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AGENDA ASFALTÃO

AGENDA ASFALTÃO

Como sempre faço, uno-me à querida Família Asfaltão para divulgar a agenda de eventos, divulgada pela amiga Silvia, Diretora de Comunicação.

*“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante,
chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a
peça termine sem aplausos”.(Charlie Chaplin).*

FEIJOADA DO TIME MASTER DO ASFALTÃO

“A Escola fará homenagem a Porto Velho e receberá Projeto Samba Autoral”

O time Master de Futebol da Família Asfaltão, está organizando uma
feijoada que acontecerá no próximo dia 03/10/2015 (sábado). O objetivo
dos atletas é criar um fundo específico para subsidiar as despesas
deste imbatível time.
Pra que isso aconteça, contam com a presença dos amigos e amigas, da
comunidade, dos amantes da cultura, do samba e esporte de Porto Velho.
Adquira seu convite e participe!!!

101 ANOS DE PORTO VELHO

No dia 2 de outubro sexta feira, nossa amada cidade completa 101 anos
de criação e como sempre, esta grande Família fará suas respectivas
homenagens, dedicando a Roda de Samba deste dia a Porto Velho. Não
podia ser diferente, pois seja em Sambas de Enredos que já foram pra
avenida, ações voltadas para a maior riqueza daqui que são as pessoas
e outras composições de membros da Ala de Compositores (as), a
Agremiação, se destaca no quesito Amor a seus Valores, suas coisas e
sua gente. Pequenos trechos de alguns dos sambas da Escola em que a
terra do mais lindo Por do Sol foi exaltada:
“…Porto do Velho, Porto Velho minha vida…” (Asfaltão contou em
1994 a história de Porto Velho – Samba de Mavilo Melo e Waldison
Pinheiro)
“… Bate tambor de mina Nagô…” (Asfaltão contou em 2008 – História
do bairro Santa Barbara que se confunde e está muito ligada a história
de Porto Velho – Samba de Trio do Ouro )
“… Sou beradeiro Porto Velho é meu Amor…” (Asfaltão contou em
2010 – Samba de Toninho Tavernad).
Participe, some e preste sua homenagem também!!

PROJETO SAMBA AUTORAL

Neste mesmo dia, envolto a união da escola, dos sambistas, em clima de
muita Harmonia, a Família Asfaltão receberá em seu espaço a 10ª edição
do Samba Autoral. Este Projeto é fruto da organização de sambistas de
nossa cidade, tem proporcionado aos admiradores deste ritmo e desta
arte, a possibilidade de conhecerem obras que não deixam nada a
desejar a grandes músicas em destaque no cenário nacional.
O dia promete, além de um ambiente saudável, teremos clima de
harmonia, carinho, gente bonita e muita coisa boa.
Pra completar basta você participar.

Tá feito o convite!!!
Será dia 03/10/2015(sábado), na Tenda do Tigre, localizada na Jacy
Paraná entre Brasília e Getúlio Vargas.

Silvia Ferreira de O. Pinheiro – 9982-9381
Diretora de Comunicação do GRES Asfaltão

A VIDA CONTINUA – ALINE VIVE

Hoje, saudoso como sempre, desde a partida da filhota, recebi em nossa casa um casal que se tornou tão amigo de Aline que passou a integrar a família como membro de nossa prole. Renato e Ariadne são como nossos filhos.
Ariadne havia prometido a Aline, durante sua gestação, que se fosse menina teria o nome em homenagem a ela, pela grande amizade que nutriam uma pela outra.
E hoje a pequena Aline adentrou nossa casa, com apenas quatro dias de vida.
Fez meu mundo reluzir, embora não impedindo as lágrimas, que explodiram mais uma vez.
Aline vive, mais uma vez entre nós. Será presença constante, sim, em nossa casa. Pois já foi abençoada por nós, como nossa neta e como a estrelinha fulgurante que importa neste momento.
Meu céu brilha, mais uma vez. E minha alegria pode ser vista, tanto no sorriso, quanto no olhar marejado.
Obrigado, meu Deus. Obrigado, Ariadne e Renato. Obrigado Aline.
Aline vive!2015-07-29 11.07.01 2015-07-29 11.07.04 2015-07-29 11.07.10 2015-07-29 11.07.14 2015-07-29 11.07.33 2015-07-29 11.07.40 2015-07-29 11.07.42 2015-07-29 11.07.45 2015-07-29 11.07.50 2015-07-29 11.10.23 2015-07-29 11.10.34

A TRAGÉDIA GREGA DO III MILÊNIO

O título não quer dizer exatamente a mensagem do texto.
Na realidade, tudo o que se escreve aqui representa a visão do autor sobre o tema que hoje faz os olhares da humanidade voltarem-se para a Grécia.

Abalada desde gestões passadas a economia grega passa pelo seu momento de maior incerteza. Nem os gregos parecem acreditar num final feliz para o drama em que se envolveu a nação após tantos e tantos planos e ideias mirabolantes para salvar a economia do país sucateado que foi pelas gestões que nada tinham de patriotismo ou idealismo, mas, simplesmente, submeteram-se à gana desenfreada do capitalismo.

O que vejo é a vitória grega sobre o capitalismo que vai apartando cada vez mais a raça humana. Mostrem-me uma obra de um capitalista e reconhecerei que estou errado. O capitalismo não constrói. Corrói. Destrói a alma humana. Destrói a esperança fingindo mantê-la.
Muitos dirão: Ahhh… mas os bancos dão emprego. – Sim!, lhes respondo… Mas a que preço – cobrado da clientela?

A Grécia parece-me, hoje, criar um novo ângulo no prisma viciado da visão capitalista. “Devo e pagarei, mas sem comprometer meu futuro!”
Não é aquele velho ditado do “devo não nego, pago quando puder”. É a nova maneira de impor regras – de baixo para cima. Ou seja… “se eu sucumbir, levo você junto. Então, aceite minhas regras”.

Ao negar o acordo oferecido inicialmente pela União Europeia a Grécia não renunciou ao pacto. Simplesmente exigiu tratamento de nação e não de cliente de balcão. É o povo grego que tem que decidir. E o povo apoiou a proposta de seu governante. Pagar, sim. Mas, pelas regras gregas.

Os economistas (que só aprenderam capitalismo e não economia, realmente) debateram-se na insônia provocada pelo arredio patriota. “Como pode?… Ta devendo e ainda faz exigências?”

Mas a Grécia não dobrou-se aos anseios dos ditadores do capital. E, mesmo correndo riscos, exigiu respeito.

Parece que a mensagem foi entendida. Por unanimidade a União dos Países Europeus aceitou renegociar. Agora, sim. Liderados – ao que parece – pela grande mulher da cúpula europeia, os membros da EU aceitaram fazer o teste.

Faz-me lembrar uma frase, que hoje parece-me sem sentido. Mas, ao inverter as personagens fica de uma lógica impressionante.

– Merkel, shows Dilma how do.

Reproduzo abaixo, a título de manter nossa população informada, a coluna do amigo Silvio Santos, popular Zekatraca, desta quarta feira.

Lenha na Fogueira

 

“A cheia vai acontecer sim. Só não sabemos quando. Acreditamos que em abril ela alcance seu ponto máximo, o que podemos informar a princípio, é que não será uma cheia como a do ano passado…” palavras do secretário adjunto de Defesa Civil José Pimentel.

 

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Congratulamo-nos com a preocupação dos órgãos de Defesa Civil para com a enchente que pode causar transtorno a muita gente.

 

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O que não podemos concordar, é com o terror que estão fazendo com a possibilidade de se ter uma nova enchente. Isso está prejudicando muita gente.

 

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O ribeirinho porque fica na incerteza do futuro de sua plantação! O comerciante porque não sabe se pode vender no crediário para os que moram em área considerada de risco, pois ficam na dúvida se vão ou não receber as prestações.

 

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O estudante porque não tem certeza que vai continuar naquela escola, pois a cheia pode fazer com que sua família se mude para um local distante da escola.

 

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O padre porque não tem certeza se vai poder mandar pintar a igreja, pois não trem certeza se a tinta vai resistir à nova enchente.

 

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O pescador porque não sabe se vai poder pescar, pois a cheia dificulta a pescaria.

 

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Ta todo mundo na dúvida. A cidade está parada por conta de uma possível enchente que o pessoal da Defesa Civil quer por quer que aconteça.

 

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Não preservaram o patrimônio da Madeira Mamoré alegando que viria uma nova enchente e que por isso, não adiantava fazer nada e assim, as peças foram ficando jogadas, até que o “Movimento Viva Madeira Mamoré” começou a cobrar maiores ações das autoridades municipais, estaduais e federais, o que culminou com o Manifesto que Aconteceu sábado e agora está nas redes sociais aguardando assinaturas.

 

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O secretário da Defesa Civil disse… ”…O que podemos informar  a princípio, é que não será uma cheia como a do ano passado…”

 

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Ora meus amigo, se não será como a do ano passado, será uma cheia que estamos acostumados a ver todos os anos.

 

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Nasci e me criei aqui e sempre vi alagar a Baixa da União e o que depois passaram a chamar de Cai N’água.

 

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Basta lembrar que as diversas cheias que afetaram a Baixa da União e o Triângulo foram responsáveis pela formação de alguns bairros como:

 

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Meu Pedacinho de Chão, Vila Tupi e parte do Bairro São Sebastião. A turma do Belmonte subiu a ladeira e foi formar o Bairro Nacional.

 

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Este ano não será diferente, daqui a alguns dias, a Baixa da União estará tomada pelas águas. A Feira do Produtor e o antigo Camelódromo estarão debaixo d’água. Isso acontece todos os anos.

 

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Quanto à lâmina d’água começar a cobrir a BR 364 não será culpa do Rio Madeira, pois a água que vai invadir a Estrada é a que forma a barragem.

 

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Jacy Paraná, Velha Mutum, Arara e outras localidades são vítimas da barragem das usinas e não da enchente do rio Madeira. Basta lembrar que foram as usinas que mandaram elevar parte da BR 364 justamente no trecho de Mutum Paraná. Só que a elevação não foi suficiente para livrar o leito da BR da água represada.

 

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Aqui na frente de Porto Velho o que vai acontecer e isso está bastante patente, só quem não quer admitir, são os que se dizem técnicos no assunto, é o desbarrancamento do que sobrou do Triângulo e se não tomarem providencias do barranco da frente do Plano Inclinado que já começou a desmoronar.

 

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Tenho ouvido da boca dos beradeiros, pescadores e garimpeiros, que o rio Madeira não está cheio está sim, muito Assoreado!

 

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Precisamos acabar de fazer terror, utilizando o rio Madeira como protagonista. 

Bom dia, gente querida.

Um BOM DIA especial a todos os médicos pelo seu dia. A categoria que se dedica a salvar vidas. Embora alguns não levem a sério o juramento que fizeram, é um dos mais lindos já produzidos pela humanidade. A toda(o)s que labutam nessa honrosa profissão, meus sinceros parabéns. Não deveria ser um dia apenas, pois todos os dias precisamos de um.

 

Mudando de assunto, minha mensagem de hoje tem a ver com nossa situação política atual.

A conjuntura política de nosso país deve ser levada a sério e não como um jogo de futebol de várzea. Não há isso de “o meu ganhou!” ou “o seu perdeu kkk!”.

Quando se publica alguma coisa, não quer dizer explicitamente que isso corresponda à maneira de pensar do autor. Muitos textos são esclarecedores, apenas, de alguma situação ocorrente ou ocorrida.

Minha posição política é apartidária. Sempre foi. Sempre votei na pessoa e não no partido ao qual se vinculava. Mesmo porque não creio em ideologia política ou fidelidade partidária no Brasil. O mesmo político que foi eleito pelo partido “A” pode simplesmente desfiliar-se quando julgar conveniente “pular para outro banco”. E o próprio partido pode apartar de seu grupo de filiados aquele(s) que não coaduna(m) com a atuação da diretoria de época.

Vejo que alguns dos que me visitam com frequência ficaram alarmados por ter republicado alguns conteúdos que eram opostos à sua forma de pensar. Ótimo! A liberdade de pensamento é uma das conquistas de minha geração.

Já vivemos presos, atrelados a um regime duro que mandava e era obedecido – ou então, quem desobedecia sucumbia às torturas, fatalmente desaparecendo para sempre.

Quem não viveu os “anos de chumbo” não entenderá o que escrevi. Mesmo porque, os movimentos populares de hoje são diferentes. É uma marcha “tocada” por alguns que se escondem em trincheiras ou simplesmente atrás de máscaras. Não vejo idealismo no mascaramento ou idealismo.

Muitas pessoas que foram às ruas – pacificamente, digo – protestar contra os desmandos do governo atual estão fazendo propaganda a favor de sua continuidade. Esqueceram rapidamente do que reivindicavam.

 

Penso que o continuísmo conduz ao vício. E a verdadeira democracia deve permitir, sim, a alternância de poderes. Pelo menos em dois, dos constituídos, podemos fazer preponderar nossa vontade. E, quando posso, escrevo para a posteridade, ensinando aos meus que escolhi “fulano” ou “sicrano” por seu currículo e não porque pediu meu voto ou concedeu-me alguma benesse.

 

E quando posto a opinião de pessoas que pensam igual (ou diferente) a mim significa que respeito o direito democrático de cada um expressar seu pensamento, o que, aliás, é preceito constitucional.

 

Tenham uma boa sexta-feira!

O VALOR DA AMIZADE – SERPINHA

Por Artur Quintela

 

Quando uma pessoa se faz amiga de outra, coloca-a dentro do coração. E de lá não a tira mais. Deixa perpetuar-se, como se parte de si próprio fizesse.

 

Alguns amigos demoram mais a tornar-se donos do coração. Já outros – que chamo de anjos – chegam voando e não precisam subir os degraus da amizade para serem tão importantes.

 

No período de cheia do Rio Madeira tive minha casa, escritório e outro imóvel – à época alugado para terceiros – fortemente atingidos pelas águas. Viver um pesadelo daquele tipo era inimaginável para mim. Ano passado fizera uma oração, agradecendo a Deus por ter escolhido um lugar tão bom para minha família residir e viver. Longe de desmoronamentos, não sujeitos a cheias pluviais repentinas, muito menos alagações. Dista mais de quinhentos metros da margem do Madeira.

 

Entretanto, o que não era esperado, o que julgávamos impossível, aconteceu. E tive que sair às pressas porquanto, embora informassem que as águas subiam dezessete centímetros por dia, houve vez de superar os vinte e cinco. E período em que, em quatro horas, apenas, o nível subiu quinze centímetros. Afirmo porque fiz medições desde que a água chegou às bueiras das cercanias. Elaborei uma régua e diariamente realizava medições. Várias delas, no final.

 

Perdi alguns móveis, eletroeletrônicos… mas principalmente, perdi a dignidade. Sempre trabalhei (comecei aos sete anos) e provi minha casa de recursos necessários à manutenção da ordem familiar. E, de repente, fiquei sem meu ambiente de labor diário, sem condições de sustentar a família.

 

Foi naquele momento que pude ver o que tinha produzido em minha vida pregressa. O amor, a compreensão, a mão amiga dos familiares, parentes e amigos, fizeram-me forte. Fizeram-me entender que não estava só. Sobraram-me momentos de alegria. Parecia não haver cheia. Acomodei-me em imóvel de parentes. Chegaram-me alimentos. Valores foram depositados para suprir as necessidades mais prementes. Se, por meu lado, deixei de comprar “aquela cervejinha”, por outro me chegavam os familiares e amigos e diziam “não vamos deixar a peteca cair”.

 

Certo… Irão dizer alguns que família é para se unir nessas horas e superar as dificuldades. E amigos também, ora.

 

Pois é o que mais vale. Os amigos chegaram-me de montão. Vi que minha vida tinha sido voltada para formar amigos fortes e sua força fazia-me forte também.

 

A todos eles deixei meu agradecimento. Mesmo àqueles que, de longe, apenas mandavam-me palavras de conforto e solidariedade. Eram tão importantes quanto os próximos.

 

E, hoje, pus-me a refletir. Em várias vezes de nossas vidas nos deparamos com dificuldades. E, nessas ocasiões, eles – os amigos – surgem como anjos. Anjos protetores.

 

Em um desses momentos – triste demais – tive uma de minha prole acometida por doença em um período muito difícil. Estávamos ambos – eu e minha esposa – desempregados. E ver uma filha com câncer, já é um suplício. Sem condições de tratamento na cidade, é demais.

 

Foi naquele tempo que uma amizade de infância reapareceu em minha vida. Já com os cabelos teimando em abandoná-lo, surgiu entre a névoa como luz e buscou a solução que o Excelso Criador lhe permitia no momento.

 

Talvez ele mesmo não tenha percebido a grandeza de seu gesto naquela ocasião. Talvez, não! Com certeza não percebeu, tamanha é a grandeza de espírito e generosidade que tem.

 

Muita gente talvez nem entenda o “porquê” desse depoimento. Acontece que essa pessoa passou a integrar nossa família, mesmo sem pisar em nossa casa. É importante que se mantenha viva a memória de um ato simples para ele e tão importante para mim.

 

Antonio Serpa do Amaral Filho – que conheci e trato por Serpinha, e atualmente é conhecido por demais no meio cultural como Bazinho – é essa figura de coração enorme que poucos conhecem tão bem.

 

Talvez a simplicidade do seu viver, a humildade – mesmo sendo filho de um dos melhores (há quem diga que foi o melhor) prefeitos de nossa capital – sejam qualidades que não lhe permitem orgulhar-se, muito menos recordar-se de atitudes tão bonitas.

 

Serpinha viu a dificuldade, a lentidão, dos processos jurídicos. Sentou-me à garupa de sua moto e, em menos de dez minutos havia conseguido a liberação da parcela do FGTS retida em dos planos governamentais. Não sabia. Não perguntou… Mas aquele valor seria utilizado para a viagem de minha filha a Manaus, a fim de realizar tratamento do câncer que a afligia.

 

Assim é Serpinha. Simples, bondoso, carinhoso… e tantos bons adjetivos mais que nem Aurélio Buarque de Holanda conseguiria verbetar todos.

 

Obrigado, Serpinha. Obrigado, Bazinho. Obrigado Antonio Serpa do Amaral Filho… por ser MEU AMIGO!

 

Anote-se! Registre-se! Torne-se público!

 

 

 

 

 

Olha, é preciso coragem, disposição para ler do início ao fim. Sei que muita gente não concorda com o que foi escrito. É um artigo com verdadeira percepção musical contemporânea.
Costumo atender acadêmica(o)s em dificuldades em seus TCCs. Talvez não tenham disposição (nem tempo) para ler todo o artigo, mas seu conteúdo é válido.
Boa leitura (se conseguir…).

 

 

MIB (Música Imbecil Brasileira): o Sertanejo Universitário na era da imbecilidade monossilábica

By Ton Müller on 30 de julho de 2014 Hipnose, Sociedade

Por Rafael Teodoro do site Revista Bula | Post retirado do meu blog de fotografia mas que precisa ser amplamente distribuído pois até hoje foi o texto que na minha opinião mais explicou sobre a década perdida da música brasileira, mais uma vez… 

Um movimento circular, no qual aquele que nada tem a oferecer intelectualmente alimenta com sua arte quem já se encontra morrendo de inanição cerebral

Há uma tendência idiomática, estudada pelos gramáticos e linguistas, e mesmo constatável empiricamente, que consiste na ação do falante de abreviar as palavras. Assim, palavras longas são reduzidas ao longo do tempo. Exemplo clássico encontra-se no pronome “vocês”. Esta forma, tal como se encontra hoje registrada nos léxicos, nem sempre se pôde considerar “correta”. Em Portugal, a nação europeia da qual o Brasil herdou seu idioma oficial, houve um tempo em que o pronome de tratamento real era “vossa mercê”. Expressão longa, a passagem dos séculos tratou de vulgarizá-lo, abreviando-o. Hoje o escrevemos apenas como “vo­cê” — considerando o plenamente aceitável nos rígidos quadrantes da gramática normativa culta.

Talvez a necessidade de fluidez nos diálogos possa explicar, ao menos em parte, esse movimento de “encurtamento” das palavras numa língua. O interlocutor apressado deseja exprimir suas ideias e sentimentos com rapidez. Logo, usa de vocabulário que lhe proporcione a celeridade almejada. E é aí que a abreviação encontra campo fértil para desenvolver-se, porquanto parece ser de fácil compreensão que palavras curtas propiciam agilidade a uma conversa. Nos tempos presentes, na afamada “era digital”, esse mo­­vimento, outrora secular, acelerou-se. Hoje é possível notar sem dificuldades o re­crudescimento do processo de abreviação das palavras de um dado idioma.

Para citar novamente o caso do “você”, nas redes sociais e nos programas de comunicação instantânea via internet, aquele pronome, cuja forma culta na atualidade já é uma redução da original, foi novamente “mutilado”, tornando-se um singelo “vc”. Idêntico fenômeno se observa no verbo “teclar”: quando usado na denotação de “acionar por meio de teclas”, o usuário da internet tem preferido um simples “tc”.

Essas transformações linguísticas, se de um lado operam-se nos rastros das consequências sociais da globalização — aquilo que o sociólogo Zygmunt Bauman chamou de “modernidade líquida” —, de outro decorrem de uma tentativa de estabelecimento de um signo linguístico capaz de comportar uma sociedade acelerada e sem freio. Eis o “idioma da velocidade”.

O “idioma da velocidade”, dessa maneira, pode-se considerar como sendo o sistema de comunicação mediante o qual o interlocutor prioriza a ligeireza da interlocução: o diálogo deve ser rápido, fluido, “líquido”, mesmo que, para tal fim, seja preciso sacrificar regras comezinhas de sintaxe ou abreviar impiedosamente as palavras.

Um conceito obscuro no cancioneiro nacional

A ideia de “idioma da velocidade”, que ora estou a propor, encontrou terreno fecundo na música comercial brasileira. Especifi­camente, refiro-me ao gênero que se convencionou chamar de “sertanejo universitário” — atualmente dominante em todas as rádios do País.

O conceito de “sertanejo universitário” é dos mais obscuros do cancioneiro nacional. Trata-se de uma aparente “contradictio in terminis”, afinal, “sertanejo” remete à ideia de “sertão”, área agreste, rústica, visto que distanciada dos grandes centros urbanos. Já “universitário” é adjetivo que se liga incontinenti à “universidade”, isto é, espaços de difusão dos saberes científico e filosófico e que, o mais das vezes, situam-se justamente em áreas de intensa urbanização. Por isso, já houve quem quisesse definir “sertanejo universitário” como sendo o “caipira que passou no vestibular” ou “o cidadão urbano com origens no sertão”. Nenhum desses conceitos, é claro, corresponde à realidade. De “sertanejo” esse universitário não tem absolutamente nada. Cuida-se, sim, da juventude da cidade que decidiu colocar um chapéu de cowboy e “cair na balada”.

Do ponto de vista musical, o sertanejo universitário hoje é um gênero musical utilizado comumente para designar a fórmula da “música dançante feita para gente descerebrada”. É o correspondente hodierno, do século 21, ao que foi a axé music no fim do século 20, mais precisamente na década de 1990: a demonstração cabal de que o físico alemão Albert Einstein estava certo quando afirmou: “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, quanto ao universo, ainda não estou completamente certo disso”.

A década perdida da música brasileira

Recordando os tristes anos de 1990, a década perdida da música brasileira, o império da axé music na indústria fonográfica nacional proporcionou algumas das mais constrangedoras composições que alguém, su­postamente um ser racional, já foi capaz de escrever. Naqueles idos, expressões do quilate de “vai dançando gostoso, balançando a bundinha” tornaram-se símbolos de uma geração destruída pelo assédio constante da lógica hedonista do “prazer carnavalesco ininterrupto, curtição acéfala e exibicionismo de corpos plasticamente esculpidos na academia”. Era o princípio de uma tendência irrefreável, que só se acentuaria ao longo dos anos na música brasileira: a substituição do cérebro pelas nádegas. Era o começo da MIB: Música Imbecil Brasileira. O acrônimo de uma geração de jovens destruída pela estultice.

O grau de estupidez a que os ouvidos humanos foram submetidos nessa “idade das trevas” das rádios do País pode ser muito bem representado num dos hits do mais emblemático dos grupos surgidos no período. Refiro-me ao É o Tchan e a sua antológica “Na boquinha da garrafa”, sucesso radiofônico absoluto, cujas coreografias foram repetidas incessantemente em programas de auditório dominicais, com suas dançarinas calipígias “engatando” bem-sucedidas carreiras nas capas de revistas masculinas e no mundo das sub-celebrity. Vejamos: “No samba ela gosta do rala, rala. Me trocou pela garrafa. Não aguentou e foi ralar. Vai ralando na boquinha da garrafa. É na boca da garrafa. Vai descendo na boquinha da garrafa. É na boca da garrafa”.

A letra dispensa comentários e, por si só, revela a mais absoluta falta de respeito próprio, menos de quem compôs e produziu o grupo — um empresário na tarefa de lucrar na indústria do kitsch —, mais da parte de quem anotou na sua biografia momentos de supremo constrangimento “ralando na boquinha da garrafa”.

Quanto ao exibicionismo a que me refiro como caracterizador do período, este se notava na quantidade imensa de pessoas que passaram a trajar abadás multicoloridos qual uniformes denotativos de um suposto status citadino jovem, com os símbolos do “carnaval fora de época”. Havia mesmo uma hierarquia curiosa nas vestimentas: dependendo da cor do abadá, o sujeito era “playboy/patricinha” ou “pobre/povão”, pois já se sabia antecipadamente o preço elevado que se pagava para estar no bloco da “cervejada” ou dos “chicleteiros”, relegando o setor da “pipoca” para o vulgacho empobrecido. Foi também uma época de criatividade única no desenvolvimento de coreografias para as muitas “danças” que surgiam: do vampiro, da manivela, da tartaruga, do tamanduá, do morcego. Quase toda a fauna brasileira foi vilipendiada, digo, homenageada nessas composições.

Ivete Sangalo merece uma atenção especial. Originalmente vocalista da Banda Eva, seguiu o caminho para o qual todo “artista” de axé está direcionado: a carreira solo. Sangalo soube aproveitar como ninguém a catapulta. Carismática e muito bem assessorada, ela sabia que seu repertório grotesco não a sustentaria mais do que alguns verões fora de Salvador. Assim, tratou de cultivar uma imagem que a projetasse como cantora para além da axé music, que principiava a agonizar nas vendas das gravadoras. Hoje, contando com o apoio de quase toda a mass media brasileira, que a tem por “grande cantora”, é empurrada “goela abaixo” do público pela televisão, que lhe dá um espaço imenso nos principais canais abertos, sem contar os sucessivos apelos propagandísticos. Mas nem toda a máquina publicitária pode esconder a péssima qualidade do seu repertório, que não resiste a um exame qualitativo mais minucioso. “Carro velho”, sucesso comercial na sua voz, revela bem o quão criativa é a leitura de mundo da cantora: “Cheiro de pneu queimado. Carburador furado. Coração dilacerado. Quero meu negão do lado. Cabelo penteado. No meu carro envenenado. Eu vou, eu vou, então venha. Pois eu sei. Que amar a pé, amor. É lenha”.

Nos anos 2000, no entanto, a axé music entrou em colapso no mercado. Os carnavais fora de época (micaretas) foram aos poucos desaparecendo pela perda crescente de público. Os grupos “clássicos” do período deixaram de existir não por brigas de seus integrantes, mas pela simples falta de shows. O mercado usou e abusou da axé music enquanto era lucrativa. Quando deixou de sê-lo, descartou-a, substituída que foi, nas rádios comerciais, pelo forró universitário e pelo funk carioca (cuja nomenclatura correta é “batidão”). Nem mesmo o movimento da “suingueira”, capitaneado por “pérolas” do nível de “Re­bolation”, associado a um amplo apelo midiático que tem por diretriz espicaçar os “sucessos do carnaval”, conseguiu ressuscitar o declínio inexorável daquele gênero musical moribundo.

O jovem hedonista do século 21 no Brasil

Entretanto, o mercado, no capitalismo, nunca pode parar na sua incessante busca pela rentabilidade. Ele precisa encontrar novos meios de entretenimento que gerem lucros vultosos. A fórmula mais fácil disso é, indiscutivelmente, estimular a imbecilidade da juventude. Sem escrúpulos.

Os meios de comunicação de massa cumprem, então, o seu papel: associam a ideia de “ser jovem” com a de “ser um imbecil”, aqui entendido como um irresponsável, que não se importa com nada que não seja o próprio prazer, imediato, rápido, fluido, como deve ser a linguagem nos tempos da globalização digital.

O sertanejo universitário surge nesse contexto. Ele vem ocupar o espaço dos ritmos que se prestam a proporcionar “diversão sem compromisso”, expressão que não quer outra coisa senão mascarar a baixíssima qualidade da música produzida, além de servir como sentença de absolvição da mediocridade humana de quem ouve esse estilo. Entender o estereótipo do sertanejo universitário, dessa ma­nei­ra, afigura-se como sendo da mais alta relevância para a compreensão da ideia corrente do que é ser um jovem hedonista no século 21. É o desafio a que me proponho a partir de agora.

O perfil estereotípico do sertanejo universitário

Naturalmente, numa empresa dessa envergadura, precisarei recorrer às letras de algumas das composições mais re­presentativas do estilo. Cuida-se de analisar como pensam os grandes artistas do gênero para, ao final, ro­bustecer um juízo estético-sociológico sobre este conceito indecifrável do “sertanejo universitário”.

Nesse sentido, creio que uma das suas primeiras características é o desapego aos estudos. O sertanejo universitário é um hedonista por excelência. Seu adágio popular dileto, alçado à condição de mote da própria vida, é o clichê: “Pra que estudar se o futuro é a morte?”.

Desse modo, pode ser concebido como um jovem, de péssima formação intelectual e que, a despeito de cursar uma faculdade, não está nem um pouco preocupado com os estudos. Para ele, só existe a balada (o prazer imediato). É o que notamos na composição “Bolo doido”, da dupla “Guilherme e Santiago”: “Ai ai ai sexta-feira chegou! quem não guenta bebe leite e quem guenta vem comigo. Na sexta-feira o bar virou uma micareta. Mulherada foi solteira e os meus amigos loucos pra beber. Da faculdade eu fui pra festa tomar todas com a galera. E fiz amor até amanhecer. Toquei direto, fui à praia com as gatinhas na gandaia. Minha galera bota é pra ferver. Segunda de madrugada, travado, cheguei em casa. Sete horas acordei com uma ressaca, tinha prova pra fazer”.

Mas o sertanejo universitário, para levar uma vida de “baladeiro”, necessita de dinheiro, pois o vil metal tem o condão de, simultaneamente, torná-lo cliente especial da sociedade de consumo e despertar o interesse das garotas mais lindas da balada — verdadeiras empreendedoras no varejo dos relacionamentos humanos. Ele é, assim, um sujeito endinheirado. É o que se observa na composição “Ca­maro amarelo”, da dupla Mu­nhoz e Mariano: “Quando eu passava por você. Na minha CG você nem me olhava. Fazia de tudo pra me ver, pra me perceber. Mas nem me olhava. Aí veio a herança do meu ‘véio’. E resolveu os meus problemas, minha situação. E do dia pra noite fiquei rico. ‘To’ na grife, ‘to’ bonito, ‘to’ andando igual patrão. Agora eu fiquei doce igual caramelo. ‘To’ tirando onda de Camaro amarelo. E agora você diz: vem cá que eu te quero. Quando eu passo no Camaro amarelo”.

Já sabemos, portanto, que o sertanejo, do tipo universitário, é jovem, de posses, sai da faculdade com seu Camaro amarelo direto para a balada e “bota a galera pra ferver”. Há quem lhe custeie os estudos. E, ainda que ao final de quatro ou cinco anos saia da faculdade no nível de um analfabeto funcional, seus genitores são suficientemente influentes para arranjar-lhe uma boa posição na iniciativa privada ou mesmo no serviço público.

O sertanejo universitário é sujeito destemido, porém sensível. Tem o dom da poesia in­crustado nas suas veias. Na balada, este santuário da “pegação da mulherada”, sente a verve aflorar com facilidade, produzindo versos riquíssimos, como os que se notam na composição “Ai se eu te Pego”, do cantor Michel Teló: “Sábado na balada. A galera começou a dançar. E passou a menina mais linda. Tomei coragem e comecei a falar. Nossa, nossa. Assim você me mata. Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego”.

De fato, é preciso ser muito perspicaz para rimar “dançar” com “falar”. Sobretudo, me impressiona a profundidade dos versos: quando passa a menina mais linda, ele toma coragem e fala. É um movimento controlado, premeditado. O eu lírico “toma coragem” e “parte para a caça” na balada. Inspirado pela beleza da garota, ele se aproxima e a corteja de uma maneira que qualquer mulher, de Carla Perez a Susan Sontag, sentir-se-ia enamorada: “Ai se eu te pego”, “ai se eu te pego”, ele repete à exaustão o verso aos ouvidos da “garota mais gostosa”.

Contudo, talvez a característica mais significativa desta personagem — o sertanejo universitário — seja mesmo a preferência pelo “idioma da velocidade”. Sertanejo que é sertanejo universitário evita a prolixidade; é sucinto, direto, objetivo. Sua linguagem despreza floreios verbais, construções frasais longas, vocábulos de difícil entendimento. Dado o portento de seu talento poético, ele acentua a desnecessidade do vocabulário complexo, adepto que é da lógica do “dizer muito com muito pouco” ou do “falar fácil é que é difícil”. Conhecedor profundo da fonologia da gramática da língua portuguesa, ele lança mão do rico alfabeto fonético do idioma românico-galego e, conjugando-o com seu ideal filosófico de concisão e com as técnicas redacionais modernas que enaltecem o “texto enxuto”, passa a compor valorizando a mínima emissão de voz na entonação dos seus versos, economizando em palavras o que pode expressar, em seu entender, perfeitamente com vocábulos monossílabos. É daí que nasce a tendência manifesta das composições do estilo em priorizar a vocalização de uma única sílaba. Exemplificativamente, temos: “Eu quero tchu, eu quero tcha”, de João Lucas e Marcelo: “Eu quero tchu, eu quero tchã. Eu quero tchu tcha tcha tchu tchu tchã. Tchu tcha tcha tchu tchu tchã”.

“Eu quero tchu, eu quero tcha” é, sem dúvida, um dos mais formidáveis exemplos de como se pode economizar palavras, de como se pode fundir o dígrafo consonantal “ch” com o “t” e uma vogal (“a” ou “u”) e criar um hit nacional. O significado poético-filosófico do “tchu” e do “tcha” na composição também merece registro: o eu lírico cria um jogo de contrastes, antitético como as leis da dialética, onde o “tchu” só existe para o “tcha”, de modo que não pode haver “tcha” sem “tchu” nem “tchu” sem “tcha”. Daí o porquê de invocar-se as expressões alternadamente, silabando-as na velocidade da luz: “Tchu tcha tcha tchu tchu tchã”.

Na mesma linha vem a composição “Tchá tchá tchá”, cantada por Thaeme e Thiago: “Ai que vontade, ai que vontade que me dá. De te colocar no colo e fazer o tchá tchá tchã. Tchá tchá tchá, Tchá tchá tchã. Tchá tchá tchá, Tchá tchá tchã. De beijar na sua boca fazer o tchá tchá tchã. Tchá tchá tchá, Tchá tchá tchã. Tchá tchá tchá, Tchá tchá tchã. De beijar na sua boca e fazer o tchá tchá tchã”.

Outro exemplo notável do uso de monossílabos é observável em “Lê lê lê”, de João Neto e Fre­derico. Vejamos: “Sou simples. Mas eu te garanto. Eu sei fazer o Lê lê lê. Lê lê lê. Lê lê lê. Se eu te pegar você vai ver. Lê lê lê. Lê lê lê”.

Mais uma vez temos o eu lírico usando de monossílabos, economizando em palavras, porque riqueza vocabular tornou-se algo desprezível. Sendo possível conotar com um mero “lê”, por que falar mais? O “lê, lê, lê”, no entanto, guarda uma mensagem subliminar perigosa: se tomado isoladamente na segunda pessoa do imperativo afirmativo, pode vir a constituir-se em ordem para leitura. Nada mais distante do que pretende o compositor e a “filosofia de vida” que a­nima o sertanejo que frequenta a universidade. Logo, é preciso apreender o “lê lê lê” de maneira contextualizada, ou seja, como registro onomatopaico que emula o sentimento de auto compensação libidinosa do eu lírico diante da vergonha que é, numa sociedade de consumo, ter uma condição financeira oprobriosa.

A era da imbecilidade monossilábica

A partir das breves linhas expostas acima, penso que o leitor já se encontra habilitado a conceituar este personagem enigmático do cancioneiro nacional: o sertanejo universitário. Trata-se de um modelo hedônico de uma sociedade capitalista hedonista, marcadamente voltado ao consumo, onde ser um “idiota”, um “imbecil completo”, não só não é motivo de desonra — própria e familiar — como se consubstancia num status socialmente tolerado (diria mesmo instigado). É o estereótipo desejável da sociedade globalizada por relações líquidas sob o elo do idioma da velocidade: no falar, no vestir, no relacionar-se, tudo que se refere ao gênero humano passa numa piscadela. Na música, não é diferente. Predomina o sertanejo universitário como o modelo supremo da juventude irresponsável, mediocrizada, de baixíssimo nível cultural. As composições são cunhadas no esteio da pobreza vocabular de quem as escreve, mas também de quem as canta — em ambos os casos denunciando a mais absoluta falta de leitura. É um autêntico movimento circular, no qual aquele que nada tem a oferecer intelectualmente alimenta com sua arte quem já se encontra morrendo de inanição cerebral.

Por essas razões é que me sinto autorizado a declarar que, depois da hecatombe cerebral que a axé mu­sic proporcionou na década de 1990, contribuindo decisivamente na deseducação do povo brasileiro com seus versos de “balançando a bundinha” e “boquinha da garrafa”, o sertanejo universitário, gestado pela indústria fonográfica em crise, desponta como o meio mais fácil de lucrar em cima do desejo hedonístico, cotidianamente instigado pelos meios de comunicação, que impele o jovem a aproveitar a vida a qualquer preço, de qualquer maneira, custe o que custar — incluindo o próprio senso do ridículo daqueles aos quais falta massa encefálica para perceber o quão patético é idolatrar “artistas” incapazes de compor com vocábulos polissílabos. É quando aos olhos de uma garota, na balada, torna-se “bonito” ser um completo idiota. Com o sertanejo universitário, a MIB entrou definitivamente na “era da imbecilidade monossilábica”.

Olá, gente querida!!
O sonho acabou? Talvez o seu. O meu, não.
Sonhei durante décadas com uma Copa do Mundo no Brasil. E estou tendo o prazer de realizar meu sonho.
A vitória – Hexa, jamais alcançado por nenhuma outra seleção – seria a coroação de uma vontade. Mas não a desilusão de um sonho perdido.
Vi – e ainda estou vendo – meu país invadido pelo mundo inteiro. Vi gente que sequer estava disputando a Copa, vindo apenas para assistir os jogos das demais seleções.
Vi as ruas enfeitadas, bandeiras tremulando sobre e abaixo as cabeças. Os carros e as pessoas fantasiados.
Vi efusão de alegria em cada esquina, em cada estabelecimento comercial.
Vi escolas cederem seu tempo para que todos pudessem assistir os jogos – desta vez realizados em nosso país.
Relembrei 1994, quando a Seleção Canarinho entrou desacreditada e os bancos sequer fechavam mais cedo. Com os jogos evoluindo veio o Tetra, tão festejado e inesquecível, numa dura disputa de pênaltis.
Relembrei, também, 2002, quando uma Seleção que quase ficava de fora, chegou e ganhou da Alemanha. Mérito desse Técnico que ontem, infelizmente, teve seu dia de infortúnio.
Temos nosso Penta. Ninguém tem, ainda, pelo menos, o Tetra que já superamos.
Por que chorar? Por que lamentar?
Tivemos – estamos tendo – nossa Copa. Provamos que temos competência para realizar um evento de porte fenomenal. Isso é o que prevalece. Pelo menos, para mim.
A megalomania de querer mais e mais, levou-nos a crer que tínhamos um selecionado capaz de superar os melhores projetos de países que valorizam realmente essas coisas.
Não nos preparamos para o futuro que hoje é o presente. Mas preparamos este presente que temos hoje.
Uma seleção jovem, com talento de sobra, esbanjando euforia e garra, mas com insegurança diante dos revezes.
Se for trabalhada, cuidada, lapidada, como fizeram com a equipe alemã, possivelmente essa mesma equipe ainda nos dará muitas alegrias. E gritos de euforia, também, com as vitórias conseguidas fora de casa.
De meu canto, estou e continuo tranquilo. Esperar o sábado para torcer pelo meu País, cantando o Hino Nacional de pé, com a mão no coração.
Aliás… seria bem melhor se não precisasse do futebol para demonstrarmos nossa brasilidade. Poderia ser melhor demonstrada na cabine de votação.

Obrigado a toda(o)s.
Bom dia. De amarelinha!

BOM DIA!!!
Hoje é um dia especial para mim. Sim! É pela Copa do Mundo no Brasil, sim!
Não vou pedir desculpas a quem pensa diferente. Creio que é exatamente a diferença que nos faz bem.
Mas eu sonho com essa copa desde a infância. Nasci no ano em que o Brasil perdeu, no recém inaugurado Maracanã, para o Uruguai, a primeira Copa em casa.
Desde a infância sonho em ver uma Copa do Mundo de Futebol aqui no Brasil.
Se você é contra ou nunca gostou de futebol, paciência. Assim como eu, muitos outros brasileiros estão felizes de ter um evento que reúne nações na paz – e não na guerra ou na política. É na paz que pretendo curtir a MINHA COPA!
Reunido com familiares e amigos tentarei esquecer das mazelas que a natureza e o progresso trouxeram à minha vida ultimamente. Tentarei e tentarei!!!
Não é a Copa do Brasil a responsável por tudo de ruim que vem acontecendo em nosso país. Alguns hipócritas criticaram Ronaldo quando fez a relação entre copa e hospitais. Hipócritas, sim. Ronaldo disse a verdade que muitos têm medo de pronunciar.
O dinheiro dos hospitais sempre existiu – e existe. Se não foi ou não é aplicado, a culpa é de quem colocou ladrões no poder. E não de quem gosta de futebol, simplesmente.
Quero a Copa do Mundo no Brasil. Quero poder ver meu país em festa. Quero ver o povo nas ruas, indo para os estádios, praças…
E quero que tudo funcione normalmente.
Não quero greves políticas. Mesmo porque as greves em momento inoportuno não são promovidas por trabalhadores realmente.
Quem é Sininho??? Quem pensa que é? Dona da verdade ou do caos?

Eu sou um cidadão brasileiro. Quero poder rir, mesmo na tragédia. Porque considero isso um direito!
E quem não concorda, não tem o direito de querer fazer minha cabeça contra o evento promovido por uma entidade que nunca promoveu uma batalha sequer, muito menos guerras. Uma entidade que reúne mais nações que a própria ONU. Que faz rir e chorar. Mas, não derrama bombas, não atira gás lacrimogênio nem coquetel molotov. Os derrotados choram, mas não são feridos por artefatos mortais. Não sofrem a vergonha de ver suas pátrias invadidas e suas vidas destruídas.

Estou a favor da COPA DO BRASIL!!!
Com ou sem você.

Tenham todos um bom dia.
PRA FRENTE BRASIL!!! Vai Neymar!!! Vai Fred!!! Te segura Croácia!!!

PESSOAS QUE SONHAM

                                   Por Artur Quintela

 

 

                        Há pessoas que são criticadas por viverem sonhando. Há quem afirme que vivem “no mundo da lua”, simplesmente porque sonham acordadas.

                        Particularmente, também me considero um sonhador, embora tenha os pés firmes no chão.

                        Mas, quero lembrar aqui que nada no mundo existiria se não fosse pelos sonhos. Afinal, os projetos surgem de ideias que são sonhos. E, a partir dos projetos vislumbram-se as obras. Muitas delas, GRANDES obras.

                        Tenho em minha família uma pessoa assim. Que vive sonhando. E acho isso notável. Impressionante como ela se deixa levar pelos sonhos, transformando-os em projetos. Literalmente. Cada sonho é um projeto novo que sai de sua cuca. E que cuca!

                        Minha admiração não diminui quando ela afirma que “seus projetos” são curtos. Ao contrário, vejo nisso uma grande coragem. Ao admitir que tem projetos curtos está afirmando que não se prende ao passado por muito tempo, pois sempre há inovação a fazer sobre o que já foi feito. E muito pra pensar e realizar. Então… pra quê perder tempo com o que já passou? Se deu certo, muito bem. Se não, parte para outra, ora.

                        Pessoas assim devem encontrar felicidade onde outros só encontram trabalho.

                        Tempos atrás um amigo falou que ao passar por uma loja de discos escutou uma música “que era a minha cara”. Tudo bem. Tem músicas cujas letras parecem que foram moldadas para outra pessoa, além daquela que compôs. Mas, na hora, eu afirmei que era “Casinha Branca” de Gilson. Afinal, esse sempre foi meu sonho, desde criança. Embora tenha realizado cursos que me prepararam para a vida na cidade, sempre gostei da Natureza e sonhei com um pedaço de terra “pra plantar e pra colher”. A casinha branca com varanda é o complemento daquilo que posso chamar de lugar feliz, ou Cantinho da Paz.

                        Foram várias tentativas, todas frustradas por algum motivo, alheio aos meus interesses. Até que um dia surgiu a oportunidade e estou trabalhando num projeto de vida.

                        Assim é a pessoa que me refiro nesse pequeno artigo. Ela persegue seus sonhos. Persegue com afinco. Só que, diferente de mim, não perde tempo com um sonho apenas. Busca realizar vários. Assim leva sua vida. Sempre com um sonho na cabecinha prodigiosa. Sonho esse que tenta transformar em realidade para, logo depois, começar outro.

                        Gosto de vê-la assim. Sonhadora… projetando… arquitetando… Creio que assim é feliz. Como eu com meu sonho-projeto de vida.