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Bom dia, gente querida.

Um BOM DIA especial a todos os médicos pelo seu dia. A categoria que se dedica a salvar vidas. Embora alguns não levem a sério o juramento que fizeram, é um dos mais lindos já produzidos pela humanidade. A toda(o)s que labutam nessa honrosa profissão, meus sinceros parabéns. Não deveria ser um dia apenas, pois todos os dias precisamos de um.

 

Mudando de assunto, minha mensagem de hoje tem a ver com nossa situação política atual.

A conjuntura política de nosso país deve ser levada a sério e não como um jogo de futebol de várzea. Não há isso de “o meu ganhou!” ou “o seu perdeu kkk!”.

Quando se publica alguma coisa, não quer dizer explicitamente que isso corresponda à maneira de pensar do autor. Muitos textos são esclarecedores, apenas, de alguma situação ocorrente ou ocorrida.

Minha posição política é apartidária. Sempre foi. Sempre votei na pessoa e não no partido ao qual se vinculava. Mesmo porque não creio em ideologia política ou fidelidade partidária no Brasil. O mesmo político que foi eleito pelo partido “A” pode simplesmente desfiliar-se quando julgar conveniente “pular para outro banco”. E o próprio partido pode apartar de seu grupo de filiados aquele(s) que não coaduna(m) com a atuação da diretoria de época.

Vejo que alguns dos que me visitam com frequência ficaram alarmados por ter republicado alguns conteúdos que eram opostos à sua forma de pensar. Ótimo! A liberdade de pensamento é uma das conquistas de minha geração.

Já vivemos presos, atrelados a um regime duro que mandava e era obedecido – ou então, quem desobedecia sucumbia às torturas, fatalmente desaparecendo para sempre.

Quem não viveu os “anos de chumbo” não entenderá o que escrevi. Mesmo porque, os movimentos populares de hoje são diferentes. É uma marcha “tocada” por alguns que se escondem em trincheiras ou simplesmente atrás de máscaras. Não vejo idealismo no mascaramento ou idealismo.

Muitas pessoas que foram às ruas – pacificamente, digo – protestar contra os desmandos do governo atual estão fazendo propaganda a favor de sua continuidade. Esqueceram rapidamente do que reivindicavam.

 

Penso que o continuísmo conduz ao vício. E a verdadeira democracia deve permitir, sim, a alternância de poderes. Pelo menos em dois, dos constituídos, podemos fazer preponderar nossa vontade. E, quando posso, escrevo para a posteridade, ensinando aos meus que escolhi “fulano” ou “sicrano” por seu currículo e não porque pediu meu voto ou concedeu-me alguma benesse.

 

E quando posto a opinião de pessoas que pensam igual (ou diferente) a mim significa que respeito o direito democrático de cada um expressar seu pensamento, o que, aliás, é preceito constitucional.

 

Tenham uma boa sexta-feira!

Inicialmente, bom dia, gente querida.

Estive ausente, logo após o retorno da “cheia do Madeira”. Acontece que nossas instalações ainda estão sofríveis. A água que entrou pelas tubulações compromete a fiação e – sabe-se lá por quê, Meu Deus – um raio que atingiu os cabos de telefonia causaram pane em modem, roteador, portas… etc, de meu equipamento de informática. Resultado: Ficamos sem Internet por mais de uma semana.

Agora, com dispositivos novos e já tudo “arrumado”, estamos de volta.

Agora segue o pedido de desculpas à Família Asfaltão.  Sempre que recebo uma nota da Diretoria de Comunicação através da amiga Silvia, posto no blog e faço chamada pelo facebook. Infelizmente, a nota chegou durante o período sem net. Desculpas apresentadas!

Continuando, a Nota da Asfaltão segue na íntegra, mesmo defasada no tempo para a comemoração do Dia das Crianças. Não seria muito ético editar.  Então segue aí.

Bom dia!

Senhores(as), com os cumprimentos da Família Asfaltão, peço se possível a veiculação do material abaixo.

Grata,

Silvia – 9982-9381

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios.
Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente,
antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”.
(Charlie Chaplin).

 

 

ASFALTÃO ELEGE NOVA DIRETORIA

O GRESA – Grêmio Recreativo Escola de Samba Asfaltão, realizou nesta terça feira, dia 07 de outubro, a assembleia de reforma Estatutária e Eleição da nova Diretoria.

A renovação é um passo importante para esta reestruturação, com este pensamento, foi eleito como Presidente o jovem Danilo Cardoso, filho de Reginaldo Cardoso (Makumbinha). Nascido em 19/08/1989, Danilo Fith como é conhecido, desfila na Escola desde os 6 anos de idade, sempre na bateria. Multi instrumentista, é compositor e cantor. Em 2010 foi conduzido à Contra Mestre da Bateria da Escola a Pura Raça. Em 2009 já dividia o posto de Mestre de Bateria junto com experiente Admilson kinghtz, o Mestre Negão, titular da Batuta.

O Presidente eleito é também componente da ala de compositores da escola de Samba Asfaltão. Graduando em Análises Clínicas e Recursos Humanos, é percussionista nos grupos de pagode Samba VIP e Samba Mais.

Como Vice Presidente, fará a dobradinha com o Mestre Danilo, o seu parceiro Eduardo Dias, nascido em 11/12/1993, também ritmista, compositor e cantor que desfila no Asfaltão desde os 5 anos de idade.

Outros dois jovens passam a compor a Diretoria, Allan Junior, nascido em 06/05/1993 ritmista, compositor e cantor. Desfila no GRESA desde os 3 anos de idade, é Também Contra Mestre da Bateria Pura Raça. Hoje focado para se aperfeiçoar no cavaquinho, Juninho como é chamado pela atual Diretoria, assume a Diretoria de Patrimônio.

Dentro desta renovação está a jovem Camila Pinheiro, nascida em 10/11/1990, que desfila junto com a Família Asfaltão desde os 3 anos de idade, foi destaque em vários desfiles. Atuante nos barracões nos trabalhos manuais, ultimamente junto com outros colegas, ela tem assumido a missão de Diretora de Harmonia na avenida. Graduanda em Direito, Camila assumirá a Diretoria de Finanças da Escola.

Este quarteto, Danilo, Eduardo, Allan Junior e Camila, chegam com novas ideias, trazendo energia e disposição. Com a origem do reduto do samba, assumem papéis importantes, com a missão de junto a outros amigos, sejam da escola ou das coirmãs, fortalecerem e manterem viva a resistência do Samba em Porto Velho. Eles contarão com a experiência de componentes da atual direção que ficaram com as seguintes atribuições: Andreia: Secretária; Vanilce: Administradora; Silvia: Diretora de Comunicação; Osvaldo Pitaluga: Diretor Social; Everton: Diretor Jurídico; Makumbinha: Diretor de Carnaval; Oscar Knight: Diretor Musical; Janilson conhecido como Jacaré: Diretor de Esporte. Membros do Conselho Fiscal Efetivo: Anderson Machado, Tatá, Léia; Membros do Conselho Fiscal Suplente: Maria José, Ismael Barreto e Wilma Dias.

“…Que esta nova composição da Diretoria tenha sucesso em seu trabalho…” Assim disse Makumbinha, que está deixando a Presidência.

 

Fazer “Escola”, é preparar e passar o legado da importância em se manter viva uma história. É transmitir que mais que querer, é importante viver e sentir o que é cultura pra que esta chama não se apague.

 

AGENDA

A nova Diretoria já tem uma agenda a cumprir ainda este ano, dentre elas estão:

 

  1. Rua de Lazer alusiva ao dia das crianças, que acontece neste sábado (11/10), na Tenda do Tigre, das 08:00 às 12:00. A Tenda do Tigre fica localizada na Jacy Paraná entre Getúlio Vargas e Brasília; e

 

  1. Baile Brega, que acontecerá no próximo mês de novembro;

 

  1. Tem ainda a semana de Zumbi, o dia do Samba e o Dia de Santa Barbara, agendas que se encontram em fase de ajustes e adequação.

 

A Família Asfaltão conta com o apoio e a participação de todos que valorizam e respeitam a cultura.

 

 

Silvia Ferreira de Oliveira Pinheiro – 9982-9381

Diretora de Comunicação do G.R.E.S Asfaltão

 

Parabéns  à nova Diretoria. Sucesso ao Danilo e seu grupo.
Na realidade, tenho que dar os parabéns a toda a Família Asfaltão, que cede espaço à juventude para que exponha seus sonhos e os torne realidade. 

 

 

O VALOR DA AMIZADE – SERPINHA

Por Artur Quintela

 

Quando uma pessoa se faz amiga de outra, coloca-a dentro do coração. E de lá não a tira mais. Deixa perpetuar-se, como se parte de si próprio fizesse.

 

Alguns amigos demoram mais a tornar-se donos do coração. Já outros – que chamo de anjos – chegam voando e não precisam subir os degraus da amizade para serem tão importantes.

 

No período de cheia do Rio Madeira tive minha casa, escritório e outro imóvel – à época alugado para terceiros – fortemente atingidos pelas águas. Viver um pesadelo daquele tipo era inimaginável para mim. Ano passado fizera uma oração, agradecendo a Deus por ter escolhido um lugar tão bom para minha família residir e viver. Longe de desmoronamentos, não sujeitos a cheias pluviais repentinas, muito menos alagações. Dista mais de quinhentos metros da margem do Madeira.

 

Entretanto, o que não era esperado, o que julgávamos impossível, aconteceu. E tive que sair às pressas porquanto, embora informassem que as águas subiam dezessete centímetros por dia, houve vez de superar os vinte e cinco. E período em que, em quatro horas, apenas, o nível subiu quinze centímetros. Afirmo porque fiz medições desde que a água chegou às bueiras das cercanias. Elaborei uma régua e diariamente realizava medições. Várias delas, no final.

 

Perdi alguns móveis, eletroeletrônicos… mas principalmente, perdi a dignidade. Sempre trabalhei (comecei aos sete anos) e provi minha casa de recursos necessários à manutenção da ordem familiar. E, de repente, fiquei sem meu ambiente de labor diário, sem condições de sustentar a família.

 

Foi naquele momento que pude ver o que tinha produzido em minha vida pregressa. O amor, a compreensão, a mão amiga dos familiares, parentes e amigos, fizeram-me forte. Fizeram-me entender que não estava só. Sobraram-me momentos de alegria. Parecia não haver cheia. Acomodei-me em imóvel de parentes. Chegaram-me alimentos. Valores foram depositados para suprir as necessidades mais prementes. Se, por meu lado, deixei de comprar “aquela cervejinha”, por outro me chegavam os familiares e amigos e diziam “não vamos deixar a peteca cair”.

 

Certo… Irão dizer alguns que família é para se unir nessas horas e superar as dificuldades. E amigos também, ora.

 

Pois é o que mais vale. Os amigos chegaram-me de montão. Vi que minha vida tinha sido voltada para formar amigos fortes e sua força fazia-me forte também.

 

A todos eles deixei meu agradecimento. Mesmo àqueles que, de longe, apenas mandavam-me palavras de conforto e solidariedade. Eram tão importantes quanto os próximos.

 

E, hoje, pus-me a refletir. Em várias vezes de nossas vidas nos deparamos com dificuldades. E, nessas ocasiões, eles – os amigos – surgem como anjos. Anjos protetores.

 

Em um desses momentos – triste demais – tive uma de minha prole acometida por doença em um período muito difícil. Estávamos ambos – eu e minha esposa – desempregados. E ver uma filha com câncer, já é um suplício. Sem condições de tratamento na cidade, é demais.

 

Foi naquele tempo que uma amizade de infância reapareceu em minha vida. Já com os cabelos teimando em abandoná-lo, surgiu entre a névoa como luz e buscou a solução que o Excelso Criador lhe permitia no momento.

 

Talvez ele mesmo não tenha percebido a grandeza de seu gesto naquela ocasião. Talvez, não! Com certeza não percebeu, tamanha é a grandeza de espírito e generosidade que tem.

 

Muita gente talvez nem entenda o “porquê” desse depoimento. Acontece que essa pessoa passou a integrar nossa família, mesmo sem pisar em nossa casa. É importante que se mantenha viva a memória de um ato simples para ele e tão importante para mim.

 

Antonio Serpa do Amaral Filho – que conheci e trato por Serpinha, e atualmente é conhecido por demais no meio cultural como Bazinho – é essa figura de coração enorme que poucos conhecem tão bem.

 

Talvez a simplicidade do seu viver, a humildade – mesmo sendo filho de um dos melhores (há quem diga que foi o melhor) prefeitos de nossa capital – sejam qualidades que não lhe permitem orgulhar-se, muito menos recordar-se de atitudes tão bonitas.

 

Serpinha viu a dificuldade, a lentidão, dos processos jurídicos. Sentou-me à garupa de sua moto e, em menos de dez minutos havia conseguido a liberação da parcela do FGTS retida em dos planos governamentais. Não sabia. Não perguntou… Mas aquele valor seria utilizado para a viagem de minha filha a Manaus, a fim de realizar tratamento do câncer que a afligia.

 

Assim é Serpinha. Simples, bondoso, carinhoso… e tantos bons adjetivos mais que nem Aurélio Buarque de Holanda conseguiria verbetar todos.

 

Obrigado, Serpinha. Obrigado, Bazinho. Obrigado Antonio Serpa do Amaral Filho… por ser MEU AMIGO!

 

Anote-se! Registre-se! Torne-se público!

 

 

 

 

Ontem, na Intervenção Cultural promovida pela Associação Cultural Rio Madeira (ACRM), Projeto Seresta Cultural e Bar Interativo Itinerante Social e Cultural (BIISC), tivemos a grata satisfação de contar, mais uma vez com uma apresentação de nosso Poeta Mado.

Mado consegue encantar a plateia e prender a atenção. Aos mais sensíveis (como eu) é capaz de levar às lágrimas com sua atuação. A performance deixa-nos orgulhosos da verdadeira “prata da casa”.

Ao POETA MADO dedico, com carinho, esse pequeno trabalho.

 

MADO

 

POEMA BEIRADEIRO

 

MADO

DEIXE QUE CANTE EM POEMA

AO POETA VERDADEIRO

NEM QUE SEJA ESTE CANTO

O MEU CANTO DERRADEIRO

 

PORTUGAL TEM LÁ ORIGENS

DO MEU CANTAR, TALVEZ FADO,

PORTO VELHO TEM HISTÓRIA

CONTADA E CANTADA POR MADO

 

FAZ ENCANTAR A PLATEIA

FAZ SOBERANA A VOZ

CHAMA A SI A ASSEMBLEIA

ENTRETENDO TODOS NÓS

 

FAZ LEMBRAR A CACHOEIRA

QUE SERVIU AO MARECHAL

LÁ SE FOI A ALTANEIRA

JÁ DEU SEU GRITO FINAL

 

RESSUSCITA A FERROVIA

FAZ DE NOVO APITAR

A VELHA MAD MARIA

E O POVO FAZ VIBRAR

 

AS ÁGUAS DO MEU MADEIRA

ESTÃO NO SEU RECITAL

O VENTO QUE AGITA A BANDEIRA

FAZ DANÇAR O IMORTAL

 

MUITO ALÉM DO IMAGINÁVEL

MAIS PRA LÁ QUE O INATINGÍVEL

ESSE POETA NOTÁVEL

FAZ LEIGO FICAR SENSÍVEL

 

SE FAZ CHORAR QUEM LHE OUVE

SE FAZ SORRI QUEM LHE VÊ

É PORQUE MAIOR JAMAIS HOUVE

SEJA NO RÁDIO OU TV

 

QUE SEJA O POETA MADO

DAS ÁGUAS OU BEIRADEIRO

SEMPRE SERÁ O AMADO

MAIS AMADO BRASILEIRO

 

Olá, gente amiga.

Que bom estar de volta após os tenebrosos meses da (e pós) alagação que quase destruiu minha casa.

Já fui cobrado por muita gente amiga por ter “abandonado” meu blog. Mas estou de volta com a cuca cheia de temas para artigos. E vamos começar pelo evento de ontem, na Ladeira Comendador Centeno, aqui em Porto Velho.

O velho prédio que abrigou a Prefeitura e a Câmara de Vereadores de nosso Município está sendo restaurado e promete abrigar o Museu da Câmara.

Fiquei feliz por vários motivos ontem. Ao participar com algumas músicas foi de somenos importância. Mas, ver o amigo e companheiro Anisio Gorayeb (o filho) emocionar-se com a oficialização do nome que será dado àquela casa, emocionou-me também. Seu pai, que orgulhou esta cidade como verdadeiro edil defensor do povo, foi homenageado  e seu nome (in memoriam) será atribuído ao nosso mais novo prédio.

E ver tanta gente bonita e amiga ali foi compensador.

Nosso querido Bazinho não cansava de fotografar. Queria guardar tudo na info-memória. Com razão. Justificadíssimo. Afinal, a associação da qual é membro fundador foi a mentora do projeto que recuperou aquele prédio – altamente erodido pelo tempo e descaso das autoridades.

A Associação Cultural Rio Madeira não só cuidou da parte do planejamento como aliou-se ao atual Presidente da Câmara Municipal – Alan Queiroz – para levar à frente a obra de recuperação que – diga-se de passagem – está muito bonita e na parte final.

Citar todos os nomes aqui, seria passar o dia inteiro escrevendo. Mas, sem injustiçar, podemos citar Silvio Santos (Zekatraca) que, com o filho Silvinho deu um show, acompanhados pela banda da Seresta Cultural, comandada pelo Heitor Almeida. Também se fizeram presentes Alciréia e o esposo Calmon. Ela foi outro show no palco.

Dentre as personalidades marcantes de nossa história política, contamos o Presidente da Academia Rondoniense de Letras (William) e o compositor do Hino de Porto Velho, Claudio Feitosa. esse, por sinal, muito esquecido pelas autoridades municipais, pois sequer consta seu nome como compositor de nosso símbolo musical.

Claro que ficam muitos nomes de fora dessa lista, gente de importância, mas que requer uma lista enorme.

A todos fica aqui meu muito obrigado.

 

Olha, é preciso coragem, disposição para ler do início ao fim. Sei que muita gente não concorda com o que foi escrito. É um artigo com verdadeira percepção musical contemporânea.
Costumo atender acadêmica(o)s em dificuldades em seus TCCs. Talvez não tenham disposição (nem tempo) para ler todo o artigo, mas seu conteúdo é válido.
Boa leitura (se conseguir…).

 

 

MIB (Música Imbecil Brasileira): o Sertanejo Universitário na era da imbecilidade monossilábica

By Ton Müller on 30 de julho de 2014 Hipnose, Sociedade

Por Rafael Teodoro do site Revista Bula | Post retirado do meu blog de fotografia mas que precisa ser amplamente distribuído pois até hoje foi o texto que na minha opinião mais explicou sobre a década perdida da música brasileira, mais uma vez… 

Um movimento circular, no qual aquele que nada tem a oferecer intelectualmente alimenta com sua arte quem já se encontra morrendo de inanição cerebral

Há uma tendência idiomática, estudada pelos gramáticos e linguistas, e mesmo constatável empiricamente, que consiste na ação do falante de abreviar as palavras. Assim, palavras longas são reduzidas ao longo do tempo. Exemplo clássico encontra-se no pronome “vocês”. Esta forma, tal como se encontra hoje registrada nos léxicos, nem sempre se pôde considerar “correta”. Em Portugal, a nação europeia da qual o Brasil herdou seu idioma oficial, houve um tempo em que o pronome de tratamento real era “vossa mercê”. Expressão longa, a passagem dos séculos tratou de vulgarizá-lo, abreviando-o. Hoje o escrevemos apenas como “vo­cê” — considerando o plenamente aceitável nos rígidos quadrantes da gramática normativa culta.

Talvez a necessidade de fluidez nos diálogos possa explicar, ao menos em parte, esse movimento de “encurtamento” das palavras numa língua. O interlocutor apressado deseja exprimir suas ideias e sentimentos com rapidez. Logo, usa de vocabulário que lhe proporcione a celeridade almejada. E é aí que a abreviação encontra campo fértil para desenvolver-se, porquanto parece ser de fácil compreensão que palavras curtas propiciam agilidade a uma conversa. Nos tempos presentes, na afamada “era digital”, esse mo­­vimento, outrora secular, acelerou-se. Hoje é possível notar sem dificuldades o re­crudescimento do processo de abreviação das palavras de um dado idioma.

Para citar novamente o caso do “você”, nas redes sociais e nos programas de comunicação instantânea via internet, aquele pronome, cuja forma culta na atualidade já é uma redução da original, foi novamente “mutilado”, tornando-se um singelo “vc”. Idêntico fenômeno se observa no verbo “teclar”: quando usado na denotação de “acionar por meio de teclas”, o usuário da internet tem preferido um simples “tc”.

Essas transformações linguísticas, se de um lado operam-se nos rastros das consequências sociais da globalização — aquilo que o sociólogo Zygmunt Bauman chamou de “modernidade líquida” —, de outro decorrem de uma tentativa de estabelecimento de um signo linguístico capaz de comportar uma sociedade acelerada e sem freio. Eis o “idioma da velocidade”.

O “idioma da velocidade”, dessa maneira, pode-se considerar como sendo o sistema de comunicação mediante o qual o interlocutor prioriza a ligeireza da interlocução: o diálogo deve ser rápido, fluido, “líquido”, mesmo que, para tal fim, seja preciso sacrificar regras comezinhas de sintaxe ou abreviar impiedosamente as palavras.

Um conceito obscuro no cancioneiro nacional

A ideia de “idioma da velocidade”, que ora estou a propor, encontrou terreno fecundo na música comercial brasileira. Especifi­camente, refiro-me ao gênero que se convencionou chamar de “sertanejo universitário” — atualmente dominante em todas as rádios do País.

O conceito de “sertanejo universitário” é dos mais obscuros do cancioneiro nacional. Trata-se de uma aparente “contradictio in terminis”, afinal, “sertanejo” remete à ideia de “sertão”, área agreste, rústica, visto que distanciada dos grandes centros urbanos. Já “universitário” é adjetivo que se liga incontinenti à “universidade”, isto é, espaços de difusão dos saberes científico e filosófico e que, o mais das vezes, situam-se justamente em áreas de intensa urbanização. Por isso, já houve quem quisesse definir “sertanejo universitário” como sendo o “caipira que passou no vestibular” ou “o cidadão urbano com origens no sertão”. Nenhum desses conceitos, é claro, corresponde à realidade. De “sertanejo” esse universitário não tem absolutamente nada. Cuida-se, sim, da juventude da cidade que decidiu colocar um chapéu de cowboy e “cair na balada”.

Do ponto de vista musical, o sertanejo universitário hoje é um gênero musical utilizado comumente para designar a fórmula da “música dançante feita para gente descerebrada”. É o correspondente hodierno, do século 21, ao que foi a axé music no fim do século 20, mais precisamente na década de 1990: a demonstração cabal de que o físico alemão Albert Einstein estava certo quando afirmou: “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, quanto ao universo, ainda não estou completamente certo disso”.

A década perdida da música brasileira

Recordando os tristes anos de 1990, a década perdida da música brasileira, o império da axé music na indústria fonográfica nacional proporcionou algumas das mais constrangedoras composições que alguém, su­postamente um ser racional, já foi capaz de escrever. Naqueles idos, expressões do quilate de “vai dançando gostoso, balançando a bundinha” tornaram-se símbolos de uma geração destruída pelo assédio constante da lógica hedonista do “prazer carnavalesco ininterrupto, curtição acéfala e exibicionismo de corpos plasticamente esculpidos na academia”. Era o princípio de uma tendência irrefreável, que só se acentuaria ao longo dos anos na música brasileira: a substituição do cérebro pelas nádegas. Era o começo da MIB: Música Imbecil Brasileira. O acrônimo de uma geração de jovens destruída pela estultice.

O grau de estupidez a que os ouvidos humanos foram submetidos nessa “idade das trevas” das rádios do País pode ser muito bem representado num dos hits do mais emblemático dos grupos surgidos no período. Refiro-me ao É o Tchan e a sua antológica “Na boquinha da garrafa”, sucesso radiofônico absoluto, cujas coreografias foram repetidas incessantemente em programas de auditório dominicais, com suas dançarinas calipígias “engatando” bem-sucedidas carreiras nas capas de revistas masculinas e no mundo das sub-celebrity. Vejamos: “No samba ela gosta do rala, rala. Me trocou pela garrafa. Não aguentou e foi ralar. Vai ralando na boquinha da garrafa. É na boca da garrafa. Vai descendo na boquinha da garrafa. É na boca da garrafa”.

A letra dispensa comentários e, por si só, revela a mais absoluta falta de respeito próprio, menos de quem compôs e produziu o grupo — um empresário na tarefa de lucrar na indústria do kitsch —, mais da parte de quem anotou na sua biografia momentos de supremo constrangimento “ralando na boquinha da garrafa”.

Quanto ao exibicionismo a que me refiro como caracterizador do período, este se notava na quantidade imensa de pessoas que passaram a trajar abadás multicoloridos qual uniformes denotativos de um suposto status citadino jovem, com os símbolos do “carnaval fora de época”. Havia mesmo uma hierarquia curiosa nas vestimentas: dependendo da cor do abadá, o sujeito era “playboy/patricinha” ou “pobre/povão”, pois já se sabia antecipadamente o preço elevado que se pagava para estar no bloco da “cervejada” ou dos “chicleteiros”, relegando o setor da “pipoca” para o vulgacho empobrecido. Foi também uma época de criatividade única no desenvolvimento de coreografias para as muitas “danças” que surgiam: do vampiro, da manivela, da tartaruga, do tamanduá, do morcego. Quase toda a fauna brasileira foi vilipendiada, digo, homenageada nessas composições.

Ivete Sangalo merece uma atenção especial. Originalmente vocalista da Banda Eva, seguiu o caminho para o qual todo “artista” de axé está direcionado: a carreira solo. Sangalo soube aproveitar como ninguém a catapulta. Carismática e muito bem assessorada, ela sabia que seu repertório grotesco não a sustentaria mais do que alguns verões fora de Salvador. Assim, tratou de cultivar uma imagem que a projetasse como cantora para além da axé music, que principiava a agonizar nas vendas das gravadoras. Hoje, contando com o apoio de quase toda a mass media brasileira, que a tem por “grande cantora”, é empurrada “goela abaixo” do público pela televisão, que lhe dá um espaço imenso nos principais canais abertos, sem contar os sucessivos apelos propagandísticos. Mas nem toda a máquina publicitária pode esconder a péssima qualidade do seu repertório, que não resiste a um exame qualitativo mais minucioso. “Carro velho”, sucesso comercial na sua voz, revela bem o quão criativa é a leitura de mundo da cantora: “Cheiro de pneu queimado. Carburador furado. Coração dilacerado. Quero meu negão do lado. Cabelo penteado. No meu carro envenenado. Eu vou, eu vou, então venha. Pois eu sei. Que amar a pé, amor. É lenha”.

Nos anos 2000, no entanto, a axé music entrou em colapso no mercado. Os carnavais fora de época (micaretas) foram aos poucos desaparecendo pela perda crescente de público. Os grupos “clássicos” do período deixaram de existir não por brigas de seus integrantes, mas pela simples falta de shows. O mercado usou e abusou da axé music enquanto era lucrativa. Quando deixou de sê-lo, descartou-a, substituída que foi, nas rádios comerciais, pelo forró universitário e pelo funk carioca (cuja nomenclatura correta é “batidão”). Nem mesmo o movimento da “suingueira”, capitaneado por “pérolas” do nível de “Re­bolation”, associado a um amplo apelo midiático que tem por diretriz espicaçar os “sucessos do carnaval”, conseguiu ressuscitar o declínio inexorável daquele gênero musical moribundo.

O jovem hedonista do século 21 no Brasil

Entretanto, o mercado, no capitalismo, nunca pode parar na sua incessante busca pela rentabilidade. Ele precisa encontrar novos meios de entretenimento que gerem lucros vultosos. A fórmula mais fácil disso é, indiscutivelmente, estimular a imbecilidade da juventude. Sem escrúpulos.

Os meios de comunicação de massa cumprem, então, o seu papel: associam a ideia de “ser jovem” com a de “ser um imbecil”, aqui entendido como um irresponsável, que não se importa com nada que não seja o próprio prazer, imediato, rápido, fluido, como deve ser a linguagem nos tempos da globalização digital.

O sertanejo universitário surge nesse contexto. Ele vem ocupar o espaço dos ritmos que se prestam a proporcionar “diversão sem compromisso”, expressão que não quer outra coisa senão mascarar a baixíssima qualidade da música produzida, além de servir como sentença de absolvição da mediocridade humana de quem ouve esse estilo. Entender o estereótipo do sertanejo universitário, dessa ma­nei­ra, afigura-se como sendo da mais alta relevância para a compreensão da ideia corrente do que é ser um jovem hedonista no século 21. É o desafio a que me proponho a partir de agora.

O perfil estereotípico do sertanejo universitário

Naturalmente, numa empresa dessa envergadura, precisarei recorrer às letras de algumas das composições mais re­presentativas do estilo. Cuida-se de analisar como pensam os grandes artistas do gênero para, ao final, ro­bustecer um juízo estético-sociológico sobre este conceito indecifrável do “sertanejo universitário”.

Nesse sentido, creio que uma das suas primeiras características é o desapego aos estudos. O sertanejo universitário é um hedonista por excelência. Seu adágio popular dileto, alçado à condição de mote da própria vida, é o clichê: “Pra que estudar se o futuro é a morte?”.

Desse modo, pode ser concebido como um jovem, de péssima formação intelectual e que, a despeito de cursar uma faculdade, não está nem um pouco preocupado com os estudos. Para ele, só existe a balada (o prazer imediato). É o que notamos na composição “Bolo doido”, da dupla “Guilherme e Santiago”: “Ai ai ai sexta-feira chegou! quem não guenta bebe leite e quem guenta vem comigo. Na sexta-feira o bar virou uma micareta. Mulherada foi solteira e os meus amigos loucos pra beber. Da faculdade eu fui pra festa tomar todas com a galera. E fiz amor até amanhecer. Toquei direto, fui à praia com as gatinhas na gandaia. Minha galera bota é pra ferver. Segunda de madrugada, travado, cheguei em casa. Sete horas acordei com uma ressaca, tinha prova pra fazer”.

Mas o sertanejo universitário, para levar uma vida de “baladeiro”, necessita de dinheiro, pois o vil metal tem o condão de, simultaneamente, torná-lo cliente especial da sociedade de consumo e despertar o interesse das garotas mais lindas da balada — verdadeiras empreendedoras no varejo dos relacionamentos humanos. Ele é, assim, um sujeito endinheirado. É o que se observa na composição “Ca­maro amarelo”, da dupla Mu­nhoz e Mariano: “Quando eu passava por você. Na minha CG você nem me olhava. Fazia de tudo pra me ver, pra me perceber. Mas nem me olhava. Aí veio a herança do meu ‘véio’. E resolveu os meus problemas, minha situação. E do dia pra noite fiquei rico. ‘To’ na grife, ‘to’ bonito, ‘to’ andando igual patrão. Agora eu fiquei doce igual caramelo. ‘To’ tirando onda de Camaro amarelo. E agora você diz: vem cá que eu te quero. Quando eu passo no Camaro amarelo”.

Já sabemos, portanto, que o sertanejo, do tipo universitário, é jovem, de posses, sai da faculdade com seu Camaro amarelo direto para a balada e “bota a galera pra ferver”. Há quem lhe custeie os estudos. E, ainda que ao final de quatro ou cinco anos saia da faculdade no nível de um analfabeto funcional, seus genitores são suficientemente influentes para arranjar-lhe uma boa posição na iniciativa privada ou mesmo no serviço público.

O sertanejo universitário é sujeito destemido, porém sensível. Tem o dom da poesia in­crustado nas suas veias. Na balada, este santuário da “pegação da mulherada”, sente a verve aflorar com facilidade, produzindo versos riquíssimos, como os que se notam na composição “Ai se eu te Pego”, do cantor Michel Teló: “Sábado na balada. A galera começou a dançar. E passou a menina mais linda. Tomei coragem e comecei a falar. Nossa, nossa. Assim você me mata. Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego”.

De fato, é preciso ser muito perspicaz para rimar “dançar” com “falar”. Sobretudo, me impressiona a profundidade dos versos: quando passa a menina mais linda, ele toma coragem e fala. É um movimento controlado, premeditado. O eu lírico “toma coragem” e “parte para a caça” na balada. Inspirado pela beleza da garota, ele se aproxima e a corteja de uma maneira que qualquer mulher, de Carla Perez a Susan Sontag, sentir-se-ia enamorada: “Ai se eu te pego”, “ai se eu te pego”, ele repete à exaustão o verso aos ouvidos da “garota mais gostosa”.

Contudo, talvez a característica mais significativa desta personagem — o sertanejo universitário — seja mesmo a preferência pelo “idioma da velocidade”. Sertanejo que é sertanejo universitário evita a prolixidade; é sucinto, direto, objetivo. Sua linguagem despreza floreios verbais, construções frasais longas, vocábulos de difícil entendimento. Dado o portento de seu talento poético, ele acentua a desnecessidade do vocabulário complexo, adepto que é da lógica do “dizer muito com muito pouco” ou do “falar fácil é que é difícil”. Conhecedor profundo da fonologia da gramática da língua portuguesa, ele lança mão do rico alfabeto fonético do idioma românico-galego e, conjugando-o com seu ideal filosófico de concisão e com as técnicas redacionais modernas que enaltecem o “texto enxuto”, passa a compor valorizando a mínima emissão de voz na entonação dos seus versos, economizando em palavras o que pode expressar, em seu entender, perfeitamente com vocábulos monossílabos. É daí que nasce a tendência manifesta das composições do estilo em priorizar a vocalização de uma única sílaba. Exemplificativamente, temos: “Eu quero tchu, eu quero tcha”, de João Lucas e Marcelo: “Eu quero tchu, eu quero tchã. Eu quero tchu tcha tcha tchu tchu tchã. Tchu tcha tcha tchu tchu tchã”.

“Eu quero tchu, eu quero tcha” é, sem dúvida, um dos mais formidáveis exemplos de como se pode economizar palavras, de como se pode fundir o dígrafo consonantal “ch” com o “t” e uma vogal (“a” ou “u”) e criar um hit nacional. O significado poético-filosófico do “tchu” e do “tcha” na composição também merece registro: o eu lírico cria um jogo de contrastes, antitético como as leis da dialética, onde o “tchu” só existe para o “tcha”, de modo que não pode haver “tcha” sem “tchu” nem “tchu” sem “tcha”. Daí o porquê de invocar-se as expressões alternadamente, silabando-as na velocidade da luz: “Tchu tcha tcha tchu tchu tchã”.

Na mesma linha vem a composição “Tchá tchá tchá”, cantada por Thaeme e Thiago: “Ai que vontade, ai que vontade que me dá. De te colocar no colo e fazer o tchá tchá tchã. Tchá tchá tchá, Tchá tchá tchã. Tchá tchá tchá, Tchá tchá tchã. De beijar na sua boca fazer o tchá tchá tchã. Tchá tchá tchá, Tchá tchá tchã. Tchá tchá tchá, Tchá tchá tchã. De beijar na sua boca e fazer o tchá tchá tchã”.

Outro exemplo notável do uso de monossílabos é observável em “Lê lê lê”, de João Neto e Fre­derico. Vejamos: “Sou simples. Mas eu te garanto. Eu sei fazer o Lê lê lê. Lê lê lê. Lê lê lê. Se eu te pegar você vai ver. Lê lê lê. Lê lê lê”.

Mais uma vez temos o eu lírico usando de monossílabos, economizando em palavras, porque riqueza vocabular tornou-se algo desprezível. Sendo possível conotar com um mero “lê”, por que falar mais? O “lê, lê, lê”, no entanto, guarda uma mensagem subliminar perigosa: se tomado isoladamente na segunda pessoa do imperativo afirmativo, pode vir a constituir-se em ordem para leitura. Nada mais distante do que pretende o compositor e a “filosofia de vida” que a­nima o sertanejo que frequenta a universidade. Logo, é preciso apreender o “lê lê lê” de maneira contextualizada, ou seja, como registro onomatopaico que emula o sentimento de auto compensação libidinosa do eu lírico diante da vergonha que é, numa sociedade de consumo, ter uma condição financeira oprobriosa.

A era da imbecilidade monossilábica

A partir das breves linhas expostas acima, penso que o leitor já se encontra habilitado a conceituar este personagem enigmático do cancioneiro nacional: o sertanejo universitário. Trata-se de um modelo hedônico de uma sociedade capitalista hedonista, marcadamente voltado ao consumo, onde ser um “idiota”, um “imbecil completo”, não só não é motivo de desonra — própria e familiar — como se consubstancia num status socialmente tolerado (diria mesmo instigado). É o estereótipo desejável da sociedade globalizada por relações líquidas sob o elo do idioma da velocidade: no falar, no vestir, no relacionar-se, tudo que se refere ao gênero humano passa numa piscadela. Na música, não é diferente. Predomina o sertanejo universitário como o modelo supremo da juventude irresponsável, mediocrizada, de baixíssimo nível cultural. As composições são cunhadas no esteio da pobreza vocabular de quem as escreve, mas também de quem as canta — em ambos os casos denunciando a mais absoluta falta de leitura. É um autêntico movimento circular, no qual aquele que nada tem a oferecer intelectualmente alimenta com sua arte quem já se encontra morrendo de inanição cerebral.

Por essas razões é que me sinto autorizado a declarar que, depois da hecatombe cerebral que a axé mu­sic proporcionou na década de 1990, contribuindo decisivamente na deseducação do povo brasileiro com seus versos de “balançando a bundinha” e “boquinha da garrafa”, o sertanejo universitário, gestado pela indústria fonográfica em crise, desponta como o meio mais fácil de lucrar em cima do desejo hedonístico, cotidianamente instigado pelos meios de comunicação, que impele o jovem a aproveitar a vida a qualquer preço, de qualquer maneira, custe o que custar — incluindo o próprio senso do ridículo daqueles aos quais falta massa encefálica para perceber o quão patético é idolatrar “artistas” incapazes de compor com vocábulos polissílabos. É quando aos olhos de uma garota, na balada, torna-se “bonito” ser um completo idiota. Com o sertanejo universitário, a MIB entrou definitivamente na “era da imbecilidade monossilábica”.

Olá, gente querida!!
O sonho acabou? Talvez o seu. O meu, não.
Sonhei durante décadas com uma Copa do Mundo no Brasil. E estou tendo o prazer de realizar meu sonho.
A vitória – Hexa, jamais alcançado por nenhuma outra seleção – seria a coroação de uma vontade. Mas não a desilusão de um sonho perdido.
Vi – e ainda estou vendo – meu país invadido pelo mundo inteiro. Vi gente que sequer estava disputando a Copa, vindo apenas para assistir os jogos das demais seleções.
Vi as ruas enfeitadas, bandeiras tremulando sobre e abaixo as cabeças. Os carros e as pessoas fantasiados.
Vi efusão de alegria em cada esquina, em cada estabelecimento comercial.
Vi escolas cederem seu tempo para que todos pudessem assistir os jogos – desta vez realizados em nosso país.
Relembrei 1994, quando a Seleção Canarinho entrou desacreditada e os bancos sequer fechavam mais cedo. Com os jogos evoluindo veio o Tetra, tão festejado e inesquecível, numa dura disputa de pênaltis.
Relembrei, também, 2002, quando uma Seleção que quase ficava de fora, chegou e ganhou da Alemanha. Mérito desse Técnico que ontem, infelizmente, teve seu dia de infortúnio.
Temos nosso Penta. Ninguém tem, ainda, pelo menos, o Tetra que já superamos.
Por que chorar? Por que lamentar?
Tivemos – estamos tendo – nossa Copa. Provamos que temos competência para realizar um evento de porte fenomenal. Isso é o que prevalece. Pelo menos, para mim.
A megalomania de querer mais e mais, levou-nos a crer que tínhamos um selecionado capaz de superar os melhores projetos de países que valorizam realmente essas coisas.
Não nos preparamos para o futuro que hoje é o presente. Mas preparamos este presente que temos hoje.
Uma seleção jovem, com talento de sobra, esbanjando euforia e garra, mas com insegurança diante dos revezes.
Se for trabalhada, cuidada, lapidada, como fizeram com a equipe alemã, possivelmente essa mesma equipe ainda nos dará muitas alegrias. E gritos de euforia, também, com as vitórias conseguidas fora de casa.
De meu canto, estou e continuo tranquilo. Esperar o sábado para torcer pelo meu País, cantando o Hino Nacional de pé, com a mão no coração.
Aliás… seria bem melhor se não precisasse do futebol para demonstrarmos nossa brasilidade. Poderia ser melhor demonstrada na cabine de votação.

Obrigado a toda(o)s.
Bom dia. De amarelinha!

BOM DIA!!!
Hoje é um dia especial para mim. Sim! É pela Copa do Mundo no Brasil, sim!
Não vou pedir desculpas a quem pensa diferente. Creio que é exatamente a diferença que nos faz bem.
Mas eu sonho com essa copa desde a infância. Nasci no ano em que o Brasil perdeu, no recém inaugurado Maracanã, para o Uruguai, a primeira Copa em casa.
Desde a infância sonho em ver uma Copa do Mundo de Futebol aqui no Brasil.
Se você é contra ou nunca gostou de futebol, paciência. Assim como eu, muitos outros brasileiros estão felizes de ter um evento que reúne nações na paz – e não na guerra ou na política. É na paz que pretendo curtir a MINHA COPA!
Reunido com familiares e amigos tentarei esquecer das mazelas que a natureza e o progresso trouxeram à minha vida ultimamente. Tentarei e tentarei!!!
Não é a Copa do Brasil a responsável por tudo de ruim que vem acontecendo em nosso país. Alguns hipócritas criticaram Ronaldo quando fez a relação entre copa e hospitais. Hipócritas, sim. Ronaldo disse a verdade que muitos têm medo de pronunciar.
O dinheiro dos hospitais sempre existiu – e existe. Se não foi ou não é aplicado, a culpa é de quem colocou ladrões no poder. E não de quem gosta de futebol, simplesmente.
Quero a Copa do Mundo no Brasil. Quero poder ver meu país em festa. Quero ver o povo nas ruas, indo para os estádios, praças…
E quero que tudo funcione normalmente.
Não quero greves políticas. Mesmo porque as greves em momento inoportuno não são promovidas por trabalhadores realmente.
Quem é Sininho??? Quem pensa que é? Dona da verdade ou do caos?

Eu sou um cidadão brasileiro. Quero poder rir, mesmo na tragédia. Porque considero isso um direito!
E quem não concorda, não tem o direito de querer fazer minha cabeça contra o evento promovido por uma entidade que nunca promoveu uma batalha sequer, muito menos guerras. Uma entidade que reúne mais nações que a própria ONU. Que faz rir e chorar. Mas, não derrama bombas, não atira gás lacrimogênio nem coquetel molotov. Os derrotados choram, mas não são feridos por artefatos mortais. Não sofrem a vergonha de ver suas pátrias invadidas e suas vidas destruídas.

Estou a favor da COPA DO BRASIL!!!
Com ou sem você.

Tenham todos um bom dia.
PRA FRENTE BRASIL!!! Vai Neymar!!! Vai Fred!!! Te segura Croácia!!!

PESSOAS QUE SONHAM

                                   Por Artur Quintela

 

 

                        Há pessoas que são criticadas por viverem sonhando. Há quem afirme que vivem “no mundo da lua”, simplesmente porque sonham acordadas.

                        Particularmente, também me considero um sonhador, embora tenha os pés firmes no chão.

                        Mas, quero lembrar aqui que nada no mundo existiria se não fosse pelos sonhos. Afinal, os projetos surgem de ideias que são sonhos. E, a partir dos projetos vislumbram-se as obras. Muitas delas, GRANDES obras.

                        Tenho em minha família uma pessoa assim. Que vive sonhando. E acho isso notável. Impressionante como ela se deixa levar pelos sonhos, transformando-os em projetos. Literalmente. Cada sonho é um projeto novo que sai de sua cuca. E que cuca!

                        Minha admiração não diminui quando ela afirma que “seus projetos” são curtos. Ao contrário, vejo nisso uma grande coragem. Ao admitir que tem projetos curtos está afirmando que não se prende ao passado por muito tempo, pois sempre há inovação a fazer sobre o que já foi feito. E muito pra pensar e realizar. Então… pra quê perder tempo com o que já passou? Se deu certo, muito bem. Se não, parte para outra, ora.

                        Pessoas assim devem encontrar felicidade onde outros só encontram trabalho.

                        Tempos atrás um amigo falou que ao passar por uma loja de discos escutou uma música “que era a minha cara”. Tudo bem. Tem músicas cujas letras parecem que foram moldadas para outra pessoa, além daquela que compôs. Mas, na hora, eu afirmei que era “Casinha Branca” de Gilson. Afinal, esse sempre foi meu sonho, desde criança. Embora tenha realizado cursos que me prepararam para a vida na cidade, sempre gostei da Natureza e sonhei com um pedaço de terra “pra plantar e pra colher”. A casinha branca com varanda é o complemento daquilo que posso chamar de lugar feliz, ou Cantinho da Paz.

                        Foram várias tentativas, todas frustradas por algum motivo, alheio aos meus interesses. Até que um dia surgiu a oportunidade e estou trabalhando num projeto de vida.

                        Assim é a pessoa que me refiro nesse pequeno artigo. Ela persegue seus sonhos. Persegue com afinco. Só que, diferente de mim, não perde tempo com um sonho apenas. Busca realizar vários. Assim leva sua vida. Sempre com um sonho na cabecinha prodigiosa. Sonho esse que tenta transformar em realidade para, logo depois, começar outro.

                        Gosto de vê-la assim. Sonhadora… projetando… arquitetando… Creio que assim é feliz. Como eu com meu sonho-projeto de vida.

                       

Bom dia/Boa tarde/Boa Noite, gente amiga e querida.
Tenho escrito pouco a respeito da grande cheia do Rio Madeira. Tenho meus motivos. São muitas especulações e muitas novidades (algumas já esperadas no campo político) que nos têm chegado ultimamente.
Não sou alarmista. Nunca me prendi a notícias infundadas. Portanto, não viria aqui escrever sobre alguma coisa que provocasse alarme sem ter a certeza absoluta da verdade.
Muito bem. Alguma coisa já é verdadeira, como o caso do “Auxilio Moradia”, prometido e nunca cumprido.
Não consigo entender, verdadeiramente, como alguns políticos são tão descarados a ponto de prometerem aquilo que sabem de antemão que não irão cumprir.
No meu caso, pessoalmente – que deve ser apenas um entre tantos – pelo menos tive a certeza inicial de que não receberia ajuda do tipo cesta básica, cobertores, colchões… coisas desse tipo, já que não estava em abrigo e sim “alojado” em casa de parentes. Foram claríssimos nesse ponto a ponto de constranger. Mas, tudo bem. Superado!
Entretanto o caso do auxílio moradia era prometido repetidamente, embora alegassem que somente sairia após os cadastros terem sido lançados no “sistema”, integralmente.
Agora a notícia foi que não tinha chegado a tal “verba”, antes alardeada como já recebida e disponível.

Deixando essa parte de lado, o segundo assunto seria a moradia desocupada durante a cheia.
Já postei aqui algumas fotos. Estamos, ainda, em fase de limpeza. A quantidade de lama retirada – apenas de minha casa – daria para encher dois caminhões. Lixo. Muito lixo! A parte do muro que desabou, juntamente com o portão da garagem totalmente arrebentado, permitiram que entrasse muito lixo que flutuava nas águas poluídas. E foi necessário paciência, coragem e determinação para não parar um dia sequer os trabalhos.
Agora, quanto à recuperação das partes danificadas, isso demanda tempo. Tempo, dinheiro e trabalho, muito trabalho, ainda.
Ontem, em conversa com uma agente da Defesa Civil foi-me adiantado que os imóveis da minha área apenas serão liberados com o devido “Habite-se” a partir de setembro. Antes disso, nem pensar. As pessoas que quiserem ocupar seus imóveis antes não terão apoio das autoridades sanitárias ou da Defesa Civil.
Antes de pensar nisso, é bom deixar claro que a Defesa Civil atuou apenas na interdição dos imóveis e ajudou na mudança dos móveis salvos das águas. Nada mais. No que concerne aos abrigados, foi um trabalho conjunto da Defesa Civil e Secretaria de Ação Social do Município. Para nossa quadra – totalmente interditada – apenas os que seguiram para os abrigos em colégios e escolas tiveram suprimento alimentar. No mais… necas de pitibiribas.

Agora, por fim, chega-me a informação de fonte fidedigna de que as autoridades foram relapsas no início dessa situação. Sabiam de antemão – desde 2007 – tudo a respeito da cheia de 2014, considerada cíclica (ciclo dos 50 anos), que ocorre a cada 56/57 anos aproximadamente. Sabiam exatamente quando iria ocorrer e os estragos que provocaria. havia um EIA (estudo de impactos ambientais) do Ibama que tratava especificamente desse tema e foi desprezado pelas autoridades e consórcio construtor.
A panaceia provocada pelas palavras de um engenheiro da Usina Santo Antonio – chamando aqueles que teimavam na tese da culpa das usinas pela tragédia – mostra como são tratadas as populações que vivem à beira desses empreendimentos. Chamou-nos de bobos, crentes em lendas.
Entretanto, o estudo demonstrou que iria acontecer. E a providência, lógica, seria evacuar a região em dezembro. Mais, ainda. O reservatório deveria ser esvaziado durante a última vazante. Mantidas desligadas as turbinas. Mas isso era impensável pelos mentores do Consórcio. A energia gerada já estava rendendo divisas. Então deixou-se a tragédia ocorrer.

O pior de tudo, entretanto, é que ainda tem mais. Existem estudos sobre os fenômenos cíclicos, realizados pelo Ibama e pelo Ministério do Meio Ambiente – que tinha à frente Marina Silva, ferrenha opositora da construção das usinas – que apontam para a maior de todas as cheias, já em 2015. Chamada “Cheia do Ciclo Decamilenar, ocorre a cada 10 mil anos e a previsão é para 2015. Ou seja, retornamos em setembro para nossas casa e partimos, novamente, em dezembro.
Querem saber por que chamo de “pior”? Porque o mesmo estudo que será 80% superior à atual. Ou seja, o nível do Rio Madeira chegará a 36 metros.

Como frisei no início. Não sou alarmista. Não consegui confirmar essa previsão. E poderia ser apenas uma “profecia”. Mas a fonte é fidedigna e lembrou-me que Marina foi exonerada do Ministério por sua postura. Da mesma forma, foi criado o Instituto Chico Mendes, que tirou do Ibama algumas atribuições e passou a realizar estudos diferentes (politicamente), liberando obras irregulares.

Do meu ponto de vista – pessoal, exclusivamente – houve, sim, descaso das autoridades e técnicos do consórcio. O que perdi foi construido durante décadas. E, se nunca culpei as usinas pela grande cheia, não posso dizer o mesmo em relação às providências que deveriam ter sido tomadas e que reduziriam sensivelmente o impacto causado à população.
Hoje, creio que os três bairros – Areal, Cai n’Água e Baixa da União estão severamente comprometidos. Tanto do ponto de vista das cheias quanto do impacto causado pela Usina Santo Antonio, onde um dos vertedouros lança diretamente sobre aquela região de Porto Velho. Ou seja… é coisa de tempo apenas, para os três bairros desaparecerem. E com eles, minha casa, minha história, minha vida.
É isso.