Category: Viagens


Agenda Cultural destaca Pacote 48h de Turismo e Centenário da EFMM – Rondoniaovivo.com.

 

Segunda-Feira , 30 de Julho de 2012 – 17:50

 

 

O projeto denominado de “Pacote Turístico 48 horas”, promovido pelo Sebrae em parceria com a prefeitura de Porto Velho, através da secretaria municipal de Desenvolvimento Socioeconômico e Turismo (Semdestur) é um dos destaques da Agenda Cultural de Porto Velho, desenvolvida pela Fundação Cultural Iaripuna. O projeto lançado nesta segunda-feira oferece pacotes de viagens comercializados por agências do interior do estado, e de estados vizinhos, identificados como potenciais consumidores. A Semdestur é uma das financiadoras do projeto, através de convênio firmado com o Sebrae.
Outro destaque da Agenda é o projeto Centenário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré que vai realizar uma programação especial alusiva ao tema. Nesta terça-feira, 31, às 17h tem o lançamento do projeto que vai expor toda a programação. O presidente da Fundação Iaripuna, Altair dos Santos, o Tatá, vai apresentar o projeto juntamente com a professora Yedda Borzacov representante do projeto IPARY, Expressão Artística Cultural poesia e musica de artistas locais. Confira outros destaques da Agenda Cultural:
Programação:
Segunda-Feira dia 30/07/2012, no Mercado Cultural. Projeto turismo em Porto Velho- Lançamento do Pacote de Turismo 48 horas em Porto Velho.
Terça- feira, 31/07/2012- Lançamento do Projeto Centenário- no Complexo da Estrada de Ferro Madeira Mamoré às 17h horas. Apresentação do Projeto pelo Presidente da Funcultural e a Professora Yedda Borzacov representante do projeto IPARY, Expressão Artística Cultural poesia e musica de artistas locais.
Terça- feira 31/07/2012, no Mercado Cultural das 19h as 22h. Projeto Jambera Apresentação musical de Artistas Locais com diversos ritmos Rock, Blues, MPB, Samba e mais.
 
Quarta- feira dia 01/08/2012, no Complexo da Estrada de Ferro Madeira Mamoré das 07h30min às 20h- Programação das festividades do centenário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Com ato cívico, ecumênico, solene, atividades culturais, show musical, espetáculo de dança e de teatro.
Quinta- feira dia -02/08/2012, no Mercado Cultural a partir das 20h- Seresta cultural Música ao vivo com Cantores Locais.
Sexta- feira dia 03/08/2012, no Mercado Cultural às 19h- Fina Flor do Samba- Tradicional Roda de Samba de Porto Velho.
Sábado dia 04/08/2012, no Mercado Cultural às 17h. Projeto Roda de Samba. Samba ao vivo com Beto César e Convidados.
Sábado dia 04/08/2012, na Praça Aluísio Ferreira, das 18h às 22h. Feira do Porto Especial. Exposição e comércio de artesanato, comidas típicas de nossa Região.
Domingo dia 05/08/2012, na Praça Aluísio Ferreira, das 18h às 22h. Feira do Porto Especial- Exposição e comércio de artesanato, comidas típicas de nossa Região.
Domingo, dia 05/08/2012, na Igreja de Santo Antonio às 10h – local onde iniciou a cidade de Porto Velho. Atividade religiosa da comunidade católica Santo Antônio. Missa e encontro da comunidade como forma de manter viva as atividades tradicionais do Patrimônio Histórico do Município.
Domingo dia 05/08/2012 no Complexo da Estrada de Ferro Madeira Mamoré das 13h as 17h-Visitação ao museu do complexo da estrada de ferro Madeira Mamoré. Visita Guiada ao Museu do Complexo da Estrada de Ferro Madeira Mamoré.
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PONTES FERROVIÁRIAS DA ESTRADA DE FERRO MADEIRA MAMORÉ SÃO RESTAURADAS | Imagemnews.com.br Agência Imagemnews – Jornal Eletrônico, Notícias de Rondônia e Região.

 

A Energia Sustentável do Brasil (ESBR), concessionária da Usina Hidrelétrica Jirau, resgata pontes ferroviárias da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), preservando esse patrimônio histórico que é parte da memória dos rondonienses. As pontes sobre o Rio Mutum, Igarapé 162 e sobre o Igarapé 154, inativas e abandonadas desde 1972, foram preservadas e voltarão a compor a beleza cênica das paisagens locais.
 

 
Referência para Porto Velho, os três patrimônios receberam um tratamento especial pela ESBR. E o processo de alteamento, necessário devido à formação do reservatório da Usina, considerou a importância de manter a originalidade de cada parte das pontes ferroviárias, em um trabalho cuidadoso que começou em dezembro de 2011 e levou de três a sete meses para ser concluído. De acordo com o diretor de Engenharia da ESBR, Maciel Paiva, o alteamento das pontes foi realizado prevendo a maior cheia de 100 anos, atendendo assim às normas técnicas brasileiras.
 

 
Desde maio deste ano, as pessoas podem contemplar o resultado das pontes sobre o Rio Mutum e sobre o Igarapé 154. Já a ponte sobre o Igarapé 162, pode ser vista totalmente preservada desde o mês passado. Para o diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da ESBR, Antonio Abreu Jorge, a preservação não foi apenas do patrimônio histórico. “Durante todo o tempo, tratamos a preservação das pontes ferroviárias como também sendo a preservação da identidade do povo de Rondônia, algo relevante a ser considerado em sua história. Estamos honrados em poder oferecer o resgate da paisagem original desses patrimônios”, finaliza.
 

 
A EFMM foi a 15ª ferrovia a ser construída no Brasil, tendo as suas obras sido executadas entre 1907 e 1912 pela empresa americana Madeira-Mamoré Railway Company. Com uma extensão de 366 quilômetros, foi idealizada na época para ligar Porto Velho a Guajará Mirim.

Diz a Lenda – Vem a Maria Fumaça

Texto e fotografia: Beto Ramos

 

Vem a Maria Fumaça.

Bailando sobre os trilhos.

Dormentes cheios de cor.

Bandeira do Brasil jogada ao vento.

Pátria amada em muitas cores.

A velha Maria Fumaça vai sendo movida pelos sonhos.

Máquinas fotográficas dispararam seus diafragmas e obturador.

Algumas lentes mostram a verdade.

Outras buscam a fantasia que vai ser levada pelo carnaval.

Vem a Maria Fumaça.

Centenária e cheia de magia.

Trilhos cheios de luz e trevas.

Os mundiças continuam sendo ignorados.

Cheios da energia do impacto, os passageiros já não chegam à estação.

Tu é leso é?

– Vai ter festa cheia de caraminguás dos milhões investidos.

Dentro do vagão, alguém pisou em fezes.

– O que tentaram fazer com o nosso patrimônio histórico?

Isso é coisa antiga.

Vovô já reclamava disso.

Gostaria de saber a contrapartida das fantasias levadas pelo carnaval.

“Abraçado a Porto Velho, conheci o rio Madeira…”.

Quando esta canção do conhecedor da nossa história e poeta do Tracoá chega aos meus ouvidos, nos olhos nascem lágrimas.

É de uma magia incomum.

Piui, piui olha o trem!

Gostaria de ouvir está canção no centenário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré.

“Como era gostoso o balanço do trem, quando eu viajava junto com meu bem…”.

Está é do poeta dos barrancos de São Carlos.

Aquele que incomoda, mas, que é fundamental falando a verdade e colocando lenha na fogueira.

“Você precisa ver, para saber como é que andava o trem na Madeira Mamoré”.

Está canção na voz do Bubu, ilumina os trilhos até Guajará Mirim.

Gostaria de ver o Bubu iluminar o centenário, deixando os cabelos da gente todos arrupiados, arrupiado como diria Dom Lauro.

“Da Candelária eu vi o trem passar…”.

Ver o trem passar com o cheiro de café que nossas casas possuíam, assim como a do Mávilo.

Ouvir o Misteira com as pastoras exaltando em preto e amarelo o centenário.

“Porto Velho meu dengo…”.

Sentir a emoção do poeta da cidade, fazendo uma declaração de amor à cidade de Porto Velho.

Ver aquelas folhas feitas pela Lu Silva, serem levadas pelo vento na mais bela interpretação do Pirarublue.

Ouvir o Binho cantar e lembrar tantos lugares e tantas pessoas.

Ver o Mado encenar na praça, ao ar livre, sem fóruns, sem articulações, apenas fazendo a sua viagem teatral com o rosto pintado de todas as cores.

Ouvir o Baaribu, o Bado, Os Anjos da Madrugada e o Carimbó.

Tem o teatro de bonecos, a turma do teatro de rua.

O Anízio para fazer a abertura da comemoração.

Vem a Maria Fumaça.

Chegando à estação dos nossos sonhos.

Cem anos de história.

Cem anos de solidão.

O reboliço todo é apenas no ano do centenário.

E se não existissem as compensações da luz e das trevas?

A velha rotunda continuaria abrigando a sujeira e a delinquência. Vamos ver o dia amanhecer no complexo ferroviário com o apito do trem.

Vamos mostrar para o mundo que não fazemos apenas negócios. Vamos mostrar para o mundo que possuímos raízes profundas na cidade que começou a crescer a partir do rio Madeira.

Vamos levar para o palco todos os trabalhadores ainda vivos da velha Estrada de Ferro e homenageá-los por terem participado do surgimento e sepultamento, e quem sabe ver agora o ressurgimento deste patrimônio que é acima de tudo nosso.

 

 

Diz a lenda

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diz a lenda – Um trem para as estrelas

Por: Beto Ramos

 

Pegamos um trem para as estrelas.

Mas, quem não sabe brincar não brinca.

Quem seria o maquinista da Máquina 50?

Fui comentar com minha filha sobre os trens da Estrada de Ferro, e na sinceridade de criança, ela veio logo dizendo que espera desde pequena para dar uma volta no trem.

– Ouvi na televisão um monte de conversa a respeito da revitalização da nossa Estrada de Ferro.

– É Pai, sei não!

Eu, sem texto.

Pegamos um trem para as estrelas.

Cada vagão um seguimento da nossa sociedade.

Como era um trem para as estrelas, muita luz, alegria, poesia, música e muita lenha para a fogueira.

Na estação, chegando meio atrasado por culpa do Beto Ramos, o Zola Xavier, com a mão na ponta do queixo, ia dizendo: – Mano Velho, não é que a Maria Fumaça vai nos levar numa viagem com muitas cores!

Muita movimentação no pátio da estação.

Lá vem a turma do teatro.

Os Anjos da Madrugada, todos de branco.

O Duo Pirarublue chegava com a lenda do boto.

A Fina Flor do Samba vinha com o poeta da cidade sob seu comando.

Talentos Brasil veio cheio de palavras, deixando muita saudade, ao som do ganzá soberano como a curva do rio.

E as escolas de samba, todas unidas, cantavam um enredo para todos os dormentes da Estrada de Ferro.

Os bois bumbas iam chegando e levantavam a toada mais linda, cantada pelos amos que amam Porto Velho da velha Estrada de Ferro.

Cinco e meia vai aparecer o Bubu.

Unidos, a ACLER e ACRM, desciam à ladeira, sérios, com ar de desconfiança, mas também felizes por pegarem o trem para as estrelas.

A galera da Quinta da Seresta, já cantava a verdadeira seresta para o trem há muito esquecido.

Toda colorida e cheia de sorrisos, a Bailarina da Praça, tomava a frente de todos.

Gervásio e Bacu, como atletas da melhor qualidade, representavam o futebol.

Chegava o povo.

Pessoas do Mocambo, Triângulo, Baixa da União, Caiari, Olaria, Arigolândia, Santa Bárbara, Beiradão vestiam-se com roupas de todas as nações que construíram a EFMM.

Apareceram, na calçada quebrada do Prédio do Relógio, muitos estudantes.

De todas as escolas de Porto Velho.

Muitos, talvez nunca tenham visto o trem, quanto mais às estrelas.

Quem não sabe brincar não brinca!

Festa na estação.

E os músicos já se movimentavam para cantar o Hino do Município de Porto velho e o Hino de Rondônia.

O Binho e o Bado lembravam do espetáculo “Farinha do Mesmo Saco”.

Quem seria farinha do mesmo saco?

E a fumaça do trem já espalhava no ar o cheiro bom da esperança.

– Vai partir o trem para as estrelas!

– Atenção senhoras e senhores!

– Tomem seus lugares, pois vai começar uma viajem em busca da nossa identidade.

– Quem vai partir, cante primeiro o Hino do Município de Porto Velho!

– Quem deseja voltar para esta estação, cante o Hino de Rondônia.

E muitos já começavam a cantar:

No Eldorado uma estrela brilha
Em meio à natureza, imortal:
Porto Velho, cidade e município,
Orgulho da Amazônia Ocidental…

– Vai partir para as estrelas muitos de nossos sonhos.

Mas, quem pode partir?

Quem vai autorizar a saída do trem para as estrelas?

Independente de autorização ou não, todos os vagões já estavam ocupados.

Uma carapanã Karipuna, já começava a voar e zumbir em todos os ouvidos, dizendo:

– Este trem não vai partir ta faltando maquinista!

Sabendo do zumbido da carapanã Karipuna, Lúcio Albuquerque, Willian Haverlly, Professora Yedda, Ernesto Melo, e muitos outros desciam dos vagões e formavam um batalhão sem conotação militar, mas, com a força do povo e levantavam para as estrelas suas palavras em defesa da nossa história.

Discursos acalorados e cheios de razões para que se inventasse um maquinista à altura de nossa história.

E o povo começava a criar um varal de poesias para que o trem partisse para as estrelas.

E o Zecatraka cheio de novidades sobre a viajem que fez muitas vezes.

Alguém gritou:

– Chegou à autorização!

– Ocupem seus lugares!

Escolheram o maquinista nas infinitas reuniões.

O Zola da janela do vagão comentava:

– Mano Velho este trem é caçambada de beiradão?

Vai partir o trem para as estrelas.

Vai cheio de emoção.

Nós, que somos alguns dos vagões, iremos cantando por dias melhores.

Hei cadê o trem?

Nas estrelas ele vai chegar, quero ver chegar é em Guajará ou pelo menos em Santo Antônio!

Cantem todos.

Dancem e encenem a melhor peça do quebra cabeça de nossa história.

O vagão vai balançando.

Vem cinza como brasa queimando a camisa chique do poeta.

Vem cinza quente como brasa para queimar a língua dos donos da voz.

Este mosquito Karipuna insiste em ficar voando perto dos nossos ouvidos.

Diz a lenda

A RESPEITO DE MINHA VIAGEM PELAS REGIÕES SUL E SUDESTE DO BRASIL

 


Não
foi uma viagem programada para sair daquela maneira.

De
início, era uma viagem para tratar de acomodações para minha filha que iria
submeter-se a avaliação para transplante pulmonar na Santa Casa de Porto
Alegre.

Mas
essa missão virou um suplício.

Normas
alteradas desde dezembro simplesmente não haviam sido repassadas aos médicos
que examinaram a paciente em
Porto Velho.

O
Tratamento Fora de Domicílio (TFD) que utiliza recursos alocados pelo Sistema
Único de Saúde (SUS) e Governo Estadual não cobria mais os custos para
transplante fora do estado. Esse procedimento passara a ser coordenado por uma
Central de Transplantes, instalada provisoriamente dentro do hospital de Base
de Porto Velho.


começou o transtorno. Com as informações que recebera antes da partida,
acreditei estar saindo atrasado, pois a perspectiva era que minha filha
partisse poucos dias após, o que me dava cerca de 4 dias para providenciar
acomodações para ela e uma acompanhante na gélida Porto Alegre.

Era
outono, ainda, mas o inverno já se avizinhava ameaçador com as temperaturas
caindo vertiginosamente por volta das cinco da tarde. E as terras gaúchas
começavam a ostentar os graus negativos na escala Celsius.

As
coisas ficavam cada vez mais complicadas. Submetido a temperaturas baixíssimas,
dentro de um conjugado de cerca de nove metros quadrados, sentindo a impotência
para resolver as dificuldades impostas pelas mudanças nas regras do tratamento,
era difícil resistir à depressão que se avizinhava.

Mudei
de cidade, de estado, de região… cerquei-me de parentes e resisti à tentação
de voltar de imediato.

Conversei
muito, busquei ajuda pela internet, estive na Secretaria de Saúde do RS, na
Coordenação de Transplantes do Hospital Dom Aloísio Scherer, no Complexo
Hospitalar da Santa Casa, sempre recebendo a informação que ainda demandava
algum tempo. Ninguém, contudo, precisava-me qual seria esse “tempo”. Falavam
algo em torno de “dias” e não de meses, como acabou ocorrendo.

Retornei
a Porto Velho 66 dias após minha partida sem conseguir remover sequer minha
filha daqui.

Ao
chegar, de imediato, recebi o documento que tanto ansiara em Porto Alegre. A
solicitação da Central de Transplantes para que Porto Velho autorizasse marcar
a consulta para avaliação. Avaliação apenas. Mas era isso que eu desejara de
início. Só que a tal consulta seria marcada para 40 ou 50 dias após ser
autorizada. Agenda cheia, dissera-me a Coordenadora de Transplantes de Porto
Alegre.

Mesmo
após completar toda uma bateria exaustiva de exames solicitada pelo hospital
gaúcho, minha filha ainda seria submetida a uma “avaliação”, haja vista que os
médicos nada concluíram através dos laudos remetidos.

Optamos,
então pelo Instituto do Coração de São Paulo (INCOR), onde já havia uma
consulta agendada para 02/09/2009.

Mesmo
porque, apenas a avaliação poderia ser realizada em Porto Alegre. O
transplante, segundo afirmavam, dependia ainda de alguns entraves burocráticos entre
os governos rondoniense e gaúcho (que não respondera às solicitações da SESAU-RO,
quanto ao pacto para transferência de verba do SUS). Assim, teríamos que buscar
outra alternativa, como, por exemplo, passar a residir definitivamente na
capital gaúcha, ou outro centro para completar o tratamento.

 

Surgem-me,
então, as seguintes conclusões:

1 –
Como os transplantes são obrigatoriamente coordenados pelo Ministério da Saúde,
que controla a fila única nacional, não existe alternativa legal para aquele
tratamento;

2 –
O Brasil é, temidamente, a pátria da burocracia. Enquanto se busca derrubar
tais entraves, muitos pacientes acabam perecendo na tentativa infrutífera de –
APENAS – entrar na fila do transplante;

3 –
Burlar o sistema é coisa que não admitimos em nossa família, mesmo quando ele
“opera” contra nossa saúde ou de nossos familiares. Assim, submetemos-nos a
todo tipo de humilhação de funcionários públicos, ou não, na tentativa de
salvar a vida de qualquer familiar;

4 –
Deve-se riscar alguns verbos do dicionário se queremos ter acesso aos serviços
do Sistema Único de Saúde (Único???): Desistir, Deprimir, Cansar, Desanimar…

 

Finalmente,
essa viagem trouxe-me a mais feliz das conclusões.

Por
onde passei, sempre questionaram-me a respeito de Rondônia, a terra, a
população, os costumes, tradições, etc…

A
resposta, sempre foi a mesma: Em relação á terra, julgo que Rondônia deve ser a
melhor para se viver. E justifiquei, rapidamente. Em todas as plagas por onde
andei raramente encontrei um rondoniense. Isso inclui todas as outras viagens
que fiz pelo Brasil. E, diga-se de passagem, das 27 unidades da Federação, já
passei por 24. Nessa última viagem, por exemplo, só encontrei um rondoniense,
meu afilhado, que cursa Direito em uma faculdade gaúcha. Mesmo assim, por ser
filho de gaúchos migrantes, que hoje residem em Porto Velho e que incentivaram-no
com um emprego em Porto
Alegre, do qual poderá trilhar auspicioso caminho na
profissão escolhida. Portanto, uma volta à terra dos ancestrais, carregada de
saudades da nossa Rondônia.

E
aqui em Rondônia?

Ora…
estamos passando por uma fase parecida à que Rio e Sampa atravessaram no século
passado, quando os nordestinos migravam para as capitais sudestinas, em busca
de riqueza (ou sobrevivência).

Hoje,
alastram-se pelas terras rondonienses colônias de migrantes, principalmente
sulistas, que após derrubarem seu ouro esmeralda, qual gafanhotos, deslocam-se
para a próxima região a ser devastada.

Aqui,
sim, é terra de valor. Acolhedora. Bênção e promessa divina.

Existe,
sim, uma diferença gritante entre os amazônidas e os nordestinos ou sulistas.

Embora
todos sejam brasileiros, os nordestinos sempre foram “preparados” para a
migração, enquanto os amazônidas nunca tiveram essa intenção por, simplesmente,
não precisarem. Aqui é terra de fartura. Em tudo e de tudo. Já os sulistas
mostram-se como os ascendentes da península ibérica, que devastaram todo seu
território. Agora buscam aqui mais um local a ser conquistado – e devastado.

 

E
olhando do alto, da escotilha do avião, alarmo-me cada vez mais. Pois cada vez
que olho, vejo a terra sendo desnudada, perdendo seu manto verde protetor. Lavoura?
Pecuária? Não sei ao certo precisar, mas classifico como “loucura”. Insanidade,
sim, de personagens com forma humana, mas que na realidade não tem sentimentos
que os humanizem.

Rondônia
está – como Mato Grosso, ficando nua.

 

E
aqui vejo a pilhéria. Enquanto os órgãos de defesa ambiental mandam seus
agentes perseguirem os meninos que pescam mandim no beiradão, deixam os grandes
devastadores agirem livremente. Esquivam-se em algumas multas deixadas à ermo,
sabedores que não serão pagas. Quando muito, provocam risadas nos “apenados”.

 

Tenho
dito!

 

É. Parece que é hora de comemorar.  O Brasil está representado no Espaço Sideral. O Tenente Coronel Marcos Pontes partiu rumo à ISS (Estação Internacional Espacial).  E ao mesmo tempo em que o foguete subia, milhões de corações brasileiros pulsavam mais forte, torcendo por uma boa decolagem e para que não ocorressem as falhas dos ultimos lançamentos e retornos dos ônibus espaciais americanos.
Percebi como estava emocionado, torcendo por um desconhecido (ou, que só conhecia pelos noticiários).  Coração pulsando mais forte, a emoção querendo transformar em lágrimas, contidas à custo, enquanto assistia, olhos fixos, sem piscar, o lançamento da nave espacial. Evento transmitido durante uma partida de futebol, a qual assisti sem o menor interesse, apenas ansioso par que a hora da partida chegasse.
Juntei-me em oração aos seus familiares, amigos, colegas a discípulos.  Era eu – um brasileiro – que ali estava dcolando rumo ao sideral.
Por um momento, não havia crise política – CPIs disso ou daquilo. O Brasil não tinha fome, não tinha doenças, não tinha outra coisa para se preocupar, a não ser com a vitória do trabalho árduo, do aprendizado dedicado, da vontade de fazer…
Entretanto, nem tudo é festa.  Enquanto torcemos pelo êxito da missão, concentramo-nos apenas em nosso astronauta. Por momentos, esquecemos que, não apenas ele, mas dois outros companheiros, estão colocando as vidas em risco, em nome do progresso. 
Nosso egoísmo impensado, trabalha apenas para o nosso meio.  Não percebemos a grandeza de outras pessoas (que já são, inclusive, veteranos) em ações de colocar a vida em risco, pelo progresso de um mundo que não entende muitas vezes a grandeza de seu gesto.
E existe, a meu ver, um lado pior nisso tudo.  A soberba de alguns.
Fico chocado quando pessoas que supostamente dizem-se sábias, mantêm-se contrárias ao sabor da alegria de um povo que se vê alçando pela primeira vez uma viagem rumo ao longínquo, ao inóspito… rumo à conquista para nossos descendentes.  Claro.  Não há que se discutir muito.  O homem já saiu de um pequeno lugar para ocupar  todo o mundo.  E sairá, com certeza, desse (hoje, pequeno) mundo para espalhar sua descendência pelo universo.
O Cientista que disse “estamos comendo a sobremesa, antes da refeição ser servida”, pareceu-me (perdoem-me, aqui a indelicadeza) frustrado em seus projetos e nesse descontentamento não pouparia ninguem de seus ásperos comentários. Talvez ele desejasse que a verba de 10 milhões fosse para suas pesquisas.  E os outros pesquisadores que se danassem.  Ora, não bastou a vacina contra a varíola para salvar o mundo.  Lembrem do sanitarista Oswaldo Cruz, mas lembrem também de Carlos Chagas. Lembremos Tomas Edson e também Graham Bell.  Ou seja, Santos Dumont inventou o avião, mas o dirigível ainda hoje tem seu valor reconhecido.
Pesquisas são realizadas paralelamente.  Não se pode esperar que termine uma pesquisa sobre a soja para iniciar outra sobre o milho. 
O Coronel Marcos Pontes deixou sua expressão para o resto da humanidade conferir.  Não estava realizando um ato por bravura individual, mas pelo desejo de ser exemplo de dedicação para a juventude.
“Minha luta não é para chegar ao espaço. Minha luta é para chegar ao coração de cada jovem… e mostrar que tudo é possivel, se realmente desejar (Cel. Marcos Pontes).”
A ida ao espaço faz parte de sua carreira.  Um médico poderia dizer a mesma coisa em relação à medicina. 
Mas qual a mensagem que o sábio Cientista deixou para a juventude?
Talvez quizesse dizer que antes de plantar o milho, “espere-se a soja ser plantada, crescer, colhida, degustada, deglutida, digerida…”
Mais uma vez, peço que perdoem a irreverência.  Tenho dito inúmeras vezes que sapiência e erudição não são sinonímios. 
O nobre estudioso pode ser erudito… já, sábio…
Talvez, ele mesmo esteja em órbita…
Tenham todos um bom fim de semana.