uma pessoa amiga, em estilo PPS. Consegui extrair apenas o texto para colocar aqui. É de bom alvitre.

O TESTAMENTO DO MENDIGO


Agora, no fim da vida
Como mendigo que sou,
Me sinto preocupado,
Intrigado e num momento
Me pergunto, embaraçado,
Se faço ou não testamento.

Não tendo, como não tenho
E nunca tive ninguém,
Pra quem é que eu vou deixar
Tudo o que eu tenho:
os meus bens?
Pra quem é que vou deixar,
Se fizer um testamento,
Minhas calças remendadas,
O meu céu, minhas estrelas,
Que não me canso de vê-las
Quando ao relento deitado
Deixo o olhar perdido,
Distante, no firmamento?
Se eu fizer um testamento
Pra quem é que vou deixar
Minha camisa rasgada,
As águas dos rios, dos lagos,
Águas correntes, paradas,
Onde às vezes tomo banho?
Pra quem é que vou deixar,
Se fizer um testamento,
Vaga-lumes que em rebanhos
Cercam meu corpo de noite,
Quando o verão é chegado?
Se eu fizer um testamento
Pra quem vou deixar,
Mendigo assim como sou,
Todo o ouro que me dá
O sol que vejo nascer
Quando acordo na alvorada?
O sol que seca meu corpo
Que o orvalho da madrugada
Com sua carícia molhou?
Pra quem é que vou deixar,
Se fizer um testamento,
Os meus bandos de pardais,
Que ao entardecer, nas árvores,
Brincando de esconde-esconde,
Procuram se divertir?
Pra quem é que eu vou deixar
Estas folhas de jornais
Que uso para me cobrir?
Se eu fizer um testamento
Pra quem é que eu vou deixar
Meu chapéu todo amassado
Onde escuto o tilintar
Das moedas que me dão,
Os que têm a alma boa,
Os que têm bom coração?
E antes que a vida me largue,
Pra quem é que eu vou deixar
O grande estoque que tenho
Das palavras “Deus lhe pague”?
Pra quem é que eu vou deixar,
Se fizer um testamento,
Todas as folhas de outono
Que trazidas pelo vento
Vêm meus pés atapetar?
Se eu fizer um testamento
Pra quem é que vou deixar
Minhas sandálias furadas,
Que pisaram mil caminhos,
Cheias dos pós das estradas,
Estradas por onde andei
Em andanças vagabundas?
Pra quem é que eu vou deixar
Minhas saudades profundas
Dos sonhos que não sonhei?
Pra quem eu vou deixar,
Se fizer um testamento,
Os bancos dos meus jardins,
Onde durmo e onde acordo
Entre rosas e jasmins?
Pra quem é que vou deixar,
Todos os raios de luar
Que beijam minhas mãos
Quando num canto de rua
Eu as ergo em oração?
Se eu fizer um testamento
Pra quem é que vou deixar
Meu cajado, meu farnel,
e a marca deste beijo
Que uma criança deixou
Em meu rosto perguntando
se eu era Papai Noel?
Pra quem é que eu vou deixar,
Se fizer um testamento,
Este pedaço de trapo
Que no lixo eu encontrei
que transformei em lenço
Para enxugar minhas lágrimas
quando fingi que chorei?
Se eu fizer um testamento…
Testamento não farei!
Sem nenhum papel passado,
Que papéis eu não ligo,
Agora estou resolvido:
O que tenho deixarei,
Na situação em que estou,
Pra qualquer outro mendigo,
Rogando a Deus que o faça,
Depois que eu tiver morrido,
Ser tão feliz quanto eu sou.

Urbano Reis

(Transcrito da revista “Universo Espírita” n. 04, p. 15, Ed. hmp. Teria sido feito por um mendigo. Ele não tinha nada material para transmitir a alguém, mas sentiu-se feliz em deixar muitas coisas que o dinheiro não compra.)

Já publiquei aqui, nesse pequeno espaço, matéria de outra autoria.

Esta, agora, publicada por um amigo – Antonio Serpa do Amaral Filho, cai como uma luva sobre o artigo originamente intitulado “AS NUANCES TEOLÓGICAS”, que já re-editei poqeu pareceu-me ter caido no esquecimento dos contatos.

Então vejamos o que pensa nosso amigo “Serpinha” a respeito das conclusões (i)lógicas publicadas a respeito do desastre que ficou conhcido como o 11 de setembro (ou 911), nos Estados Unidos.

 

RESPOSTA À FILHA DE BILLY GRANHAM – DEUS E O 11 DE SETEMBRO
Antonio Serpa do Amaral Filho

O atentado terrorista de 11 de Setembro de 2001 está sendo explicado na internet pela filha de Billy Graham, um pastor protestante do gênero mass mídia. Está sendo veiculado na web que, em entrevista ao Early Show, da TV Americana, Anne Graham disse que o povo norte-americano esqueceu de Deus e, além disso, já não se faz orações nem a leitura da Bíblia nas escolas americanas, as mulheres estão fazendo aborto e os adolescentes usando camisinha naquele país. Resultado: as torres vieram abaixo.

Essa versão revela claramente a faceta danosa da ideologia da fé, quando constrói o seguinte silogismo falacioso em torno do 11 de Setembro: Deus abandona à própria sorte os que não o reverenciam (premissa maior); o povo norte-americano não o reverenciou (premissa menor); Deus o abandonou, e daí o aconteceu o 11 de Setembro. (conclusão).

Em outras palavras, o 11 de Setembro, na visão míope e alienada do crente, tem causa não em um conjunto de elementos essencialmente humanos que movem as roldanas da História, mas tem causa na relação homem-Deus. É aí, nesse olhar, nessa interpretação e nessa pregação metafísica, que reside o perigo. Ora, vendo o mesmo 11 de Setembro sob a ótica do Islamismo, temos a seguinte versão: Deus está usando a Al Qaeda para fazer justiça ao Imperialismo Norte-Americano e à opressão Ocidental! Deus escolheu Osama Bin Laden o justiceiro dos novos tempos, Deus abençoa os guerreiros do Islã e dá morte justa aos infiéis! Em nome desse Deus os homens-bomba sacrificam vidas humanas diariamente, pois terão como recompensa, diz-lhes a ideologia islâmica, 20 virgens do céu de Alá.

A fé do crente muçulmano é tão verdadeira e intensa quanto a fé do crente cristão, protestante ou católico. Ambos os crentes invocam uma divindade transcendental. Na verdade, segundo a subjetividade e a cultura de cada grupo de crente, cada um forja um Deus à imagem e semelhança dos seus valores, tradições, costumes, organização social etc, isto é, o Homem é quem cria Deus. Esse é problema e o perigo da fé: ela não se volta unicamente para a divindade invocada. Fosse assim, seria uma maravilha. Todavia, o fenômeno da fé transborda do mundo do mistério e da crença em si mesma para os elementos concretos que perfazem a vida social, política, econômica e cultural do Homem. É aí que o bicho pega, e tá feito o imbróglio.

Senão, vejamos. Anne alinhava os seguintes assuntos da vida terrena: NÃO FAZER ORAÇÃO NAS ESCOLAS. Deduz-se que sejam escolas da rede pública de ensino, pois nas escolas de vocação religiosa as orações são feitas normalmente. Ora, a escola pública pertence ao Estado, e o Estado, na democracia burguesa, é um ente laico, e não poderia ser de outra forma. O Estado não tem Deus, o poder constituinte do Estado não advém de Deus, e o Estado não é concebido em nome de Deus. O Estado Burguês foi construído a sangue e luta justamente para negar o Estado Feudal, esse, sim, erigido em nome de Deus. Pela argumentação da crente, deduz-se que, já que não houve oração nas escolas, Deus fez vistas grossas aos desmandos de Osama Bin Laden, e o povo norte-americano caiu em desgraça.

Não tem nada mais medievalesco do que isso. É uma visão tosca, infantil, de quem não tem um mínimo de leitura histórica da marcha humana. O Estado, a Religião e o Poder Político já foram outrora uma só entidade. Ainda hoje temos resquício do Estado Teocrático no Irã. Recentemente, no Afeganistão, os norte-americanos desmontaram o projeto do Estado Teocrático dos Talibãs. Um Estado laico que assegure a todos a liberdade de crença é uma conquista do mundo moderno. Portanto, se o governo norte-americano proibiu a oração na escola do Estado, agiu certo. O Estado é ente jurispolítico. Misturar Deus com Estado é como fazer um ensopado dos 10 Mandamentos com o Ordenamento Jurídico Pátrio. O Estado é o Estado. Deus é Deus. Separar um do outro nos custou o Renascimento, o Iluminismo e a Revolução Francesa. Vamos retroceder agora??

O uso de camisinhas seria outra causa do ataque terrorista. Infere-se do texto que o 11 de Setembro também tem a ver com o fato da juventude norte-americana estar usando camisinha. E quando se fala em camisinha fala-se em sexo, moral. Vejamos qual é a verdadeira moral do mundo: O Deus de Bento XVI acha que é um pecado usar camisinha. O Deus dos padres engajados em movimentos sociais aprova a camisinha. O Deus dos Protestantes mais conservadores acha que ela é o fim do mundo. O Deus dos Protestantes mais liberais acha não há pecado no uso de preservativo. O Deus do Islamismo ortodoxo acha que camisinha é coisa do demônio ocidental. As 24 milhões de pessoas infectadas pela Aids na África esperam que os Deuses entrem logo em acordo porque, não bastasse a fome, dezenas de pessoas morrem diariamente da doença naquele continente.

Aliás, do ponto de vista focado por Anne, pergunta-se: o que foi mesmo que os coitados dos africanos fizeram seja ao Deus cristão, seja ao Deus do islão, seja ao Deus da umbanda, para que viver de forma tão famélica, sub-humana e degradante? Enquanto o crente está lá na sua Sinagoa, ou na sua Igreja, ou no seu Templo, ou no seu Terreiro, fazendo suas orações e prestando suas reverências ao seu Deus, está tudo bem. Mas quando o olhar desse crente se propõe a substituir o pensamento analítico do sociólogo, o julgamento ponderado do jurista, a explicação científica do Historiador, aí a fé torna-se nefasta porque ela sai da sua dimensão original e passa a querer legislar e administrar numa seara que prescinde da concepção de Deus. O olhar do crente é absolutamente vesgo, não serve para explicar o mundo. É um olhar construído em nome de Deus, ou dos Deuses, mas por ser intrinsecamente parcial, alienado, comprometido, não é ferramenta confiável para oferecer explicações sobre os fenômenos da vida. A discordância deste articulista está assentada nesse mérito. Não estou dizendo que Deus é feio ou é bonito. Reconheço a Fé como Bem da Humanidade. Mas criticamente observo que, ao ser utilizada ideologicamente, a fé presta um des-serviço ao Homem.

Falta autocrítica e farta dose de humildade a todas as correntes religiosas. Cada uma delas se arvora dona da Verdade. Cada uma delas se julga a única reveladora do pensamento divino. São obras temporais da cultura, do espaço e do tempo. Deus possivelmente encontra-se algumas calendas-luz mais pra lá!!

N.R. Para os que não leram a respeito (ou não receberam o email), segue abaixo o texto da filha d Billi Graham.

 

SERÁ QUE DEUS É CULPADO?

 

Finalmente a verdade é dita na TV Americana.

A filha de Billy Graham estava sendo entrevistada no Early Show e Jane Clayson perguntou a ela:

 

‘Como é que Deus teria permitido algo horroroso assim acontecer no dia 11 de setembro?’

Anne Graham deu uma resposta profunda e sábia:

 

‘Eu creio que Deus ficou profundamente triste com o que aconteceu, tanto quanto nós.

Por muitos anos temos dito para Deus não interferir em nossas escolhas, sair do nosso governo e sair de nossas vidas.
Sendo um cavalheiro como Deus é, eu creio que Ele calmamente nos deixou.
Como poderemos esperar que Deus nos dê a sua benção e a sua proteção se nós exigimos que Ele não se envolva mais conosco?’

À vista de tantos acontecimentos recentes; ataque dos terroristas, tiroteio nas escolas, etc…

 

Eu creio que tudo começou desde que Madeline Murray O’hare (que foi assassinada), se queixou de que era impróprio se fazer oração nas escolas Americanas como se fazia tradicionalmente, e nós concordamos com a sua opinião.

 

Depois disso, alguém disse que seria melhor também não ler mais a Bíblia nas escolas…

A Bíblia que nos ensina que não devemos matar, roubar e devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos. E nós concordamos com esse alguém.

 

Logo depois o Dr.. Benjamin Spock disse que não deveríamos bater em nossos filhos quando eles se comportassem mal, porque suas personalidades em formação ficariam distorcidas e poderíamos prejudicar sua auto estima (o filho dele se suicidou) e nós dissemos:

 

‘Um perito nesse assunto deve saber o que está falando’.

E então concordamos com ele.

 

Depois alguém disse que os professores e diretores das escolas não deveriam disciplinar nossos filhos quando se comportassem mal.

Então foi decidido que nenhum professor poderia disciplinar os alunos…(há diferença entre disciplinar e tocar).

 

Aí, alguém sugeriu que deveríamos deixar que nossas filhas fizessem aborto, se elas assim o quisessem.

E nós aceitamos sem ao menos questionar.

 

Então foi dito que deveríamos dar aos nossos filhos tantas camisinhas, quantas eles quisessem para que eles pudessem se divertir à vontade.

E nós dissemos: ‘Está bem!’

 

Então alguém sugeriu que imprimíssemos revistas com fotografias de mulheres nuas, e disséssemos que isto é uma coisa sadia e uma apreciação natural do corpo feminino.

E nós dissemos:

 

‘Está bem, isto é democracia, e eles tem o direito de ter liberdade de se expressar e fazer isso’.

 

Depois uma outra pessoa levou isso um passo mais adiante e publicou fotos de Crianças nuas e foi mais além ainda, colocando-as à disposição da internet.

Agora nós estamos nos perguntando porque nossos filhos não têm consciência e porque não sabem distinguir o bem e o mal, o certo e o errado; porque não lhes incomoda matar pessoas estranhas ou seus próprios colegas de classe ou a si próprios…

 

Provavelmente, se nós analisarmos seriamente, iremos facilmente compreender:  nós colhemos só aquilo que semeamos!!!
Uma menina escreveu um bilhetinho para Deus:
‘Senhor, porque não salvaste aquela criança na escola?’

A resposta dele:

‘Querida criança, não me deixam entrar nas escolas!!!’

 

É triste como as pessoas simplesmente culpam a Deus e não entendem porque o mundo está indo a passos largos para o inferno.

É triste como cremos em tudo que os Jornais e a TV dizem, mas duvidamos do que a Bíblia, ou do que a sua religião, que você diz que segue ensina.

 

É triste como alguém diz:

‘Eu creio em Deus’.

Mas ainda assim segue a satanás, que, por sinal,também ”Crê” em Deus.

É engraçado como somos rápidos para julgar mas não queremos ser julgados!

 

Como podemos enviar centenas de piadas pelo e-mail, e elas se espalham como fogo, mas, quando tentamos enviar algum e-mail falando de Deus, as pessoas têm medo de compartilhar e reenviá-los a outros!

 

É triste ver como o material imoral, obsceno e vulgar corre livremente na internet, mas uma discussão pública a respeito de Deus é suprimida rapidamente na escola e no trabalho.

 

 

Você mesmo pode não querer reenviar esta mensagem a muitos de sua lista de endereços porque você não tem certeza a respeito de como a receberão, ou do que pensarão a seu respeito, por lhes ter enviado.

 

Não é verdade?

Gozado que nós nos preocupamos mais com o que as outras pessoas pensam a nosso respeito do que com o que Deus pensa…

‘Garanto que Ele que enxerga tudo em nosso coração está torcendo para que você, no seu livre arbítrio, envie estas palavras a outras pessoas’.

 

Passe essa mensagem adiante, se acha que ela tem algum mérito.

Se não, ignore-a… e delete-a…

N.R. 2 – Quem tiver mensagens deste tipo, por favor não as repasse para mim. Obrigado.

 

 

QUERO REPUBLICAR AQUI UM ARTIGO ESCRITO TEMPOS ATRAS, PORQUE PARECE QUE O TEMA CAIU NO ESQUECIMENTO. ASSIM, VAMOS REACENDER MEMÓRIAS CURTAS.

AS NUANCES TEOLÓGICAS NAS MENSAGENS POSTADAS

A todos a quem dedico meu carinho e, em especial, àqueles que retribuem, quero deixar aqui uma mensagem em sentido de pedido.

Antes que me julguem arrogante, quero esclarecer que respeito todas as convicções religiosas. As correntes teológicas, na realidade, a meu ver, não distribuem males pelo mundo. Alguns seguidores, estes, sim, desvirtuam os ensinamentos que sempre indicam caminhos pacíficos.

Entretanto, tenho recebido diuturnamente mensagens de correntes diferentes da minha. Acredito que os que assim o fazem, acreditam estar fazendo o bem.

Não posso concordar! E se não concordo, é pelo que passo a expor:

1 – Acredito em um só Deus, Excelso Criador, que a nós, sua criação, presenteou com o dom da vida e concedeu-nos, ainda, o privilégio do livre arbítrio em nossa passagem terrena.

2 – Não posso me permitir a crença de que uma divindade, superior a todas as outras que supostamente possam existir, necessite utilizar uma de suas criaturas para punir outra que tenha praticado algum ato, só considerado errado por essas criaturas algozes;

3 – Não posso crer que Deus precise utilizar minha mão, minha voz, meus passos… enfim todo o meu ser ou parte dele, para se fazer entender pelos demais, se Ele, Supremo, é Onipotente.

4 – Não posso aceitar pregações do Antigo Testamento que falam de um deus de um homem e não da humanidade;

5 – Não posso aceitar que um homem seja escolhido por Deus, quando todos são iguais perante Ele;

6 – Não existe matéria tangível na espiritualidade, portanto, não existe capacidade para pensar, sentir, ver, escutar…  ou seja, espírito é energia pura, portanto os “pecados” dizem respeito à matéria e não acompanham a espiritualidade.

7 – Não creio na instituição divina do pecado. Creio na criação histórico-cultural, dependendo, ainda, da regionalidade. Assim, o que hoje se considera pecado, na realidade era lei, imposta por alguns sobre outros.

8 – Minha corrente teológica respeita, contudo, todas as demais e suas manifestações. Não invado espaço nem critico outras religiões.

9 – Meu país permite liberdade de credo, inibindo, por lei, qualquer manifestação de repúdio ou preconceito religioso. Assim, acredito estar respeitando a lei, enquanto me sinto afrontado pelas constantes mensagens de fiéis de outras correntes, que, repito, parecem acreditar que estão certos, enquanto pretendem convencer-me que estou errado.

Por esses nove motivos e por outros que deixo de relatar, quero pedir encarecidamente que não me enviem mensagens religiosas. Mesmo porque, os que me conhecem de perto conhecem minha convicção espírita.

Não quero, como já disse alhures, parecer grosseiro, mas são mensagens perdidas por seus remetentes. Converso com Deus diretamente e não utilizo intermediários, da mesma maneira que mantenho o diálogo aberto e permanente com meus filhos e demais familiares.

Ele é Onipresente, Onisciente e Onipotente. Sendo, também, Onipiedoso e Oniamoroso, não posso aceitar que me imponham a imagem de um ser supremo cruel, que castiga seus filhos com infernos, ou outras criações de algumas mentes terrenas doentes. Não creio em deuses deste ou daquele homem, mas um só de todas as criaturas, não só homens, mas todas as que foram realmente criadas pelo Excelso Criador. Tanto o é que o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Este grande mistério só é possível, quando identificamos, com certeza, que existe um lado espiritual em tudo e não apenas no homem. E o Verbo feito carne o fez para demonstrar que são duas existências distintas – material e espiritual.

Não creio (repito) em pecados. Creio que possa existir o certo e o errado, dentro de uma cultura. Mas, isso nada tem a ver com alma ou espiritualidade.

Não acredito que exista um povo salvo, se esse povo não é a própria humanidade.

Não cultivo a idéia de raças. Acredito na existência da raça humana. E, ponto final.

Obrigado,

Artur Quintela Gomes